Imagem feita da Estação Espacial Internacional mostra Porto Alegre e municípios da região metropolitana à noite, destacando avenidas, rodovias, pontes e diferenças de iluminação vistas a 417 quilômetros de altitude.
Vista da órbita, uma cidade deixa de parecer um conjunto de ruas, bairros e avenidas para se transformar em um mapa de luzes.
À noite, áreas urbanas podem ser reconhecidas da Estação Espacial Internacional por seus eixos iluminados, pontes, rodovias e diferenças de cor entre municípios vizinhos.
Foi assim que a Região Metropolitana de Porto Alegre apareceu em uma fotografia registrada por um astronauta a bordo da Estação Espacial Internacional.
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A imagem mostra a capital gaúcha e cidades próximas como uma mancha luminosa espalhada entre vias, bairros, áreas industriais e o contorno urbano da Grande Porto Alegre.
O registro foi feito em 4 de julho de 2022, quando o laboratório orbital estava a 417 quilômetros de altitude.
A imagem foi catalogada pela Nasa como ISS067-E-176701 e está disponível no Gateway to Astronaut Photography of Earth, base mantida pela agência espacial e pelo Johnson Space Center.
A fotografia foi feita às 23h21min59s no horário GMT, o que corresponde a 20h21min59s no horário de Brasília.
Segundo a ficha técnica da Nasa, a tripulação usou uma câmera Nikon D5 com lente de 400 milímetros.
Na imagem, Porto Alegre surge com vias iluminadas que ajudam a diferenciar bairros, acessos rodoviários, pontes e municípios vizinhos.
A MetSul Meteorologia identificou trechos da capital e de cidades como Canoas, Alvorada, Viamão, Cachoeirinha, Gravataí, Sapucaia do Sul, Esteio e São Leopoldo.
O interesse do registro está na mudança de escala.
Para quem vive na região, avenidas e rodovias fazem parte do deslocamento diário; vistas do espaço, essas mesmas linhas aparecem como traços luminosos que desenham a área mais populosa do Rio Grande do Sul.
Porto Alegre vista do espaço
A fotografia mostra Porto Alegre à noite, com destaque para a área urbana da capital e parte da Região Metropolitana.
Segundo a MetSul, é possível observar a cidade até a região da Vila Assunção, na zona Sul, e os limites com Canoas e Alvorada ao Norte.
Também aparecem municípios no entorno da capital, incluindo Eldorado do Sul, Viamão, Alvorada, Cachoeirinha, Gravataí, Sapucaia do Sul, Esteio e São Leopoldo.
O Correio do Povo também publicou a identificação dessas áreas com base na análise da MetSul.
Na capital, as vias iluminadas ajudam a reconhecer alguns eixos de circulação.
A MetSul citou a Avenida Ipiranga, que liga a área central em direção a Viamão, a Avenida Assis Brasil até Cachoeirinha, a bifurcação na Baltazar de Oliveira Garcia, a Protásio Alves e a Terceira Perimetral em direção à região do aeroporto.
A BR-290, conhecida como Free-way, e a BR-116 também aparecem na imagem como linhas de luz que se estendem da área de Porto Alegre em direção ao Vale do Sinos.
No eixo da BR-116, a MetSul identificou ainda a iluminação da Refinaria Alberto Pasqualini, a Refap, entre Canoas e Esteio.
Outro elemento citado pela análise é a presença das duas pontes sobre o Guaíba.
À noite, estruturas viárias e áreas urbanas tendem a se destacar pela iluminação artificial, enquanto zonas menos iluminadas aparecem como trechos escuros.

Luzes da Grande Porto Alegre
A foto também permite observar diferenças de cor na iluminação pública entre municípios da Grande Porto Alegre.
A MetSul descreveu que Porto Alegre aparece com luz mais branca, enquanto Canoas apresenta tons mais alaranjados.
Essa diferença pode ocorrer por causa dos tipos de lâmpadas usados em ruas, avenidas, áreas industriais e rodovias.
Em imagens noturnas, cidades com iluminação de LED, vapor de sódio ou sistemas mistos podem aparecer com tonalidades distintas.
No caso da fotografia da ISS, a variação ajuda a separar visualmente áreas urbanas próximas.
Mesmo sem limites políticos desenhados na imagem, as manchas de luz permitem perceber mudanças no padrão de iluminação entre a capital e municípios vizinhos.
Esse tipo de registro não funciona como mapa detalhado de rua, mas ajuda a visualizar a distribuição da urbanização.
Do espaço, os pontos de maior densidade luminosa indicam áreas mais ocupadas, grandes eixos viários, polos industriais e trechos de circulação intensa.
A Região Metropolitana de Porto Alegre concentra a maior parte da população do Rio Grande do Sul.
Em 2020, segundo estimativas citadas pela MetSul, a área reunia 4,4 milhões de habitantes, o equivalente a 38,2% da população do estado na época.
Registro da Nasa na ISS
A imagem está disponível no Gateway to Astronaut Photography of Earth, plataforma da Nasa que reúne fotografias da Terra feitas por tripulações em órbita.
A página oficial informa o identificador ISS067-E-176701, a data de 4 de julho de 2022, o horário de 23h21min59s GMT e a altitude de 225 milhas náuticas, equivalente a 417 quilômetros.
O arquivo principal oferecido pela base tem resolução de 5.568 por 3.712 pixels.
A página também informa que a câmera usada foi uma Nikon D5 e que a lente tinha distância focal de 400 milímetros.
O centro da imagem, estimado por aprendizado de máquina na própria ficha da Nasa, aparece em coordenadas próximas de 29,95 graus sul e 51,15 graus oeste.
Essas coordenadas correspondem à área da Grande Porto Alegre, o que confirma a localização geral do registro.
A Rádio Pampa também destacou, em 2022, que a foto não indicava qual astronauta da ISS havia feito o registro.
Naquele período, a estação tinha tripulantes de diferentes agências espaciais, mas não havia confirmação pública de autoria específica da imagem.
Estação Espacial Internacional como observatório
A Estação Espacial Internacional funciona como laboratório científico e também como ponto de observação da Terra.
A Nasa informa que a estação orbita o planeta a cada cerca de 90 minutos e completa 16 voltas ao redor da Terra em 24 horas.
A agência também informa que a ISS é ocupada continuamente desde novembro de 2000 e costuma abrigar uma tripulação internacional de sete pessoas, com variação durante períodos de troca de equipes.
Em sua página sobre o programa, a Nasa afirma que o caminho orbital da estação passa sobre mais de 90% da população terrestre.
Isso permite que astronautas registrem áreas urbanas, rios, desertos, florestas, tempestades, ilhas, montanhas e fenômenos atmosféricos a partir de uma posição privilegiada em órbita.
As fotos feitas por astronautas têm valor documental porque mostram paisagens sob condições variadas de luz, estação do ano, cobertura de nuvens e horário.
No caso de Porto Alegre, o registro noturno destaca principalmente a iluminação urbana e os eixos de circulação.
À noite, a paisagem muda de leitura.
O relevo, a vegetação e o Guaíba perdem parte do destaque visual, enquanto ruas, avenidas, pontes, indústrias e bairros iluminados se tornam os principais elementos reconhecíveis.

