Produzida com uvas Bordô e Isabel, bebida recebeu medalha de platina ao disputar uma avaliação nacional com 190 amostras de diferentes regiões brasileiras
Um suco de uva orgânico produzido em São Roque, no interior de São Paulo, foi reconhecido entre os melhores do Brasil.
A bebida conquistou a medalha de platina no primeiro concurso nacional promovido pela Associação Brasileira de Enologia.
O resultado foi anunciado em abril de 2026, após uma avaliação técnica realizada em formato de teste cego.
-
No Matopiba, a soja tomou o lugar do arroz e do feijão, e comunidades tradicionais do Cerrado que plantavam a própria comida agora precisam comprá-la, enquanto agrotóxico das fazendas vizinhas chega às nascentes
-
Árvore estrangeira plantada para combater a seca invade mais de 1 milhão de hectares da Caatinga, avança sobre matas ciliares e transforma antiga solução para o semiárido em uma ameaça silenciosa à biodiversidade
-
Erva invasora que resiste ao calor extremo avança com a mudança climática, ameaça lavouras em vários continentes e acende alerta global sobre uma planta silenciosa capaz de dominar solos, sufocar espécies nativas e redesenhar ecossistemas inteiros
-
Enquanto outros cafés escapam do tarifaço americano, o café solúvel brasileiro fica de fora, acende alerta no setor e pode ficar até 37,5% mais caro nos Estados Unidos
A pontuação ficou entre 90 e 95 pontos, dentro de uma escala máxima de 100.
O produto concorreu com 190 amostras de diferentes regiões do país e destacou-se pela qualidade, pelo sabor e pelo processo de produção.
Pesquisa de seis anos comprova viabilidade do cultivo orgânico
O reconhecimento representa o resultado de seis anos de estudos, testes no campo e acompanhamento técnico das videiras.
Quatro safras foram colhidas durante esse período, permitindo avaliar a adaptação das plantas às condições encontradas em São Roque.
Os resultados comprovaram a viabilidade de produzir uvas sem agrotóxicos na região.
A pesquisa foi conduzida pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, por meio da APTA Regional.
O projeto também contou com a participação do Instituto Federal e do Sindicato da Indústria do Vinho de São Roque, o Sindusvinho.
A iniciativa aproximou o conhecimento científico da experiência prática acumulada no campo.
Área experimental reúne mais de 1,3 mil videiras
O vinhedo utilizado no projeto ocupa aproximadamente 4 mil metros quadrados.
Mais de 1,3 mil videiras estão distribuídas na área e são acompanhadas durante todas as etapas de desenvolvimento.
O espaço também funciona como uma sala de aula a céu aberto para estudantes do curso de Enologia do Instituto Federal.
Os alunos acompanham o cultivo, a colheita e os procedimentos empregados na produção do suco.
A estrutura permite integrar formação acadêmica, pesquisa científica e atividades realizadas diretamente no campo.
Manejo agroecológico reduz uso de defensivos químicos
O sistema de cultivo utiliza práticas agroecológicas para preservar o equilíbrio natural do vinhedo.
A vegetação espontânea é mantida em linhas alternadas entre as fileiras de videiras.
Uma fileira conserva o mato e as plantas naturais, enquanto a seguinte recebe o manejo necessário.
Essa vegetação oferece abrigo para insetos que ajudam no controle natural das pragas.
O método reduz a necessidade de defensivos químicos durante o desenvolvimento das uvas.
A colheita é realizada manualmente, com a retirada individual de cada cacho.
Critérios como cor, textura e nível de doçura são avaliados antes da seleção das frutas.
Bordô e Isabel formam a combinação premiada
As uvas passam por um processo controlado de extração e envase após a colheita.
As características naturais da fruta são preservadas durante todas as etapas da produção.
Segundo Alex de Moraes, presidente do Sindusvinho, o sabor premiado está relacionado ao equilíbrio entre duas variedades tradicionais.
A bebida reúne as uvas Bordô e Isabel em proporções definidas durante a elaboração do produto.
A combinação contribuiu diretamente para a pontuação alcançada no concurso nacional.
Medalha de platina reconhece trabalho científico e rural
A premiação conquistada em 2026 encerra uma etapa importante do projeto iniciado seis anos antes.
O resultado destaca a união entre pesquisa científica, conhecimento rural, formação acadêmica e manejo agroecológico.
A pontuação superior a 90 também confirma a qualidade técnica do suco produzido na área experimental de São Roque.
O reconhecimento nacional demonstra como o acompanhamento das safras e o cultivo sem agrotóxicos favoreceram o desenvolvimento da bebida.
A medalha de platina transforma o projeto em uma referência para a produção orgânica de uvas na região.
Na sua opinião, produtos desenvolvidos com pesquisa agroecológica podem conquistar mais espaço no mercado brasileiro? Deixe seu comentário.

Seja o primeiro a reagir!