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Estudante de colégio militar de Manaus criou um método que usa ondas sonoras para mexer em genes ligados ao Alzheimer e levou prêmio mundial na maior feira de ciências do planeta, nos Estados Unidos

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 23/06/2026 às 13:36 Atualizado em 23/06/2026 às 13:40
Estudante de Manaus criou o MeMO, que usa ondas binaurais para modular genes do Alzheimer em laboratório, e ganhou o 4º lugar na ISEF 2026.
Estudante de Manaus criou o MeMO, que usa ondas binaurais para modular genes do Alzheimer em laboratório, e ganhou o 4º lugar na ISEF 2026.
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Ada Jamile Gomes de Oliveira, estudante de Manaus, criou o MeMO, que usa ondas binaurais de 12 Hz para modular, em células de laboratório, a expressão de genes ligados ao Alzheimer. A pesquisa é inicial, mas levou o 4º lugar na ISEF 2026, a maior feira de ciências do mundo.

E se um tipo certo de som pudesse, um dia, ajudar a frear o avanço do Alzheimer? Foi essa pergunta ousada que levou uma estudante de Manaus ao pódio da maior feira de ciências pré-universitária do planeta. Ada Jamile Gomes de Oliveira usou ondas binaurais para mexer, em laboratório, na atividade de genes ligados à doença, e o resultado rendeu a ela um prêmio internacional nos Estados Unidos. Trata-se, porém, de pesquisa em estágio inicial, feita em células, não de um tratamento pronto.

O feito foi noticiado pelo Jornal da USP em maio de 2026. O projeto se chama MeMO e conquistou o 4º lugar na categoria Translational Medical Science da ISEF 2026, a Regeneron International Science and Engineering Fair, realizada em Phoenix, no Arizona. Por trás dele está uma adolescente do Colégio Militar de Manaus, escola pública federal do Exército, movida por uma motivação dolorosamente pessoal: o Alzheimer dentro da própria família.

O que é o MeMO e como o som “conversa” com os genes

Estudante de Manaus criou o MeMO, que usa ondas binaurais para modular genes do Alzheimer em laboratório, e ganhou o 4º lugar na ISEF 2026.
O coração do projeto é uma ideia que parece ficção, mas tem base científica.

As ondas binaurais são um truque do cérebro: quando cada ouvido recebe um som de frequência levemente diferente, o cérebro percebe uma terceira “batida”, a tal onda binaural. No MeMO, Ada usou ondas binaurais de 12 Hz, uma faixa associada a certos padrões de atividade cerebral, para investigar se esse estímulo sonoro poderia influenciar processos ligados à doença.

A pesquisa não foi feita em pessoas, e esse detalhe é essencial. O experimento foi um bioensaio in vitro, ou seja, em células cultivadas no laboratório, da linhagem H4, expostas à batida binaural de 12 Hz por uma hora. A pergunta científica era direta: o som consegue alterar a forma como certos genes do Alzheimer se expressam nessas células? O MeMO nasceu para testar exatamente isso, com método e medição.

O nome do projeto resume a ambição. MeMO remete à memória, justamente o que o Alzheimer rouba aos poucos. A proposta de Ada é explorar um caminho não invasivo e barato, em que o estímulo seria apenas o som, sem remédio nem cirurgia. É uma hipótese promissora, mas que ainda precisa percorrer um longo caminho até virar qualquer coisa parecida com terapia.

Os genes do Alzheimer que reagiram ao som

Os resultados, dentro do laboratório, chamaram a atenção dos avaliadores. Expostas às ondas binaurais de 12 Hz, as células mostraram queda na expressão de genes associados à neurodegeneração. O destaque foi o gene MAPT, ligado à proteína tau, cuja expressão caiu 48% no experimento, segundo o detalhamento da pesquisa publicado pelo Portal A Crítica.

Outros genes também responderam, em menor grau. O BACE, envolvido na formação de placas relacionadas ao Alzheimer, teve redução de 11%, e o APP, outro marcador da doença, caiu 2%. São três genes que participam dos processos de degeneração do cérebro, e vê-los reagir a um estímulo apenas sonoro é o que torna o achado intrigante para a ciência.

Aqui entra o cuidado que a honestidade exige. Reduzir a expressão de um gene em células num laboratório não é o mesmo que tratar ou curar uma pessoa com Alzheimer. É um sinal animador em um modelo simplificado, não uma promessa de cura, e a própria pesquisa trata isso como ponto de partida. O número de 48% impressiona, mas precisa ser lido pelo que é: um resultado in vitro, em uma hora de exposição.

Quem é Ada, a estudante de Manaus por trás do projeto

Por trás da ciência existe uma adolescente de 17 anos com uma história. Ada Jamile Gomes de Oliveira cursa o terceiro ano do ensino médio no Colégio Militar de Manaus e mergulhou no tema do Alzheimer por causa do impacto da doença em pessoas da própria família. A motivação não foi abstrata, foi a dor de ver de perto a memória se apagando, e isso deu propósito a cada noite de experimento.

A escola dela merece nota, porque desfaz um estereótipo. O Colégio Militar de Manaus é uma instituição pública, federal, ligada ao Exército, o que mostra que ciência de ponta também nasce na rede pública, no coração da Amazônia. A estudante de Manaus provou que talento não tem CEP, e que falta oportunidade, não capacidade, no interior e no Norte do país.

O que move Ada aparece na fala dela. “Saber que nossa dedicação, desde os experimentos até as longas noites de pesquisa, gera um impacto real nos enche de orgulho”, afirmou a estudante de Manaus ao Portal A Crítica. É o orgulho de quem transformou uma tragédia familiar em investigação científica séria, e não apenas em desabafo.

Do Amazonas para o pódio mundial: o 4º lugar na ISEF 2026

O reconhecimento veio no maior palco possível para um jovem cientista. O MeMO conquistou o 4º lugar na categoria Translational Medical Science da ISEF 2026, com prêmio de US$ 600, na feira realizada entre 9 e 15 de maio em Phoenix, nos Estados Unidos. A ISEF 2026 é a maior feira de ciências e engenharia pré-universitária do mundo, e disputar nela já é um feito enorme.

O caminho até lá passou pelo Brasil. Ada chegou à ISEF 2026 após se destacar na FEBRACE, a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, promovida pela Escola Politécnica da USP, que é a principal porta de entrada dos estudantes brasileiros para a competição internacional. A delegação brasileira teve um desempenho forte, com vários prêmios trazidos para casa, e a estudante de Manaus foi uma das vozes desse grupo.

Colocar um projeto do Amazonas no pódio mundial tem peso simbólico enorme. Significa que uma adolescente de escola pública, partindo de uma dor familiar, competiu e venceu ao lado dos jovens mais brilhantes do planeta. A feira colocou o nome de Manaus no mapa da ciência mundial, e mostrou que o Brasil profundo também produz inovação de fronteira.

A promessa de uma terapia auditiva, e por que ainda é cedo

A ideia por trás do MeMO é sedutora, e é fácil entender o entusiasmo. Se as ondas binaurais realmente influenciam genes do Alzheimer, abre-se a possibilidade de uma abordagem complementar, barata e não invasiva, em que ouvir um som certo ajudaria a cuidar do cérebro. Seria um tratamento sem agulha, sem remédio caro e acessível a qualquer pessoa com um fone de ouvido, o sonho de qualquer sistema de saúde.

Mas é aqui que o pé precisa ficar no chão. O estudo foi feito em células, em uma única hora de exposição, e está muito longe de provar qualquer efeito em seres humanos. Os próximos passos previstos incluem testes in vivo e a análise da atividade elétrica do cérebro durante a estimulação, etapas que levam anos e podem não confirmar o que o laboratório sugeriu.

Por isso a palavra certa é cautela, não milagre. O MeMO é um achado promissor que merece seguir sendo pesquisado, não uma cura à espera de aprovação. Tratar o Alzheimer segue sendo um dos maiores desafios da medicina, e nenhuma família deve criar falsa esperança a partir de um resultado in vitro, por mais animador que ele seja. O valor do projeto está em apontar um caminho, não em entregar a chegada.

Por que isso importa para milhões de famílias

Mesmo com toda a cautela, a relevância do tema é gigante. O Alzheimer atinge milhões de pessoas no mundo, rouba a memória e a autonomia, e ainda não tem cura, apenas tratamentos que amenizam sintomas. Qualquer fio de esperança científica, mesmo distante, mobiliza famílias inteiras que convivem com a doença, e foi de uma dessas famílias que o MeMO nasceu.

Há também o recado sobre de onde vem a inovação. Não foi um grande laboratório internacional que levantou essa hipótese ousada com ondas binaurais, e sim uma estudante de Manaus, na rede pública, com orientação e muita persistência. Apostar em educação e ciência no Brasil é o que faz surgir gente como Ada, capaz de competir no mais alto nível mundial.

No fim, o caso equilibra emoção e responsabilidade. De um lado, a história inspiradora de uma jovem do Amazonas premiada na ISEF 2026 por enfrentar o Alzheimer com criatividade. De outro, o dever de explicar que ciência séria leva tempo. É possível celebrar o feito sem prometer o que ainda não existe, e é exatamente assim que a conquista da estudante de Manaus deve ser lida.

A trajetória de Ada Jamile resume o melhor da ciência feita por jovens no Brasil. Partindo de uma dor de família, ela criou o MeMO, usou ondas binaurais para modular genes ligados ao Alzheimer em laboratório e levou o nome de Manaus ao pódio da ISEF 2026. É um começo promissor, com os pés no chão, e não uma cura anunciada. O futuro dirá até onde esse som pode chegar.

E você, acredita que estímulos sonoros como as ondas binaurais possam um dia virar uma ajuda real contra o Alzheimer, ou acha que ainda é cedo demais para criar expectativa? Conta aqui nos comentários o que você pensa sobre esse tipo de pesquisa brasileira.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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