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Alta do petróleo no Oriente Médio já bate no açúcar brasileiro: usinas do Centro-Sul veem a margem encolher justamente quando o etanol ganha força

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 01/04/2026 às 10:31
Atualizado em 01/04/2026 às 10:43
Oriente Médio pressiona petróleo, encarece diesel e eleva custo do açúcar no Centro-Sul, com usinas perto do equilíbrio.
Oriente Médio pressiona petróleo, encarece diesel e eleva custo do açúcar no Centro-Sul, com usinas perto do equilíbrio.
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A escalada da tensão no Oriente Médio já pressiona o setor sucroenergético brasileiro, com alta superior a 40% no Brent, avanço de até 91% no diesel na paridade de importação e impacto direto sobre o custo do açúcar e a estratégia das usinas no Centro-Sul

A escalada do conflito no Oriente Médio já afeta o setor sucroenergético brasileiro ao pressionar os preços dos combustíveis e elevar os custos de produção de açúcar e etanol no Centro-Sul. A avaliação da StoneX aponta que a alta do petróleo sustenta a receita do etanol, mas amplia gastos operacionais e aperta as margens das usinas.

Desde 28 de fevereiro, o Brent acumula valorização superior a 40%. No mesmo intervalo, as estimativas de Preço de Paridade de Importação indicam aumento de 48% na gasolina e de 91% no diesel.

Nas bombas, o diesel B subiu mais de R$ 1,00 por litro no país, com avanço médio de R$ 1,26 por litro, ou 20,6%, até 21 de março. Em São Paulo, a alta registrada foi de 12%.

Oriente Médio pressiona custos de açúcar e etanol

Para o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Marcelo Di Bonifacio Filho, o cenário produz efeitos em direções opostas sobre o setor. O petróleo mais caro tende a sustentar os preços do etanol e melhorar a perspectiva de receita das usinas, enquanto a alta do diesel eleva diretamente os custos operacionais, sobretudo nas atividades agrícolas.

O diesel tem forte peso na estrutura de custos do setor e apresenta correlação de 97,46% com o custo agroindustrial total nas últimas 19 safras. Na prática, cada aumento de R$ 1,00 por litro pode elevar os custos entre R$ 29 e R$ 36,5 por tonelada de cana.

A StoneX também aponta que a isenção de tributos federais sobre o diesel B não foi suficiente para conter a pressão sobre os preços internos. Em março, o reajuste de R$ 0,30 por litro aplicado pela Petrobras limitou esse alívio.

Fertilizantes entram na rota de pressão

O conflito no Oriente Médio também repercute no mercado global de fertilizantes, com alta generalizada de produtos como ureia e MAP.

A pressão decorre das restrições de oferta em uma região relevante na produção de amônia e enxofre, além do encarecimento do gás natural e dos fretes marítimos.

No curto prazo, o impacto tende a ser mais diluído para o Brasil. Isso ocorre porque a maior parte das compras de fertilizantes acontece no segundo semestre.

Margens do açúcar ficam próximas do equilíbrio

Para a próxima temporada, a StoneX estima custo de produção do açúcar VHP no Centro-Sul em R$ 1.730 por tonelada, na base usina, e R$ 1.875 por tonelada, FOB. Com o câmbio entre R$ 5,20 e R$ 5,30 por dólar, o ponto de equilíbrio do açúcar no contrato #11 varia de US¢ 15,40 a US¢ 17,01 por libra-peso.

Como as cotações estavam pouco acima de US¢ 15,50 por libra-peso no fim de março, as usinas operam próximas do equilíbrio. Ainda assim, ganho de produtividade, menor investimento no canavial, queda esperada no preço do ATR para abaixo de R$ 1,00 por quilo e recuo de 10,5% no custo da cana de terceiros podem reduzir o custo total e gerar economia adicional.

Etanol ganha espaço no mix da safra

Diante desse quadro, a tendência é de maior direcionamento da cana para o etanol. A alta do petróleo melhora a competitividade do biocombustível, mas o avanço do diesel reduz as margens do açúcar e reforça a necessidade de ajustes estratégicos na safra 2026/27.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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