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Chicago transforma pedreira colossal em “banheira subterrânea” de quase 13 bilhões de litros, vê o reservatório lotar seis vezes só em 2026 e escava o buraco até perto de 38 bilhões de litros para criar um dos maiores cofres de água e esgoto dos EUA

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Escrito por Ana Alice Publicado em 11/07/2026 às 21:12 Atualizado em 11/07/2026 às 21:14
Assista o vídeoChicago transforma uma pedreira em reservatório subterrâneo de 13 bilhões de litros e prepara expansão para quase 38 bilhões. (Imagem: Ilustrativa)
Chicago transforma uma pedreira em reservatório subterrâneo de 13 bilhões de litros e prepara expansão para quase 38 bilhões. (Imagem: Ilustrativa)
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Uma antiga pedreira nos arredores de Chicago foi incorporada a um sistema subterrâneo que armazena volumes gigantescos de água, combina mineração e saneamento e ainda depende do mercado de pedras para concluir sua expansão.

Uma área de extração de rochas nos arredores de Chicago foi convertida em uma das maiores estruturas de armazenamento temporário de águas pluviais e esgoto dos Estados Unidos.

O Reservatório McCook, instalado em Bedford Park, alcançou sua capacidade máxima em 3 de julho pela sexta vez apenas em 2026, segundo o Metropolitan Water Reclamation District of Greater Chicago, órgão responsável pelo sistema.

A primeira etapa da estrutura comporta 3,5 bilhões de galões americanos, equivalentes a aproximadamente 13,25 bilhões de litros.

Na manhã de segunda-feira (06), o reservatório ainda guardava 3,4 bilhões de galões, cerca de 12,87 bilhões de litros, e permanecia com 98% de sua capacidade ocupada.

Trata-se de uma enorme cavidade escavada em rocha, conectada a túneis construídos a centenas de metros abaixo da região metropolitana.

O conjunto recebe o nome de Tunnel and Reservoir Plan, ou TARP, também conhecido como Deep Tunnel.

Como a pedreira de McCook virou um reservatório bilionário

A transformação de McCook combina mineração, engenharia sanitária e infraestrutura urbana.

Em vez de construir um reservatório convencional do zero, o projeto aproveita o espaço aberto pela retirada de calcário e adapta a cavidade para receber grandes volumes de água durante períodos de sobrecarga da rede de esgoto.

A primeira fase entrou em operação no fim de 2017.

Já a segunda continua sendo escavada pela Vulcan Materials Company, empresa que retira, tritura e comercializa as pedras extraídas da pedreira.

O ritmo da obra, portanto, também está ligado à procura do setor de construção civil por esse material.

Quando a ampliação estiver pronta, McCook ganhará mais 6,5 bilhões de galões de capacidade.

Somadas, as duas etapas poderão armazenar 10 bilhões de galões, ou aproximadamente 37,85 bilhões de litros, volume próximo dos 38 bilhões mencionados no título.

O MWRD afirma que, nessa configuração, a estrutura será o maior reservatório do tipo operado pelo órgão.

A escala do projeto aparece também na quantidade de rocha retirada.

Segundo uma ficha técnica do distrito metropolitano, a escavação necessária para concluir McCook produzirá material suficiente para preencher o edifício Willis Tower, um dos maiores arranha-céus de Chicago, cerca de 31 vezes.

O mesmo documento estima que mais de 11 estádios do tamanho do Soldier Field caberiam no espaço final do reservatório.

As comparações servem para representar uma cavidade cuja dimensão é difícil de perceber apenas pelos números de capacidade.

Reservatório McCook - Imagem: Reprodução/MWRD
Reservatório McCook – Imagem: Reprodução/MWRD

Túneis subterrâneos levam água e esgoto até McCook

McCook recebe fluxos de dois grandes conjuntos subterrâneos: o Mainstream Tunnel System e o Des Plaines Tunnel System.

Juntos, eles percorrem dezenas de quilômetros sob Chicago e municípios vizinhos, transportando água das chuvas e esgoto combinado até o reservatório.

Os túneis do sistema TARP ficam entre aproximadamente 45 e 91 metros abaixo do solo, conforme o trecho.

Seus diâmetros variam de cerca de 2,4 a 10 metros, o que permite movimentar grandes volumes quando as tubulações convencionais começam a se aproximar do limite.

Essa operação é necessária porque boa parte de Chicago utiliza uma rede combinada.

Na mesma tubulação circulam o esgoto produzido por casas e estabelecimentos e a água que escorre de ruas, telhados e calçadas durante as chuvas.

Em condições normais, o conteúdo segue para estações de tratamento.

Quando o volume cresce rapidamente, porém, túneis e reservatórios funcionam como áreas de espera.

O material fica armazenado até que possa ser bombeado de forma gradual para as unidades de recuperação de água.

Por isso, McCook não guarda água destinada ao consumo humano.

O reservatório recebe uma mistura de esgoto e água pluvial que, sem espaço temporário, poderia retornar para porões, atingir vias públicas ou ser descarregada em rios e canais da região.

Depois que a rede recupera capacidade, o MWRD começa a esvaziar a estrutura.

A água armazenada é encaminhada às estações de tratamento, liberando novamente o reservatório e os túneis para o próximo período de maior entrada.

Reservatório de Chicago lotou seis vezes em 2026

O número de vezes em que McCook alcançou o limite em 2026 chama atenção quando comparado aos anos anteriores.

Conforme o MWRD, o sistema havia lotado cinco vezes no total entre 2021 e 2025.

Somente nos primeiros meses de 2026, foram seis ocorrências.

A sexta lotação aconteceu durante a sequência de chuvas registrada entre 2 e 4 de julho.

O Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos informou que quatro rodadas de tempestades atingiram áreas semelhantes, deixando o solo progressivamente mais saturado.

Em Aurora, um dos pontos mais afetados a oeste de Chicago, o aeroporto registrou 8,22 polegadas de precipitação no período, equivalentes a aproximadamente 209 milímetros.

O volume acumulado contribuiu para elevar rapidamente a entrada de água nos sistemas de drenagem e tratamento.

A região metropolitana também utiliza outros reservatórios ligados ao Deep Tunnel.

Durante o mesmo episódio, o Reservatório Thornton chegou a 94% de ocupação e armazenou 7,3 bilhões de galões.

Foi o maior nível registrado desde que a instalação entrou em funcionamento, em 2015.

Considerando reservatórios e túneis, o MWRD informou que o conjunto chegou a guardar mais de 13 bilhões de galões, aproximadamente 49,2 bilhões de litros, provenientes das sucessivas ondas de chuva.

Esse total não corresponde apenas a McCook, mas a diferentes partes da infraestrutura regional.

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Ampliação do reservatório depende do mercado de pedras

A expansão de McCook tinha como cronograma original a conclusão da mineração até dezembro de 2028 e o início da operação da segunda etapa até o fim de 2029.

O prazo, contudo, foi revisto pelo distrito metropolitano.

A previsão atual indica que a nova parte deverá entrar em serviço em 31 de dezembro de 2032.

De acordo com o MWRD, a demanda mais baixa por pedras no mercado de construção de Chicago reduziu o ritmo de retirada do material da pedreira, prolongando a escavação.

Essa relação torna o projeto diferente de uma obra executada somente com máquinas contratadas para abrir um buraco.

A Vulcan Materials extrai o calcário, processa a rocha e vende o produto.

Enquanto a mineração avança, o espaço que formará o novo reservatório aumenta.

Mesmo com a mudança de prazo, a primeira etapa permanece em funcionamento.

Desde que começou a operar, ela já recebeu aproximadamente 130 bilhões de galões de águas pluviais e residuais, segundo o MWRD, volume equivalente a cerca de 492 bilhões de litros.

A proposta do sistema não é impedir isoladamente todos os alagamentos.

Sua função é oferecer capacidade adicional quando redes locais, interceptores e estações de tratamento recebem mais água do que conseguem processar naquele momento.

Caso túneis e reservatórios também fiquem cheios, ainda podem ocorrer extravasamentos.

Com a futura capacidade próxima de 38 bilhões de litros, McCook deverá ampliar o intervalo disponível para armazenar esse fluxo antes do tratamento.

Até a segunda etapa entrar em operação, a região continuará dependendo da cavidade atual, que já atingiu seu limite mais vezes em 2026 do que nos cinco anos anteriores somados.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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