Imagem feita da Estação Espacial Internacional mostra lavouras no sul de Manitoba sobre o antigo fundo do Lago Agassiz, combinando agricultura, gelo, sedimentos férteis e divisões geométricas vistas do espaço.
Uma fotografia feita por um astronauta a bordo da Estação Espacial Internacional registrou, em abril de 2026, uma paisagem agrícola no sul de Manitoba, no Canadá, marcada por retângulos claros e escuros sobre uma superfície quase plana.
O que aparece como um mosaico de lavouras, estradas e áreas alagadas fica sobre o antigo fundo do Lago Agassiz, um lago glacial que começou a drenar há cerca de 12 mil anos e chegou a ocupar uma área maior do que todos os Grandes Lagos reunidos.
A imagem foi publicada pelo Earth Observatory, da Nasa, em 19 de maio de 2026.
-
Bilionário diz que a habilidade mais valiosa ajudará a superar a eliminação de empregos causada pela IA, após temores de Bill Gates
-
Um holandês criou uma ‘caixa’ que faz árvores crescerem no deserto quase sem água e sem irrigação: o invento já levou mudas a dezenas de países e alcança até 90% de sobrevivência onde o plantio comum não passava de 10%
-
Armazém abandonado escondia uma coleção gigante de computadores raros, com mais de 2 mil artefatos das décadas de 1930 a 1980
-
Cientistas pedem que todos se preparem para um fenômeno sem precedentes no Ártico: o degelo está desencadeando uma transformação química alarmante em áreas preservadas, e os primeiros sinais já preocupam pesquisadores do mundo inteiro
Segundo a agência espacial, a foto mostra terras agrícolas próximas à margem sul do Lago Winnipeg, onde o antigo Lago Agassiz depositou uma camada espessa e quase plana de silte e argila ricos em nutrientes, material associado à formação de áreas agrícolas produtivas no Canadá.
O registro foi feito no fim da tarde de 19 de abril de 2026.
Naquele momento, neve e gelo cobriam parte da paisagem, o que ajudou a destacar os blocos mais claros da imagem, de acordo com a descrição técnica da Nasa.
As áreas mais brancas aparecem como campos cobertos de neve ou lagoas congeladas, enquanto trechos escuros correspondem a florestas, zonas úmidas ou solo exposto com cobertura menos uniforme.
Essa diferença de tonalidade permitiu observar, em uma mesma imagem, o traçado agrícola atual e a superfície plana associada ao antigo lago.
A cena reúne duas camadas de história observadas a partir do espaço.
De um lado, lavouras atuais organizadas em um padrão de grade criado por levantamentos de terra do século 19; de outro, a herança de um lago glacial formado no fim da última era do gelo.
Lago Agassiz sob as lavouras do Canadá
Há cerca de 15 mil anos, o sudeste de Manitoba ficava sob dezenas de metros de água fria.
O Lago Agassiz se formou diante do recuo da camada de gelo Laurentide, que bloqueava rios que poderiam escoar em direção à Baía de Hudson.
Com a drenagem impedida pelo gelo, a água se acumulou e formou um corpo de grandes dimensões, com cerca de 1.100 quilômetros de comprimento por 300 quilômetros de largura, segundo a Nasa.

Em sua extensão, o lago ocupava áreas que hoje fazem parte de Manitoba, Ontário, Saskatchewan, Dakota do Norte e Minnesota.
O Lago Agassiz também abrangia regiões onde hoje ficam o Lago Manitoba, o Lago Winnipeg e o Lake of the Woods.
Embora o antigo lago glacial não exista mais como corpo único de água, parte de sua presença permanece indicada na geografia atual da região.
A drenagem começou há aproximadamente 12 mil anos, quando as barreiras de gelo passaram a ceder e a água encontrou novas rotas de escoamento.
O antigo fundo lacustre permaneceu como uma superfície extensa, relativamente plana e coberta por sedimentos finos.
Esses sedimentos ajudam a explicar a relação entre o lago desaparecido e a agricultura atual.
Durante milhares de anos, o Lago Agassiz deixou camadas de silte e argila, materiais formados por partículas pequenas que se depositaram lentamente no fundo da água.
Com o recuo e a drenagem do lago, essa antiga lama passou a compor a base de solos férteis.
Lavouras geométricas vistas do espaço
A geometria vista na foto não foi criada pelo lago, mas pela ocupação humana da terra.
O padrão de retângulos e linhas retas vem do Dominion Land Survey, sistema de levantamento que dividiu grande parte do oeste canadense em seções de uma milha quadrada depois que o governo do Canadá comprou a Rupert’s Land da Hudson’s Bay Company, em 1869.
Esse modelo de divisão ainda influencia o desenho de lavouras, estradas, quebra-ventos e canais de drenagem.
Visto de cima, o resultado forma um padrão agrícola regular, com campos delimitados por linhas retas.
Na fotografia de abril, a neve reforçou esse padrão.
Os blocos brancos e escuros aparecem com contraste maior porque cada área reage de forma diferente ao frio, ao gelo, à cobertura vegetal e à umidade do solo.
Campos abertos e planos tendem a reter uma cobertura mais uniforme de neve.
Já áreas de mata, zonas úmidas e trechos expostos podem aparecer mais escuros, criando a alternância registrada na imagem orbital.
O efeito visual descrito pela Nasa combina três elementos principais: o fundo plano deixado pelo lago glacial, a divisão geométrica da terra feita no século 19 e a neve acumulada no fim da tarde em uma área agrícola do Canadá.
Agricultura sobre o antigo fundo do lago
A região retratada pela Nasa fica em uma antiga área de fundo de lago.
Segundo a agência, áreas desse tipo hoje sustentam algumas das paisagens agrícolas produtivas do Canadá, em razão da presença de sedimentos finos e ricos em nutrientes.
Entre as culturas frequentemente plantadas na região estão trigo, cevada, aveia e canola, de acordo com a descrição da imagem feita pelo Earth Observatory.
Esses cultivos são comuns em partes das pradarias canadenses, onde solos planos favorecem grandes áreas agrícolas.
A planície também facilita a organização das propriedades em grandes blocos regulares.
Em uma imagem feita da Estação Espacial Internacional, essa combinação de relevo plano e divisão territorial aparece de forma ampla, algo mais difícil de perceber apenas ao nível do solo.
O desenho agrícola visto na fotografia se relaciona com processos naturais e decisões humanas tomadas em períodos diferentes.
A fertilidade usada hoje pela agricultura tem origem em sedimentos depositados quando a região ainda estava sob influência da última glaciação.
A fotografia também mostra, segundo a Nasa, como paisagens agrícolas podem preservar marcas de eventos geológicos antigos.
Mesmo depois de milhares de anos, o formato do terreno e parte das características dos solos continuam associados ao desaparecimento gradual de um lago que já cobriu parte do centro da América do Norte.

Gull Lake e a paisagem atual
Na parte superior da imagem publicada pela Nasa, aparecem casas de veraneio e chalés agrupados ao redor de Gull Lake.
A área é descrita pela agência espacial como um ponto usado para passeios de barco, pesca e outros esportes aquáticos.
Segundo a Nasa, espécies como lúcio-do-norte, walleye e perca-amarela são comuns no lago.
A presença dessas áreas residenciais e recreativas indica outra forma de uso da paisagem: além das lavouras, o antigo fundo do Lago Agassiz abriga comunidades, lagos menores e atividades ligadas ao lazer.
Esse detalhe amplia a leitura territorial da foto sem alterar o foco principal da imagem.
O registro mostra uma área onde marcas de gelo, água, divisão fundiária, agricultura e recreação aparecem no mesmo enquadramento.
A Estação Espacial Internacional registrou a cena com uma câmera Nikon Z9 e lente de 560 milímetros.
Segundo a Nasa, a imagem foi recortada e aprimorada para melhorar o contraste, além de ter artefatos de lente removidos.
A fotografia faz parte do acervo de imagens da Terra feitas por astronautas e mantidas por equipes da Nasa.
O programa reúne registros orbitais usados para documentar fenômenos naturais, paisagens modificadas pela ação humana e mudanças observáveis a partir do espaço.

