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Detector de metais levou garimpeiro a uma rocha que resistiu a serra, ácido, furadeira e marreta; anos depois, cientistas cortaram o bloco com diamante e descobriram um meteorito de 17 kg vindo do início do Sistema Solar

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Escrito por Carla Teles Publicado em 10/07/2026 às 17:00 Atualizado em 10/07/2026 às 17:02
Detector de metais levou garimpeiro a uma rocha que resistiu a serra, ácido, furadeira e marreta; anos depois, cientistas cortaram o bloco com diamante e descobriram um meteorito de 17 kg (4)
Meteorito achado com detector de metais teve rocha levada ao Museu de Melbourne e revelou material antigo do Sistema Solar.
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O meteorito de Maryborough foi encontrado por David Hole em maio de 2015, no Parque Regional de Maryborough, em Victoria, na Austrália, após sinal de detector de metais. Identificado em 2018 no Museu de Melbourne, o bloco revelou 17 kg de material antigo do Sistema Solar primitivo, mais raro que ouro.

O meteorito foi encontrado em maio de 2015 por David Hole, morador de Maryborough, no estado de Victoria, na Austrália, enquanto ele usava um detector de metais no Parque Regional de Maryborough. A rocha pesada e avermelhada foi retirada de uma área ligada à antiga corrida do ouro australiana, o que levou o garimpeiro a imaginar que havia encontrado uma pepita escondida.

As informações foram publicadas pelo Daily Galaxy em 9 de julho de 2026. Segundo a publicação, a rocha só foi identificada corretamente em 2018, quando David Hole levou o bloco ao Museu de Melbourne e geólogos confirmaram que não se tratava de ouro, mas de um meteorito de 17 kg formado no início do Sistema Solar.

Detector de metais indicou algo estranho no solo

Meteorito achado com detector de metais teve rocha levada ao Museu de Melbourne e revelou material antigo do Sistema Solar.
Côndrulo radial de piroxênio formado no meteorito Maryborough. Imagem: Birch et al., PRSV, 2019

David Hole estava no Parque Regional de Maryborough, a cerca de dois quilômetros da cidade, quando o detector de metais captou um sinal forte no solo argiloso da região. Ao cavar, ele encontrou uma rocha densa, avermelhada e marcada por pequenas cavidades na superfície, bem diferente das pedras comuns que costumava ver.

O local ajudou a alimentar a suspeita de que havia ouro dentro do bloco. Maryborough fica em uma região famosa pela corrida do ouro do século XIX, onde milhares de pepitas foram retiradas do solo. Para um garimpeiro com detector de metais, aquele sinal forte parecia o começo de uma descoberta valiosa.

Rocha resistiu a serra, ácido, furadeira e marreta

Convencido de que poderia haver uma pepita escondida dentro da rocha, Hole levou o material para casa e tentou abrir o bloco de várias formas. Ele usou serra de rocha, esmerilhadeira, furadeira e até ácido, mas nada conseguiu revelar o que havia no interior.

A tentativa mais impressionante veio quando ele golpeou a rocha com uma marreta. Mesmo assim, o bloco não se partiu. A resistência incomum era uma pista importante: aquilo não se comportava como uma pedra terrestre comum, nem como o tipo de material que o garimpeiro esperava encontrar na região.

Museu de Melbourne resolveu o mistério

Meteorito achado com detector de metais teve rocha levada ao Museu de Melbourne e revelou material antigo do Sistema Solar.
O meteorito de Maryborough. Imagem: Museums Victoria

Ainda curioso, David Hole levou a rocha ao Museu de Melbourne em 2018. Para os geólogos, esse tipo de visita não era novidade, já que muitas pessoas aparecem com pedras que acreditam ser meteoritos, mas que geralmente acabam sendo apenas rochas terrestres com aparência diferente.

Desta vez, porém, o caso fugiu do padrão. O geólogo Dermot Henry, que passou décadas analisando amostras levadas ao museu, percebeu que a rocha tinha características incomuns. Depois de anos resistindo a ferramentas domésticas, o bloco finalmente passou a ser investigado como um possível meteorito verdadeiro.

Superfície cheia de cavidades chamou atenção

A textura externa foi uma das primeiras pistas observadas pelos especialistas. A rocha apresentava pequenas cavidades arredondadas, conhecidas como regmagliptos, marcas que podem se formar quando um objeto atravessa a atmosfera terrestre e sua camada externa sofre aquecimento intenso.

Essas marcas ajudaram a diferenciar o bloco de uma rocha comum. Ao entrar na atmosfera, um fragmento espacial pode ter sua superfície parcialmente derretida e esculpida pelo ar em alta velocidade. O resultado é uma aparência irregular, quase moldada, que pode denunciar a origem extraterrestre do material.

Peso de 17 kg reforçou a suspeita

Meteorito achado com detector de metais teve rocha levada ao Museu de Melbourne e revelou material antigo do Sistema Solar.
O meteorito Maryborough, com uma placa extraída da massa. Imagem: Museums Victoria

Os geólogos pesaram e mediram a amostra. O bloco tinha 17 kg e dimensões aproximadas de 38,5 por 14,5 por 14,5 centímetros. Para uma rocha daquele tamanho, o peso chamou atenção, indicando uma densidade maior do que a esperada em muitas pedras terrestres.

Essa densidade incomum reforçou a hipótese de que o material continha metais em quantidade relevante. O meteorito também explicava por que o detector de metais de David Hole havia reagido com tanta força anos antes. O sinal que parecia apontar para ouro vinha, na verdade, de um fragmento espacial rico em ferro.

Corte com diamante revelou o interior

Para abrir o bloco, os especialistas utilizaram uma serra diamantada, ferramenta capaz de cortar a rocha densa que havia resistido às tentativas anteriores. O corte revelou pequenas estruturas minerais arredondadas chamadas côndrulos, que são fundamentais para entender a origem do material.

Os côndrulos se formaram no Sistema Solar primitivo, quando poeira e minerais passaram por aquecimento e resfriamento rápidos em condições muito diferentes das encontradas na Terra. A presença dessas estruturas confirmou que a amostra era um condrito, um tipo de meteorito que preserva material antigo da formação planetária.

Meteorito veio do início do Sistema Solar

A análise classificou o meteorito de Maryborough como um condrito ordinário H5. A letra “H” indica alto teor total de ferro, enquanto o número “5” aponta que a rocha passou por metamorfismo térmico significativo quando ainda fazia parte de um corpo maior no espaço.

Segundo a publicação, o meteorito se formou há cerca de 4,6 bilhões de anos, antes mesmo de a Terra concluir sua formação. A origem provável está no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter, onde colisões podem lançar fragmentos em trajetórias capazes de cruzar o caminho do nosso planeta.

Queda pode ter ocorrido séculos antes da descoberta

Para estimar quando o meteorito chegou à Terra, pesquisadores recorreram a análises de carbono-14 e isótopos cosmogênicos. Os resultados indicaram que o fragmento pode ter caído em algum momento entre 100 e 1.000 anos atrás.

Registros históricos da região de Maryborough mencionam avistamentos de meteoros entre 1889 e 1951. Ainda não há confirmação de que algum desses relatos esteja ligado ao meteorito encontrado por David Hole. A possibilidade existe, mas os cientistas não cravaram uma conexão direta entre a rocha e um evento específico observado no céu.

Achado é mais raro que ouro em Victoria

Meteorito achado com detector de metais teve rocha levada ao Museu de Melbourne e revelou material antigo do Sistema Solar.
ma placa extraída do meteorito Maryborough. Imagem: Birch et al., PRSV, 2019

O meteorito de Maryborough é apenas o 17º meteorito registrado no estado australiano de Victoria. Esse número chama atenção porque a região onde ele foi encontrado é famosa justamente pelas pepitas de ouro retiradas desde o século XIX.

A comparação mostra por que o achado tem valor científico especial. Enquanto o ouro foi encontrado em grande quantidade nos campos auríferos de Victoria, meteoritos confirmados são extremamente raros. O garimpeiro procurava uma pepita, mas acabou encontrando algo muito mais incomum para a ciência.

Fragmento entrou para coleção científica

Depois da identificação, o meteorito passou a integrar a coleção mantida pelo Museums Victoria. A peça se juntou a outros espécimes estudados pela instituição e também foi colocada em exposição pública no Museu de Melbourne.

Para os cientistas, meteoritos funcionam como registros naturais da história do Sistema Solar. Eles carregam pistas sobre idade, composição química e processos que ocorreram antes da formação completa dos planetas. Cada fragmento desse tipo é uma amostra direta de um passado que a Terra já não preserva com facilidade.

Rocha indestrutível virou janela para o espaço

A história chama atenção porque começou como uma busca por ouro e terminou com a identificação de um meteorito mais antigo que a própria Terra. O bloco que resistiu a serra, ácido, furadeira e marreta só revelou sua origem quando passou por análise científica e foi cortado com ferramenta de diamante.

O caso também mostra como uma descoberta aparentemente comum pode mudar de significado quando chega às mãos certas. Você teria insistido tentando quebrar a rocha em casa ou levaria o achado direto a um museu? Comente o que você faria se um detector de metais apontasse para algo assim no solo.

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Carla Teles

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