Uma iniciativa surgida em um polo industrial indiano combina resíduos de fábricas, construção sem cimento e montagem rápida para criar moradias com proposta de menor impacto ambiental e melhor desempenho em regiões de calor intenso.
Uma startup instalada em Ankleshwar, polo industrial do estado de Gujarat, no oeste da Índia, está usando resíduos de fábricas para produzir blocos e componentes destinados à construção de casas pré-fabricadas.
Fundada pelo casal Vedant e Aditi, a Co2ncrete afirma que seu sistema dispensa o cimento convencional e permite concluir determinadas moradias em cerca de 30 dias.
Entre as matérias-primas reaproveitadas estão cinzas volantes, lodo de cal, lodo de sílica e resíduos da construção civil.
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Esses materiais, que poderiam ser enviados para áreas de descarte, passam a integrar blocos sólidos, peças vazadas e outros elementos usados na montagem das edificações.
A empresa também atribui aos componentes características de isolamento térmico capazes de manter os ambientes internos mais frescos durante os períodos de calor intenso em Gujarat.
Segundo informações divulgadas pela própria startup e reproduzidas pela imprensa indiana, a tecnologia já teria contribuído para a construção de mais de 450 moradias no estado.
Ideia surgiu em um dos maiores polos industriais de Gujarat
Vedant e Aditi cresceram na região de Ankleshwar, conhecida pela concentração de indústrias químicas e de outras atividades produtivas.
A presença de resíduos fabris no cotidiano levou o casal a pesquisar maneiras de transformar parte desse material descartado em insumo para a construção.
O projeto resultou na criação da Co2ncrete, empresa voltada ao desenvolvimento de materiais de construção sem cimento.
Em vez de depender apenas da extração de novas matérias-primas, a produção incorpora subprodutos industriais que ainda apresentam propriedades aproveitáveis.
A cinza volante, por exemplo, é um resíduo fino associado principalmente à queima de carvão.
Já os lodos de cal e de sílica podem surgir em diferentes processos industriais.
A composição e o tratamento necessários variam conforme a origem do material, razão pela qual o controle de qualidade é uma etapa relevante antes do uso na construção.
No site institucional, a Co2ncrete informa que fabrica blocos com resistência à compressão entre 5 e 13 megapascais, densidade de 800 a 1.700 quilos por metro cúbico e absorção de água inferior a 10% ou 12%, dependendo da peça.
A companhia diz ainda que os produtos passam por verificações laboratoriais e cita certificados e resultados técnicos, embora a documentação completa não estivesse detalhada nas reportagens consultadas.

Como os blocos são produzidos sem cimento
O diferencial apresentado pela empresa está na substituição do cimento usado em blocos convencionais por uma combinação de resíduos industriais e processos de cura.
A startup afirma que o dióxido de carbono participa dessa etapa e fica retido no material durante a formação das peças.
A técnica é associada à carbonatação, reação na qual o CO₂ entra em contato com compostos minerais e pode ser convertido em carbonatos estáveis.
No caso da Co2ncrete, a empresa declara que esse mecanismo ajuda a consolidar os blocos e a armazenar carbono em sua estrutura.
Não foram encontradas, nas fontes consultadas, análises independentes de ciclo de vida que confirmem o balanço total de emissões, incluindo transporte, preparação dos resíduos, fabricação e montagem.
A ausência de cimento não significa que todos os tipos de construção possam adotar as peças da mesma maneira.
O catálogo da empresa diferencia blocos destinados a paredes sem função estrutural de modelos sólidos apresentados para aplicações que suportam cargas.
Cada projeto ainda precisa considerar cálculos de engenharia, fundações, normas locais e as condições do terreno.
Pré-fabricação reduz o trabalho realizado no canteiro
Além da composição dos blocos, a rapidez anunciada depende do modelo de construção pré-fabricada.
Nesse sistema, parte das peças é produzida antes de chegar ao endereço da obra.
Os componentes são transportados prontos ou parcialmente preparados e depois montados no local.
Esse método reduz etapas que normalmente seriam executadas diretamente no canteiro, como a preparação contínua de misturas, a moldagem de determinadas estruturas e alguns períodos de espera entre os serviços.
A previsibilidade também pode facilitar o controle da quantidade de material utilizado.
A Co2ncrete afirma que consegue entregar casas em aproximadamente 30 dias.
Outra reportagem publicada em julho de 2026 menciona um intervalo de 15 a 30 dias, com base em informações apresentadas pelo criador de conteúdo Anuj Mohanty.
O prazo não deve ser interpretado como uma regra para qualquer imóvel, pois área construída, projeto, fundação, acabamento e infraestrutura interferem no cronograma.
As reportagens não detalham se os 30 dias incluem licenciamento, preparação do terreno, instalações elétricas, rede hidráulica e todos os acabamentos.
Por isso, a comparação direta com uma obra convencional exige projetos equivalentes e critérios iguais de medição.
Desempenho térmico é uma das principais alegações
O calor de Gujarat aparece como outro ponto central da iniciativa.
A empresa e publicações indianas afirmam que as paredes feitas com seus blocos ajudam a conservar os interiores em temperaturas mais baixas, o que poderia reduzir a necessidade de ventiladores ou equipamentos de refrigeração.
O site da fabricante informa uma faixa de condutividade térmica de 0,90 a 1,05.
O conforto dentro de uma casa também depende do telhado, da ventilação, da orientação solar, das janelas, do revestimento e da localização do imóvel, não apenas do tipo de bloco.

Resíduos industriais ganham uma nova aplicação
A proposta insere materiais descartados em uma cadeia de reaproveitamento.
A Co2ncrete declara processar entre 500 e 600 quilos de resíduos industriais por dia e informa ter concluído projetos residenciais, governamentais e ligados à área de saúde.
Na prática, a solução procura conectar duas atividades: fábricas que precisam destinar seus resíduos e o setor da construção, que demanda grandes volumes de matéria-prima.
Para que esse fluxo funcione de forma contínua, a composição dos resíduos deve ser monitorada, já que materiais provenientes de processos diferentes podem apresentar variações ou contaminantes.
A tecnologia ganhou repercussão na imprensa e nas redes sociais entre maio e julho de 2026.
Parte da atenção veio da combinação entre construção rápida, reaproveitamento de resíduos e redução do uso de cimento, três aspectos relevantes em regiões que enfrentam expansão urbana, calor intenso e concentração industrial.
A possibilidade de ampliar esse modelo dependerá da capacidade produtiva, da regularidade no fornecimento das matérias-primas, das certificações técnicas e da adaptação às normas de cada região.

