A escalada da tensão no Oriente Médio já pressiona o setor sucroenergético brasileiro, com alta superior a 40% no Brent, avanço de até 91% no diesel na paridade de importação e impacto direto sobre o custo do açúcar e a estratégia das usinas no Centro-Sul
A escalada do conflito no Oriente Médio já afeta o setor sucroenergético brasileiro ao pressionar os preços dos combustíveis e elevar os custos de produção de açúcar e etanol no Centro-Sul. A avaliação da StoneX aponta que a alta do petróleo sustenta a receita do etanol, mas amplia gastos operacionais e aperta as margens das usinas.
Desde 28 de fevereiro, o Brent acumula valorização superior a 40%. No mesmo intervalo, as estimativas de Preço de Paridade de Importação indicam aumento de 48% na gasolina e de 91% no diesel.
Nas bombas, o diesel B subiu mais de R$ 1,00 por litro no país, com avanço médio de R$ 1,26 por litro, ou 20,6%, até 21 de março. Em São Paulo, a alta registrada foi de 12%.
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Oriente Médio pressiona custos de açúcar e etanol
Para o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Marcelo Di Bonifacio Filho, o cenário produz efeitos em direções opostas sobre o setor. O petróleo mais caro tende a sustentar os preços do etanol e melhorar a perspectiva de receita das usinas, enquanto a alta do diesel eleva diretamente os custos operacionais, sobretudo nas atividades agrícolas.
O diesel tem forte peso na estrutura de custos do setor e apresenta correlação de 97,46% com o custo agroindustrial total nas últimas 19 safras. Na prática, cada aumento de R$ 1,00 por litro pode elevar os custos entre R$ 29 e R$ 36,5 por tonelada de cana.
A StoneX também aponta que a isenção de tributos federais sobre o diesel B não foi suficiente para conter a pressão sobre os preços internos. Em março, o reajuste de R$ 0,30 por litro aplicado pela Petrobras limitou esse alívio.
Fertilizantes entram na rota de pressão
O conflito no Oriente Médio também repercute no mercado global de fertilizantes, com alta generalizada de produtos como ureia e MAP.
A pressão decorre das restrições de oferta em uma região relevante na produção de amônia e enxofre, além do encarecimento do gás natural e dos fretes marítimos.
No curto prazo, o impacto tende a ser mais diluído para o Brasil. Isso ocorre porque a maior parte das compras de fertilizantes acontece no segundo semestre.
Margens do açúcar ficam próximas do equilíbrio
Para a próxima temporada, a StoneX estima custo de produção do açúcar VHP no Centro-Sul em R$ 1.730 por tonelada, na base usina, e R$ 1.875 por tonelada, FOB. Com o câmbio entre R$ 5,20 e R$ 5,30 por dólar, o ponto de equilíbrio do açúcar no contrato #11 varia de US¢ 15,40 a US¢ 17,01 por libra-peso.
Como as cotações estavam pouco acima de US¢ 15,50 por libra-peso no fim de março, as usinas operam próximas do equilíbrio. Ainda assim, ganho de produtividade, menor investimento no canavial, queda esperada no preço do ATR para abaixo de R$ 1,00 por quilo e recuo de 10,5% no custo da cana de terceiros podem reduzir o custo total e gerar economia adicional.
Etanol ganha espaço no mix da safra
Diante desse quadro, a tendência é de maior direcionamento da cana para o etanol. A alta do petróleo melhora a competitividade do biocombustível, mas o avanço do diesel reduz as margens do açúcar e reforça a necessidade de ajustes estratégicos na safra 2026/27.

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