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Vendeu a própria casa, começou com 18 contos de réis e quatro funcionários, em 97 anos, transformou a Tilibra na líder da papelaria, que chegou a deter 25% do mercado e lançou até app para digitalizar anotações

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 02/01/2026 às 21:23
Assista o vídeoTilibra lidera a papelaria com caderno licenciado e inovação no aplicativo Tilibra Connect, unindo tradição e tecnologia no Brasil.
Tilibra lidera a papelaria com caderno licenciado e inovação no aplicativo Tilibra Connect, unindo tradição e tecnologia no Brasil.
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Fundada em Bauru em 1928 por João Batista Martins Coub, a Tilibra saiu de uma tipografia com quatro funcionários, virou referência em cadernos, licenciou personagens e artistas, superou crises familiares, foi vendida em 2004 e, hoje, sob a Aquobrands, lidera a papelaria com presença digital e app para digitalizar anotações.

Em julho de 1918, o jovem João Batista Martins Coub saiu do Rio de Janeiro e foi para Bauru para trabalhar na Tipografia Comercial. Dez anos depois, em 1928, ele vendeu a própria casa, investiu 18 contos de réis e abriu a Tipografia Brasil, embrião do que viraria a Tilibra.

A virada mais impressionante é o tamanho do salto no tempo. Em 97 anos, a Tilibra deixou de ser uma gráfica regional para liderar a papelaria brasileira, chegou a deter cerca de 25% do mercado e, em 2023, lançou um aplicativo para digitalizar anotações, mostrando que o caderno também pode virar arquivo e estudo no celular.

1918 a 1928: do balcão da tipografia ao risco de vender a casa

A trajetória começa com um dado que explica o perfil do fundador. João Batista Martins Coub nasceu em 2 de fevereiro de 1900, teve acesso limitado à educação formal e fez apenas dois anos do curso primário.

Ainda assim, buscou estudar por conta própria e, já em São Paulo, recorreu a professores particulares para matemática e português.

Em julho de 1918, ele chegou a Bauru para trabalhar em uma gráfica e avançou até o cargo de gerente. Em 1928, com experiência acumulada e visão de oportunidade, tomou a decisão que viraria a história: vendeu a própria casa e fundou a Tipografia Brasil com 18 contos de réis e apenas quatro funcionários. É aqui que a Tilibra começa, antes mesmo de ter esse nome.

Expansão antes do nome: cadernos, livraria e a virada para sociedade anônima

O crescimento foi rápido o suficiente para o primeiro endereço ficar pequeno. A empresa ampliou o portfólio e passou a vender não só cadernos escolares, mas também brinquedos, tintas e artigos para escritório e engenharia. O negócio já não era apenas “imprimir”, era atender uma cadeia completa de consumo.

Nos anos 40, a evolução virou mudança de estrutura. Em 1944, em plena Segunda Guerra Mundial, a empresa passou a se chamar Tipografias e Livrarias Brasil e se tornou a primeira sociedade anônima de Bauru.

Em 1949, a companhia inaugurou uma nova sede em um prédio de quatro andares, com loja no térreo e a gráfica nos andares superiores. A Tilibra ainda não existia como marca, mas a escala já estava sendo construída.

1953 e 1962: números que mostram quando a Tilibra virou potência industrial

Em 1953, 25 anos após a fundação, a empresa já operava com equipamentos modernos para a época e apresentava uma estrutura que chama atenção pelos números:

  • 362 funcionários
  • nove filiais no estado de São Paulo
  • representantes comerciais em 11 estados brasileiros

Essa expansão pressionou a infraestrutura. Em 1962, o prédio comercial ficou pequeno e a gráfica foi transferida para uma área maior na Rua Aimorés, na Vila Cardia, em Bauru.

Esse parque industrial com tecnologia de ponta ampliou a capacidade produtiva, acompanhando a demanda nacional por cadernos escolares.

Como nasceu o nome Tilibra e por que o público teve papel nisso

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O nome Tilibra não surgiu de uma campanha publicitária pronta. Ele nasceu do uso prático: como a razão social “Tipografias e Livrarias Brasil” aparecia em documentos, recibos e pedidos, muita gente começou a abreviar usando as iniciais.

Nos anos 70, a diretoria percebeu que o público já se referia à empresa dessa forma e oficializou a junção das primeiras sílabas, consolidando a marca Tilibra.

Essa origem explica um ponto decisivo: a Tilibra não virou marca apenas por decisão interna, ela virou marca porque o consumidor já a chamava assim.

1970 a 1981: sucessão, perdas e o desafio de manter a Tilibra de pé

O fundador faleceu em março de 1970, após mais de quatro décadas dedicadas ao crescimento da empresa. A partir dali, os quatro filhos assumiram funções na diretoria, com o primogênito Henrique na presidência.

Mas poucas histórias empresariais têm uma sucessão tão dura. Em um intervalo de 15 meses, a partir de setembro de 1981, três dos quatro filhos do fundador morreram.

Ruben assumiu a presidência ao lado da terceira geração, em um período marcado por instabilidade e conflitos internos.

Para reduzir impasses e preservar unidade, a companhia adotou um sistema de rodízio anual na presidência, tentativa de equilibrar interesses sem travar a operação.

Anos 80 e 90: licenciamento, desejo de consumo e 25% do mercado

Nos anos 80, a Tilibra fez uma aposta que mudaria o jogo: investiu mais em marketing e apostou em licenciamento de grandes marcas e personagens, como Garfield e Snoopy, levando esses ícones para capas de cadernos.

O efeito foi direto: produtos com maior apelo, preços mais altos e margens melhores, criando um diferencial competitivo difícil de replicar.

Nos anos 90, a estratégia se intensificou com contratos exclusivos com artistas famosos como Xuxa e Ana Paula Arósio, além de personagens de desenhos animados como Mickey Mouse, Minnie e Ursinho Pooh.

A Tilibra também lançou marcas próprias, como Clique e Grafite, e em 1995 entrou no licenciamento de clubes de futebol, colocando escudos nas capas.

É nesse período que surge o número que resume a liderança: segundo notícias da época, a Tilibra detinha aproximadamente 25% do mercado nacional.

O caderno deixou de ser só material escolar e virou símbolo social. Comprar o caderno “do momento” virou uma experiência, e a Tilibra soube transformar isso em cultura de consumo.

Crises dos anos 2000 e a virada de controle em 2004

No início dos anos 2000, a empresa enfrentou cenário interno conturbado e disputas familiares mais intensas. A operação, porém, não parou de lançar produto.

Por volta de 2002, a Tilibra colocou no mercado a linha Menininhas, com personagens pré-adolescentes e uma gama ampla que incluía cadernos, agendas, fichários, estojos, etiquetas, mochilas, pastas e até bonecas, com site próprio e conteúdos digitais.

Em agosto de 2004, a Tilibra foi vendida ao grupo norte-americano Midwest Vehicle, com valor não divulgado. Naquele momento, empregava cerca de 1.000 pessoas e processava mais de 30.000 toneladas de matéria-prima por ano.

Apenas dois meses após a venda, ainda em 2004, Ruben morreu, encerrando a presença direta da segunda geração na presidência.

2005 a 2019: portfólio maior, certificação FSC e uma nova configuração do setor

Já sob novo comando, a Tilibra seguiu expandindo linhas. Em 2005, lançou a linha Joli, voltada a consumidoras que buscavam estampas delicadas e românticas, com ilustrações desenvolvidas pela designer Tatiane Ferrino, que permaneceu na equipe criativa até 2013.

A marca também ampliou presença em praticamente todas as categorias de material escolar e escritório, indo muito além do caderno tradicional.

Em 2009, a Tilibra conquistou a certificação florestal FSC, indicando que a matéria-prima do processo produtivo vem de florestas manejadas de forma ambientalmente responsável.

Em 2012, por meio de fusão, a divisão de papelaria que incluía a Tilibra passou a integrar a Aquobrands, empresa com mais de 100 anos e reconhecida como fornecedora mundial de produtos para escritório.

Em 2015, a Tilibra lançou linha em parceria com a Capricho e renovou coleções nos anos seguintes.

E em 2019, uma mudança importante no tabuleiro: a Foroni, rival histórica, foi adquirida pela Aquobrands, colocando duas antigas concorrentes sob o mesmo grupo econômico.

2023 a 2025: Tilibra Connect, digitalização e coleções que seguem tendências globais

A fase recente mostra como a Tilibra tenta conectar tradição e hábito digital. Em 2023, a marca lançou o aplicativo Tilibra Connect, com funções como:

  • digitalizar anotações com agilidade
  • criar fichas de estudo
  • organizar arquivos em pastas por temas e matérias
  • gerar jogos de quiz com pontuação voltados ao reforço do aprendizado

No ano seguinte, a marca lançou uma linha especial com a imagem do surfista Gabriel Medina nos Jogos Olímpicos de Paris.

Em 2025, anunciou novas coleções licenciadas de Stranger Things, acompanhando a quinta e última temporada, e firmou parceria com Guerreiras do K-pop, descrito como o filme mais assistido da história da plataforma.

Além do produto, a Tilibra reforçou presença social com doações e apoio a instituições e projetos em Bauru e região.

E consolidou presença digital com mais de 1 milhão de seguidores no Facebook e no Instagram.

Por que a Tilibra virou líder e continua relevante

A força da Tilibra se explica por uma combinação rara:

decisão empresarial extrema no início, com a venda da casa para fundar o negócio
escala industrial e capilaridade comercial, já evidente em 1953 com centenas de funcionários, filiais e representantes
marca guiada por desejo, com licenciamento que transformou capa de caderno em objeto de status
adaptação ao digital, com o Tilibra Connect levando o caderno para dentro do celular sem abandonar o papel

No fim, a Tilibra conseguiu atravessar quase um século sem perder o lugar na rotina escolar e, ao mesmo tempo, encontrou um jeito de conversar com uma geração que estuda com câmera, arquivo, quiz e pasta por tema.

Você acha que a Tilibra vai conseguir manter o caderno como “objeto de desejo” nesta nova era de telas, ou o futuro da marca está mais no app do que na capa?

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Donna K
Donna K
06/01/2026 01:49

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Fernando Vaz
Fernando Vaz(@fernando_pvaz_sc)
04/01/2026 06:59

Amei conhecer a história da Tilibra, trabalhei la em 2011, parabéns!!!

Giziane Alves de Lima
Giziane Alves de Lima
04/01/2026 04:13

Adorei conhecer a história da Tilibra, acredito que o caderno deve continuar a atrair mesmo na era digital, e continuar investir nas capas e se possível trazer as capas antigas ou capas de papéis de carta da época, seria uma nostalgia para os dias de hoje, os pais contar memórias aos filhos sobre personagens da época, artistas, e coleções da época de papéis de carta.

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Fonte
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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