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Aos 18 anos, estudante baiano transforma erva-doce de cozinha em fungicida natural que elimina até 83,8% dos fungos do café, custa 4 vezes menos e vence prêmio na maior feira de ciências do mundo

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 23/06/2026 às 11:03 Atualizado em 23/06/2026 às 11:06
Aos 18 anos, Kenisson criou o AnisGuard, fungicida natural de erva-doce que elimina até 83,8% do fungo do café, custa 4x menos e venceu na ISEF 2026.
Aos 18 anos, Kenisson criou o AnisGuard, fungicida natural de erva-doce que elimina até 83,8% do fungo do café, custa 4x menos e venceu na ISEF 2026.
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Kenisson Morais Brito, de 18 anos, de Barra do Choça e aluno da Escola SESI, criou o AnisGuard, um fungicida natural de erva-doce que reduz em até 83,8% o fungo do café pós-colheita, custa 4 vezes menos e levou prêmio na ISEF 2026, a maior feira de ciências do mundo.

Aquela erva-doce que muita gente tem no armário da cozinha, usada para fazer chá, acaba de virar arma de ponta contra um inimigo silencioso do café. Quem fez isso foi um jovem de 18 anos do interior da Bahia, que pegou o extrato da plantinha comum e transformou num fungicida natural capaz de eliminar até 83,8% do fungo do café, gastando uma fração do preço dos venenos sintéticos. O feito rendeu a ele um prêmio na maior feira de ciências pré-universitária do planeta.

A história foi contada pelo Jornal Correio em 30 de maio de 2026. O protagonista é Kenisson Morais Brito, natural de Barra do Choça, no sudoeste baiano, e aluno da Escola SESI Anísio Teixeira, em Vitória da Conquista. Seu projeto, batizado de AnisGuard, levou o 4º lugar na ISEF 2026, realizada nos Estados Unidos, e antes já havia conquistado o primeiro lugar na maior feira de ciências do Brasil. A escola dele é da rede SESI, técnica e ligada à indústria, e não uma escola pública, como às vezes circula por aí.

Da cozinha para o laboratório: como a erva-doce virou fungicida

Aos 18 anos, Kenisson criou o AnisGuard, fungicida natural de erva-doce que elimina até 83,8% do fungo do café, custa 4x menos e venceu na ISEF 2026.
A ideia parte de um princípio que soa simples, mas é engenhoso.

Kenisson extraiu compostos da erva-doce, cujo nome científico é Pimpinella anisum, e descobriu neles uma ação antifúngica potente. Aplicado na lavagem dos grãos depois da colheita, esse extrato ataca o fungo do café antes que ele estrague a produção. É a planta de chá virando defensivo agrícola natural.

O alvo do AnisGuard tem nome: o Penicillium spp., um fungo que contamina os grãos de café no período pós-colheita e provoca perdas e queda de qualidade. Em vez de combatê-lo com fungicida químico industrial, o jovem usou a própria natureza. A erva-doce, nesse caso, não tempera comida, ela protege a lavoura, num exemplo claro de natureza e engenharia trabalhando juntas.

O charme da invenção está em transformar algo banal em solução de alto valor. Ninguém olha para um pacote de erva-doce e imagina um fungicida natural capaz de rivalizar com produtos de laboratório. Foi exatamente esse salto, do trivial para o científico, que chamou a atenção dos avaliadores e fez o projeto se destacar entre milhares de outros.

83,8% dos fungos eliminados e custo 4 vezes menor

Os números são o que dão peso à descoberta. Nos testes, o extrato de erva-doce reduziu em até 83,8% a carga fúngica nos grãos de café, um desempenho comparável e, em alguns pontos, superior ao dos fungicidas sintéticos tradicionais. Para um defensivo feito de planta de cozinha, é um resultado de impressionar.

A vantagem não para na eficácia. O método também sai muito mais barato, com custo potencial até 4 vezes menor do que os produtos químicos convencionais. Para o pequeno produtor de café, que vive de margens apertadas, pagar um quarto do preço por uma proteção que funciona pode ser a diferença entre o lucro e o prejuízo.

Há ainda um terceiro ganho, mais técnico, mas importante. O fungicida natural de erva-doce tende a reduzir o risco de o fungo do café desenvolver resistência, problema comum quando se usa sempre o mesmo veneno químico. Eficaz, barato e mais sustentável, o AnisGuard reúne os três atributos que o agro busca e raramente encontra juntos.

AnisGuard: o nome e a ciência por trás do projeto

Aos 18 anos, Kenisson criou o AnisGuard, fungicida natural de erva-doce que elimina até 83,8% do fungo do café, custa 4x menos e venceu na ISEF 2026.
O nome completo do trabalho já entrega a ambição da pesquisa.

Ele se chama “AnisGuard: avaliação multifacetada do extrato de Pimpinella anisum como fungicida natural, biofertilizante e alternativa custo-efetiva no controle de Penicillium spp. em café pós-colheita”. Ou seja, o extrato de erva-doce não serve só para matar fungo, ele também atua como biofertilizante, somando funções num único produto.

Por trás do estudante havia orientação qualificada, e isso merece registro. O AnisGuard foi desenvolvido por Kenisson com orientação da professora Winne Katharine Souza Rocha e coorientação de Gislaine Amorim Santos. Não foi um palpite de feira de escola, foi pesquisa conduzida com método, com bioensaios e medição rigorosa dos resultados sobre o fungo do café.

Esse rigor é o que separa uma curiosidade de uma inovação real. O projeto identificou os compostos bioativos da erva-doce responsáveis pela ação antifúngica e comprovou o efeito em laboratório. A ciência ali é de verdade, e foi justamente isso que levou o fungicida natural de um estudante do interior para o circuito internacional.

Do interior da Bahia para o pódio mundial

O reconhecimento veio em duas etapas, e ambas são de peso. Primeiro, na FEBRACE 2026, a maior feira de ciências e engenharia do Brasil, realizada na USP, onde o AnisGuard ficou em primeiro lugar em Ciências Agrárias e ainda foi escolhido o melhor projeto da Bahia. Esse resultado garantiu a Kenisson a vaga para representar o país lá fora.

Depois veio o palco máximo. Na ISEF 2026, a Regeneron International Science and Engineering Fair, realizada de 9 a 15 de maio em Phoenix, no Arizona, o projeto conquistou o 4º lugar na categoria Plant Sciences, com prêmio de US$ 600. Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o Brasil levou 21 estudantes à feira, e nove deles voltaram com oito prêmios no total.

A presença brasileira teve acompanhamento oficial. Juana Nunes, diretora de Popularização da Ciência, Tecnologia e Educação Científica do MCTI, esteve no evento e destacou que feiras como a ISEF 2026 são onde os jovens têm contato real com a ciência e onde se forma o futuro científico do país. Para um garoto de Barra do Choça, dividir esse palco com os melhores jovens cientistas do mundo é uma virada e tanto.

Quem é Kenisson, o jovem por trás do projeto

Por trás dos prêmios existe um adolescente movido por curiosidade. Aos 18 anos, Kenisson conta que a invenção nasceu de olhar para os problemas à sua volta. “O processo de concepção foi muito baseado em observação e curiosidade científica. Eu queria entender como a ciência poderia resolver problemas reais da minha comunidade”, afirmou ele ao Jornal Correio. O café é justamente um dos motores econômicos da região onde vive.

A experiência internacional na ISEF 2026 mexeu com o jovem. “Estar ao lado dos melhores jovens cientistas do mundo foi algo surreal e muito inspirador”, disse Kenisson, que estuda na Escola SESI, instituição técnica voltada à formação ligada à indústria. Para ele, o contato com pesquisadores de vários países mostrou que a ciência feita no interior tem o mesmo valor da feita nos grandes centros.

O que mais marca na fala dele é a noção de propósito. “Hoje, vejo a pesquisa científica como uma ferramenta capaz de transformar realidades e gerar impacto social”, resumiu o estudante. E completou com a frase que vira símbolo da história: “Ser premiado internacionalmente mostrou para mim que a ciência feita no Brasil, inclusive no interior da Bahia, tem potencial para alcançar o mundo.”

Por que isso importa para o café brasileiro

O Brasil é o maior produtor de café do planeta, e qualquer ganho na lavoura tem efeito enorme. As perdas causadas por fungos no pós-colheita são um problema antigo e caro, que ataca justamente a qualidade do grão que vai chegar à xícara. Uma alternativa barata e natural contra o fungo do café conversa direto com o bolso de milhares de produtores, dos grandes aos familiares.

A questão da sustentabilidade entra com força nesse debate. Reduzir o uso de fungicidas químicos significa menos resíduos no alimento, menos impacto no solo e menos risco para quem aplica o produto. Um fungicida natural de erva-doce aponta para uma agricultura mais limpa, alinhada ao que o mercado e os consumidores vêm exigindo do café brasileiro.

E há o simbolismo de a solução vir de onde veio. Não nasceu numa multinacional do agro, e sim da cabeça de um estudante do interior da Bahia, com erva-doce e método científico. Se o AnisGuard avançar do laboratório para a lavoura, será a prova de que inovação de verdade pode brotar de qualquer lugar, inclusive de uma cozinha e de um jovem de 18 anos.

O que a história de Kenisson diz sobre a ciência brasileira?

No fim, o caso une tudo o que costuma emocionar e inspirar. Um jovem de 18 anos do interior baiano pegou uma planta comum, transformou num fungicida natural que elimina até 83,8% do fungo do café por um quarto do preço, e levou o Brasil ao pódio da ISEF 2026, a maior feira de ciências do mundo. É talento, é método e é a prova de que faltam oportunidades, não cérebros, no interior do país.

E você, sabia que a erva-doce do seu armário tinha esse potencial, e acredita que invenções como o AnisGuard deveriam receber mais apoio para sair do laboratório e chegar à lavoura? Conta aqui nos comentários o que você acha do futuro desse tipo de ciência feita no Brasil.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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