Gustavo José Mandro, de 8 anos, é um empreendedor mirim da zona rural de Piracicaba que cria galinhas e vende ovos. Ganhou a primeira galinha aos 2, hoje tem 80 aves de 23 raças, atende até a diretora da escola e, no JEPP do Sebrae, já planeja ser agrônomo.
Tem criança que ganha um brinquedo e esquece no dia seguinte. Gustavo José Mandro ganhou uma galinha aos 2 anos e transformou aquilo numa vida inteira. Hoje, aos 8, ele comanda um plantel de 80 aves de 23 raças diferentes na zona rural de Piracicaba, no interior de São Paulo, e tem uma carteira de clientes que faria muito adulto ter inveja. Entre os fregueses fixos estão os próprios professores, a coordenadora e a diretora da escola dele.
A história foi contada pela Agência Sebrae de Notícias SP em outubro de 2025. Aluno do 3º ano da Escola Municipal Professor Manoel Rodrigues Lourenço, na zona rural, Gustavo é um empreendedor mirim que cria galinhas, vende ovos e já sabe exatamente o que quer da vida. “Quero ser agrônomo, estudar na Esalq”, diz o menino, citando a famosa escola de agronomia que fica na própria cidade dele.
De 1 galinha aos 2 anos a 80 aves de 23 raças

Aos 2 anos, na zona rural de Piracicaba, Gustavo ganhou a primeira galinha da família, e os avós, que já vendiam ovos da própria criação, passaram a vender também os dele. Foi desse pequeno gesto que saiu o primeiro capital do menino, dinheiro que ele, em vez de gastar, reinvestiu para comprar mais aves.
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O reinvestimento é o que transforma a história num caso de empreendedorismo de verdade. Com o lucro, Gustavo comprou galinhas de raças diferentes, melhorou o galinheiro e bancou a ração dos bichos. Foi crescendo aos poucos, de uma galinha para dezenas, até chegar às atuais 80 aves de 23 raças, uma variedade que impressiona mesmo entre criadores adultos.
E não é criação no piloto automático. Quem cria galinhas com a seriedade dele estuda o assunto, e Gustavo pesquisa raças, compara preços e entende de ração. “Eu aprendo com meu avô, minha avó e no Google”, conta o menino, misturando a sabedoria do sítio com a curiosidade da internet. É essa mistura que fez o quintal virar negócio.
O negócio: vende ovos até para a diretora da escola
O diferencial de Gustavo não está só em criar galinhas, está em saber vender. O menino vende ovos para vizinhos, parentes e, o detalhe que encanta, para os professores, a coordenadora e a diretora da própria escola. “Eu ofereço os ovos e agora já tenho até encomendas”, conta o empreendedor mirim, com a desenvoltura de quem nasceu para o comércio.
A forma como ele aborda os clientes mostra faro comercial precoce. Segundo Gustavo, às vezes são os fregueses que pedem, às vezes é ele quem provoca a venda, transformando a oferta numa brincadeira que quase ninguém recusa. Vender ovos, para ele, é diversão e renda ao mesmo tempo, e o resultado é uma freguesia fiel dentro e fora da escola.
O dinheiro que entra não some em besteira. Fiel à lógica que o trouxe até aqui, Gustavo reinveste para comprar novas raças, melhorar a estrutura e alimentar o plantel. É o ciclo de quem entendeu cedo que vender ovos hoje é o que paga as galinhas de amanhã, um raciocínio de gente grande num garoto de 8 anos.
Uma “sociedade” com a irmã e a avó
Por trás do pequeno empresário existe uma família inteira envolvida. O negócio funciona como uma espécie de “sociedade”: Gustavo cria galinhas com a irmã mais nova e a avó, que dividem os cuidados no dia a dia. Não é uma criança sozinha brincando de fazenda, é um projeto familiar com o menino no comando.
A rotina dele equilibra infância e responsabilidade de um jeito raro. “De manhã eu vou na escola. Quando eu chego em casa, descanso. Depois eu faço a lição, brinco com minha avó ou jogo bola com meu avô. Aí nós tratamos a criação”, descreve Gustavo. Primeiro a escola e a brincadeira, depois o trabalho com os bichos, na ordem certa para a idade.
A mãe, Dayane Cristina Nascimento Mandro, vê tudo com naturalidade. “É natural, porque a gente mora no sítio. Ele nasceu no meio e foi gostando cada vez mais. Ele sai com o avô, que compra porco, galinha, bezerro… e até negocia junto”, contou ela. O talento do menino, portanto, foi regado por um ambiente que respira agro todos os dias.
JEPP do Sebrae: a escola do pequeno empreendedor
O instinto de Gustavo ganhou método com um empurrão da educação empreendedora. Ele participa do JEPP, o Jovens Empreendedores Primeiros Passos, programa do Sebrae-SP que leva noções de empreendedorismo para crianças, e já passou por ele em 2023 e 2025. Foi no JEPP que o menino aprendeu a estruturar como projeto aquilo que já fazia por instinto.
O ponto alto foi a Feira do JEPP, em setembro de 2025, onde Gustavo apresentou o próprio negócio. A diretora da escola, Adriana Vargas Mendes Janousek, notou a transformação. “Ele sempre foi comunicativo, mas está mais confiante depois da feira, mais seguro. Ele quer contar para os outros sobre a criação”, afirmou. Dar palco para a paixão do menino o deixou ainda mais dono da própria história.
Para o Sebrae, casos assim mostram o valor de incentivar cedo. “Com a história do Gustavo, vemos a importância de cada vez mais incentivar que as crianças sejam protagonistas das próprias histórias”, disse Vivian Lourenço, analista de negócios do Sebrae-SP. O empreendedor mirim virou, sem querer, um exemplo do que a educação empreendedora pode despertar.
O sonho da Esalq e do agro
O que mais surpreende em Gustavo não é o presente, é o tamanho dos planos. O menino quer ser engenheiro agrônomo e estudar na Esalq, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, uma das mais respeitadas do país, que por sorte fica na própria Piracicaba. Ter uma referência mundial do agro na cidade natal deu ao sonho um endereço concreto.
E o plano é detalhado como o de um executivo. “Quero trabalhar com cana-de-açúcar. Vou ficar um ano trabalhando na cooperativa. Depois eu vou para o Mato Grosso, quero ficar uns cinco anos lá e depois ir para os Estados Unidos”, projeta o garoto. Aos 8 anos, ele já tem um mapa de carreira que muita gente não tem aos 30.
Esse horizonte largo é o que transforma a história de galinhas numa história de futuro. As 80 aves de hoje são o primeiro degrau de um projeto que mira a universidade, o campo e o mundo. Para esse empreendedor mirim de Piracicaba, vender ovos é só o começo de um caminho que ele já enxerga inteiro.
Por que essa história encanta e o que ela ensina
O caso de Gustavo toca porque junta coisas que a gente gosta de ver. Tem a criança que sonha, a família que apoia, o trabalho que ensina e o reinvestimento que faz o pequeno virar grande. Quem cria galinhas e vende ovos aos 8 anos e reinveste cada centavo está aprendendo, na prática, lições que muita escola não dá.
Há também um recado sobre oportunidade. Gustavo teve um ambiente rural, o apoio dos avós e o estímulo de um programa como o JEPP, do Sebrae, e foi essa combinação que transformou potencial em projeto. Talento de criança floresce quando alguém rega, e a história mostra o efeito de levar empreendedorismo a sério desde cedo, sem roubar a infância do menino.
Claro que é preciso manter a leveza. Gustavo é, antes de tudo, uma criança que gosta de galinha, joga bola com o avô e brinca com a avó, e o negócio convive com isso sem atropelar a idade. É empreendedorismo com cara de infância feliz, e talvez seja justamente esse equilíbrio o que mais inspira na trajetória do empreendedor mirim de Piracicaba.
No fim, Gustavo José Mandro prova que sonho grande cabe em gente pequena. De uma galinha ganha aos 2 anos a um plantel de 80 aves de 23 raças, ele cria galinhas, vende ovos até para a diretora e já mira a Esalq, tudo isso sem perder o jeito de criança. É o tipo de história que faz a gente acreditar mais no futuro.
E você, tinha algum faro de negócio quando era criança, ou conhece algum pequeno empreendedor como o Gustavo na sua família ou vizinhança? Conta aqui nos comentários a história desse mini empreendedor que você conhece.
