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O crime mais antigo da humanidade tem 100 mil anos: um Homo sapiens levou uma facada no rosto com lâmina de pedra numa caverna de Israel, sobreviveu ao golpe e virou o registro mais antigo de violência entre pessoas

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 11/07/2026 às 19:24 Atualizado em 11/07/2026 às 19:26
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Homo sapiens de 100 mil anos foi esfaqueado no rosto em caverna de Israel e virou o registro mais antigo de violência humana; entenda o caso Qafzeh 25.
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Batizado de Qafzeh 25, o homem levou um corte no maxilar esquerdo que atingiu um dente, teve o ferimento cicatrizado e foi enterrado com ritual na mesma caverna onde repousam alguns dos primeiros Homo sapiens que saíram da África

Há cerca de 100 mil anos, um Homo sapiens levou uma facada no rosto. A arma foi uma lâmina de pedra afiada, o golpe atingiu o lado esquerdo do maxilar dele, e o mais impressionante é que ele sobreviveu para contar, ou melhor, para que a ciência contasse por ele 100 milênios depois. Esse é o mais antigo caso já documentado de violência interpessoal entre seres humanos, revela a revista Live Science, em reportagem de 8 de julho de 2026, a partir da conclusão da equipe de pesquisa.

A vítima tem até nome de catálogo. O homem é conhecido como Qafzeh 25, um Homo sapiens adulto sepultado na caverna de Qafzeh, no atual Israel, durante o Paleolítico Médio, registra a Live Science, a partir de estudo publicado em 30 de junho de 2026 na revista científica Scientific Reports.

Quem foi Qafzeh 25 e por que ele é um dos primeiros Homo sapiens fora da África

O endereço do crime é um dos mais célebres da arqueologia. A caverna de Qafzeh guarda pelo menos 27 pessoas sepultadas entre cerca de 145 mil e 92 mil anos atrás, alguns dos primeiros membros da nossa espécie encontrados fora da África, detalha a Live Science.

Esses ossos não são novidade nas prateleiras da ciência, e é aí que mora a reviravolta. Os esqueletos foram escavados entre as décadas de 1930 e 1970, e análises anteriores já haviam apontado que duas pessoas tinham lesões na cabeça por trauma contundente, segundo a Live Science. O caso de Qafzeh 25 estava ali, guardado há quase um século, esperando a tecnologia certa para ser lido.

A tecnologia que reabriu um caso de 100 mil anos

O que mudou foi a lupa. A nova análise usou microscopia e escaneamento por micro-tomografia computadorizada e revelou no maxilar inferior esquerdo de Qafzeh 25 uma marca de corte que afetou um dos pré-molares e parte do maxilar superior, explica a Live Science.

Homo sapiens de 100 mil anos foi esfaqueado no rosto em caverna de Israel e virou o registro mais antigo de violência humana; entenda o caso Qafzeh 25.
O corte na mandíbula de Qafzeh 25, visto em detalhe microscópico. Foto: Ana Pantoja et al. (Reprodução/Live Science).

E há um detalhe que transforma a vítima num sobrevivente. O osso da mandíbula mostrava sinais de cicatrização, o que sugere que o homem viveu por um tempo significativo depois de ter sido ferido, escreveu a equipe no estudo, conforme a Live Science. Em leitura desta redação, devidamente sinalizada: não foi um golpe fatal nem um acidente de caça que rachou o rosto de um cadáver. Foi uma agressão que o homem encaixou, sangrou, e da qual se recuperou, o que torna a cena muito mais humana e muito mais perturbadora.

Como os cientistas sabem que foi um ataque, e não um acidente

A parte mais engenhosa do estudo é a que aponta o dedo para outro ser humano. O corte está no lado esquerdo do rosto, e estudos forenses de populações modernas mostram que ferimentos no crânio causados por golpes aparecem com mais frequência do lado esquerdo, padrão atribuído ao predomínio de agressores destros em confrontos cara a cara, escreveu a equipe no estudo, conforme a Live Science.

Traduzindo o raciocínio, em observação desta redação, devidamente sinalizada: se você é destro e soca alguém de frente, seu golpe cai no lado esquerdo do rosto do outro. O lado do corte de Qafzeh 25 bate exatamente com o de uma briga frente a frente, e não com o de um tropeço ou um acidente durante a caça. Foram 100 mil anos, mas a geometria da violência não mudou.

Não dá para cravar a arma, reconhece a Live Science. Não está claro que tipo de ferramenta fez o corte, mas entre os objetos de pedra encontrados em Qafzeh havia raspadores de sílex e pontas afiadas que poderiam ter virado ponta de lança, registra a Live Science. Qualquer uma delas daria a facada que marcou o osso.

O que Qafzeh 25 revela sobre os primeiros Homo sapiens

O ponto alto do estudo não é o sangue, é o que o sangue diz sobre nós. Se a interpretação estiver correta, aquele corte “seria o mais antigo caso documentado de trauma por força cortante no registro arqueológico”, registra a Live Science ao citar o estudo. E ele vem acompanhado de contexto: a mesma caverna de Israel já é famosa por provar que aqueles Homo sapiens enterravam seus mortos.

Homo sapiens de 100 mil anos foi esfaqueado no rosto em caverna de Israel e virou o registro mais antigo de violência humana; entenda o caso Qafzeh 25.
Sepultamento antigo escavado: o cuidado com os mortos nasceu junto com a violência. Foto: Reprodução/YouTube Our Ancient World.

É esse pacote que impressiona os cientistas, em leitura sinalizada desta redação a partir da fala da pesquisadora. “Esses resultados fornecem novos dados ao debate sobre a origem de comportamentos complexos como a violência interpessoal, o cuidado com indivíduos feridos ou doentes e as práticas funerárias”, disse a primeira autora do estudo, Ana Pantoja Pérez, paleoantropóloga do Centro Nacional de Pesquisa sobre a Evolução Humana, da Espanha, segundo a Live Science. A frase resume o retrato: o mesmo grupo que esfaqueava também curava e enterrava. A humanidade saiu da África com o pacote completo.

A caverna de Qafzeh, um dos endereços mais importantes da evolução humana

Vale entender por que este achado saiu numa revista científica e correu o mundo, em leitura desta redação, devidamente sinalizada sobre o peso do sítio descrito pela Live Science. A caverna de Qafzeh, no norte de Israel, não é um sítio qualquer: ela guarda alguns dos primeiros Homo sapiens que deixaram a África, num período em que a nossa espécie ainda dividia o planeta com os neandertais. Cada osso de lá é uma página rara de um capítulo pouco documentado.

É por isso que reabrir o caso de Qafzeh 25 com microscópio importa tanto. A nova descoberta confirma que os primeiros grupos humanos deixaram a África já com uma cultura complexa, registra a Live Science. Traduzindo: violência planejada, cuidado com o ferido e enterro ritual não são refinamentos que a humanidade adquiriu depois, na aldeia ou na cidade. Eles vieram na bagagem, desde o começo. A facada de 100 mil anos e o túmulo ao lado dela contam a mesma história, a de uma espécie que já era, para o bem e para o mal, inteiramente humana.

Por que uma facada pré-histórica interessa ao leitor de hoje

A distância no tempo é enorme, mas a história é curiosamente familiar, em leitura desta redação, devidamente sinalizada. Qafzeh 25 é a prova de que a violência entre pessoas não é uma invenção da cidade, do dinheiro ou da modernidade: ela acompanha o Homo sapiens desde o primeiro passo para fora do continente africano. E, no mesmo osso, está a prova de que o cuidado nasceu junto, porque alguém deixou aquele Homo sapiens ferido viver e depois o sepultou com ritual naquela caverna de Israel.

Vale ainda uma ressalva honesta, em leitura sinalizada: a própria Live Science registra que a interpretação depende de “se estiver correta”. A ciência não filmou a briga; ela leu a cicatriz, mediu o ângulo do corte e comparou com padrões forenses de hoje. É uma reconstrução, robusta, mas reconstrução, e é assim que a arqueologia trabalha quando a testemunha morreu há 100 mil anos. O que ninguém contesta é o corte no osso e a facada que ele registra: essa marca está lá, no maxilar, visível ao microscópio.

Para o leitor brasileiro, acostumado ao debate diário sobre violência, há um espelho incômodo e fascinante nesse maxilar de 100 mil anos vindo de Israel, em leitura sinalizada. A mesma espécie que hoje discute segurança pública já resolvia desavença no soco, ou na facada, quando ainda dividia o mundo com os neandertais. Conta pra gente nos comentários: te surpreende saber que a agressão entre humanos é tão antiga quanto a nossa própria espécie?

Assista: quando os humanos começaram a enterrar seus mortos

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Vídeo do YouTube

O contexto funerário de Qafzeh aparece em vídeo. Em janeiro de 2025, o canal Our Ancient World publicou “When Did Humans Start Burying Their Dead?”, que aponta justamente a caverna de Qafzeh, em Israel, como o sepultamento intencional mais antigo já conhecido, de cerca de 100 mil anos, o mesmo sítio tratado pela Live Science.

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Bruno Teles

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