Ação conduzida pela Conservancy of Southwest Florida entre novembro de 2025 e abril de 2026 reforça o uso de telemetria, captura direcionada e pesquisa científica no controle das pítons-birmanesas
A retirada de 177 pítons-birmanesas dos pântanos do sul da Flórida marcou um novo recorde no combate à espécie invasora que ameaça a fauna local. Segundo a Conservancy of Southwest Florida, a operação ocorreu entre novembro de 2025 e abril de 2026 e removeu cerca de 3,7 toneladas de serpentes, o maior volume já registrado pela iniciativa em uma única temporada.
O programa também retirou mais de 4.100 ovos durante o período reprodutivo, impedindo o nascimento de milhares de filhotes. A medida reduziu o potencial de expansão da população invasora em áreas sensíveis dos Everglades e regiões próximas.
Originária do Sudeste Asiático, a píton-birmanesa chegou à Flórida após décadas de introduções associadas ao comércio de animais de estimação. A falta de predadores naturais relevantes permitiu que a espécie ocupasse posição de destaque na cadeia alimentar local.
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Mamíferos, aves e répteis nativos passaram a sofrer pressão crescente com a expansão dessas serpentes. Biólogos consideram o avanço das pítons-birmanesas um dos principais desafios ambientais enfrentados pela Flórida.
Estratégia com transmissores ajuda equipes a encontrar fêmeas reprodutoras
A operação não dependeu apenas de buscas aleatórias nos pântanos. Pesquisadores usaram uma estratégia baseada em monitoramento científico e trabalho de campo contínuo.
Machos equipados com transmissores de rádio foram acompanhados durante a temporada de reprodução. Nesse período, esses animais conduzem as equipes até fêmeas prontas para acasalar.
A técnica permite localizar grandes fêmeas antes da postura dos ovos. Esse ponto é decisivo, pois cada fêmea pode carregar dezenas de ovos e ampliar rapidamente a população invasora.
De acordo com Ian Bartoszek, gerente de projetos científicos da Conservancy, concentrar esforços nas grandes fêmeas reprodutoras provoca impacto desproporcional sobre a espécie. A medida também ajuda a limitar o avanço das pítons na região.

Números da temporada mostram a dimensão do problema ambiental
Os dados coletados nas necropsias revelaram o tamanho do desafio enfrentado pelas equipes. Em média, as fêmeas removidas pesavam cerca de 43 quilos e carregavam aproximadamente 70 ovos.
Alguns exemplares ultrapassavam cinco metros de comprimento. Pesquisadores também encontraram vestígios de grandes presas no sistema digestivo das serpentes, incluindo cervos.
Entre os principais números da operação, destacam-se:
- 177 pítons-birmanesas capturadas
- 3,7 toneladas de serpentes removidas
- mais de 4.100 ovos retirados
- operação realizada entre novembro de 2025 e abril de 2026
- maior volume já contabilizado pelo programa em uma temporada
Programa iniciado em 2013 já retirou mais de 24 toneladas de pítons
Desde 2013, a Conservancy of Southwest Florida afirma ter removido aproximadamente 1.750 pítons do sudoeste da Flórida. Juntas, essas capturas somam mais de 24 toneladas.
Cada serpente retirada gera informações sobre alimentação, reprodução e comportamento da espécie. Esses dados fortalecem estudos científicos e ajudam no desenvolvimento de novas estratégias de manejo.
A combinação entre telemetria, remoção direcionada de fêmeas grandes e pesquisa contínua aparece como uma das ferramentas mais eficazes para reduzir os impactos das pítons-birmanesas sobre a fauna nativa da Flórida.

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