Reino Unido avança no desmonte de 27 submarinos nucleares aposentados, usa o HMS Swiftsure como modelo e prevê reciclagem de cerca de 90% dos materiais.
O Reino Unido entrou de vez em uma fase delicada e estratégica da sua história naval: o desmantelamento de 27 submarinos nucleares aposentados. Segundo o Ministério da Defesa britânico, o Submarine Dismantling Project, o SDP, foi aprovado para entregar uma solução de desmontagem e destinação final para essa frota desativada, criando uma operação industrial que combina engenharia pesada, gestão de resíduos radioativos, reciclagem de aço militar e segurança nuclear.
O caso mais importante neste momento é o do HMS Swiftsure, tratado pelo governo britânico como a embarcação que vai provar, na prática, como o país pretende desmontar o restante da frota. Segundo o Submarine Delivery Agency, o desmonte do Swiftsure continua em Rosyth e segue no caminho para ser concluído até o fim de 2026, quando ele deverá se tornar o primeiro submarino nuclear britânico totalmente desmontado dentro desse modelo.
Reino Unido acumulou submarinos nucleares aposentados por décadas antes de iniciar a desmontagem em escala
Segundo o Ministério da Defesa britânico, o problema se acumulou ao longo dos anos. Enquanto aguardavam uma solução definitiva de desmontagem, os submarinos retirados de serviço ficaram armazenados em bases especializadas. Hoje, o governo informa que 22 submarinos já fora de serviço seguem armazenados com segurança, sendo sete em Rosyth, na Escócia, e 15 em Devonport, em Plymouth.
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Esse passivo mostra por que o tema deixou de ser apenas técnico e passou a ser estratégico. Submarinos nucleares não podem simplesmente ser cortados como navios comuns. Cada unidade exige preparação, inspeção, manutenção de segurança e um processo de desmontagem muito mais lento, caro e regulado.
O resultado foi a formação de uma fila de embarcações desativadas aguardando destino final, algo que pressionou docas, infraestrutura, orçamento e planejamento de longo prazo da defesa britânica. O SDP surgiu justamente para transformar esse passivo acumulado em um processo industrial contínuo.
Desmontar submarino nuclear exige remover combustível, reator e resíduos radioativos antes de cortar o casco
Segundo o Ministério da Defesa, a desmontagem de um submarino nuclear segue uma lógica em etapas. O ponto central é que a maior dificuldade não está no casco metálico, mas na presença de combustível removido anteriormente, radioatividade residual em partes do sistema de propulsão e componentes classificados associados ao reator.

O governo britânico explica que partes do sistema de propulsão nuclear permanecem radioativas mesmo depois da retirada do combustível, o que exige uma gestão específica.
O processo adotado pelo Reino Unido segue uma abordagem em três fases, começando pela retirada dos materiais menos radioativos, depois pela remoção do Reactor Pressure Vessel, classificado como resíduo radioativo de nível intermediário, e só depois chegando à etapa final de reciclagem do restante da embarcação.
Isso ajuda a entender por que o programa é tão complexo. Antes de pensar em reaproveitar aço ou desmontar grandes seções do casco, o governo precisa garantir que o submarino esteja completamente liberado de radioatividade e materiais associados à sua vida operacional nuclear.
Cerca de 90% do submarino pode ser reutilizado ou reciclado após a retirada da parte nuclear
Apesar da imagem pública associar submarinos nucleares a risco radioativo em toda a estrutura, o governo britânico afirma que isso não corresponde à realidade da maior parte da embarcação.
Segundo o Ministério da Defesa, depois da remoção dos resíduos radioativos, cerca de 90% dos materiais restantes, principalmente aço e outros metais, podem ser reaproveitados ou reciclados por vias convencionais.
Segundo o Ministry of Defence e a Submarine Delivery Agency, no projeto oficial de desmonte de submarinos nucleares do Reino Unido, a agência busca reutilizar componentes que possam ser reaproveitados com segurança na frota operacional, enquanto o restante dos metais e materiais não perigosos segue para reciclagem sempre que possível.
O governo britânico afirma ainda que, depois da remoção dos resíduos radioativos, cerca de 90% dos materiais restantes, principalmente aço e outros metais, podem ser reaproveitados ou reciclados. Já a Forces News informou, em 4 de junho de 2025, que parte do aço de alta qualidade recuperado do HMS Swiftsure deverá ser transformada em componentes para futuros submarinos da Royal Navy.
HMS Swiftsure virou o submarino laboratório que vai definir a desmontagem da frota inteira
Segundo o Ministério da Defesa, o HMS Swiftsure foi escolhido como projeto demonstrador do novo modelo britânico de desmontagem. Ele entrou em dique em 27 de julho de 2023, em Rosyth, para passar pela fase final de desmantelamento e reciclagem, funcionando como teste real para os métodos que depois serão aplicados ao restante da frota.

Já o Submarine Delivery Agency afirma que o Swiftsure continua sendo desmontado no estaleiro da Babcock International e que o programa permanece alinhado para conclusão até o fim de 2026.
Quando isso acontecer, ele se tornará a primeira prova completa de que o Reino Unido conseguiu transformar um submarino nuclear aposentado em um processo replicável de reciclagem e descarte.
O governo britânico vê esse caso como fundamental porque o aprendizado do Swiftsure servirá para “industrializar” o desmantelamento dos demais submarinos, especialmente os modelos com reator PWR1 atualmente armazenados. Em outras palavras, o Swiftsure não é apenas o primeiro. Ele é o protótipo operacional da política britânica de desmonte naval nuclear.
Nova indústria britânica de desmonte naval nuclear começa a surgir em Rosyth e Devonport
O programa britânico não depende apenas da Marinha. Segundo o Submarine Delivery Agency, a missão da agência inclui gerir todo o ciclo de vida dos submarinos, da construção à manutenção e à disposição final. Isso significa que o desmantelamento passou a exigir uma cadeia própria de fornecedores, estaleiros, especialistas em resíduos radioativos, corte de grandes estruturas, logística e reciclagem.
Rosyth e Devonport se tornaram polos centrais dessa transição. Em vez de servirem apenas como locais de armazenamento, essas bases passam a integrar uma estrutura permanente de desmontagem, remoção de materiais nucleares e reaproveitamento industrial.
O Reino Unido está, na prática, montando uma indústria especializada em desmontar submarinos nucleares aposentados.
Essa transformação também tem valor estratégico. Cada submarino retirado da água e processado com segurança reduz pressão sobre infraestrutura de armazenamento, libera espaço e cria um modelo que pode influenciar outros programas semelhantes no futuro.
Depois de décadas no fundo do mar, o destino final dos submarinos britânicos passou a ser a reciclagem em docas secas
Poucos equipamentos militares são tão complexos quanto um submarino nuclear. Eles foram projetados para resistir a pressão extrema, operar em silêncio por longos períodos e cumprir missões estratégicas sob o mar. Não foram concebidos para uma desmontagem rápida. Por isso, o avanço do programa britânico tem peso industrial e histórico.
O Reino Unido agora tenta transformar esse problema acumulado em um novo padrão de gestão: retirar os componentes radioativos com segurança, desmontar o casco de forma controlada e devolver grande parte dos materiais à indústria. O caso do HMS Swiftsure será o teste decisivo dessa estratégia.
Depois de décadas patrulhando oceanos e servindo em uma das marinhas mais estratégicas do Ocidente, esses submarinos estão entrando em uma nova fase. O silêncio do fundo do mar está dando lugar ao barulho de guindastes, corte industrial e reciclagem pesada dentro das docas secas britânicas. uma nova vida.


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