A jovem trocou o aluguel por um barco pequeno de 15 metros, reformou cômodos apertados, reduziu gastos mensais e passou a lidar com água, aquecimento, resíduos e manutenção na rotina dos canais do Reino Unido
Sem casa própria e pressionada pelo aluguel, a jovem de 25 anos Dottie Turnbull comprou um barco pequeno de 15 metros no Reino Unido e transformou a embarcação em moradia. O barco, chamado The Tanglewood, virou casa depois de uma reforma feita aos poucos, com pintura, piso novo, cozinha renovada e banheiro maior.
A informação foi publicada por Business Insider, site jornalístico de economia e estilo de vida. A compra ocorreu em setembro de 2021, quando Turnbull encontrou o barco azul e decidiu trocar a casa alugada por uma vida nos canais.
O valor pago foi de £30.000, quantia que fica perto de R$ 205 mil aproximadamente. O caso chama atenção porque mistura moradia alternativa, reforma compacta e uma economia mensal que pode passar de R$ 6.800, sem esconder as tarefas manuais que vêm junto com esse estilo de vida.
-
Sem mansão, sem alto investimento e sem sala de aula tradicional, professora que vive em casa de 22 m² ensinou alunos a construir uma quitinete de 9 m² com o equivalente a R$10 mil
-
Ponte de R$ 450 milhões no Brasil terá 700 metros, deve reduzir viagens para apenas 14 minutos e promete mudar a vida de mais de 1 milhão de pessoas, criando uma nova ligação estratégica após décadas de espera
-
Cansada de ver famílias dormindo na rua, São Paulo entregou microcasas de 18 m² mobiliadas e tirou 888 pessoas da rua: a Vila Reencontro virou a moradia social modelo para a população de rua
-
As hidrelétricas do Rio Madeira, como a de Jirau, vieram pela energia, mas agora a onda de seca derrubou 39% da pesca artesanal e esvaziou a mesa das comunidades ribeirinhas da Amazônia
O barco pequeno de 15 metros virou alternativa ao aluguel no Reino Unido
Antes da mudança, Turnbull vivia, então, em uma casa pequena de um quarto em Cambridgeshire, no Reino Unido. Ela gostava do imóvel, mas o dono decidiu vender a propriedade. A partir daí, a jovem viu a vida em barco como uma chance de ter mais autonomia.
O The Tanglewood tinha cozinha, sala, quarto e banheiro. Por fora, o barco precisava estar seguro para não afundar. Por dentro, havia madeira escura, piso antigo e áreas que exigiam reforma.

Ela não comprou uma casa pronta sobre a água, mas uma estrutura possível de transformar, desde que aceitasse morar em um espaço estreito e fazer mudanças devagar.
Para quem está no Brasil, a melhor comparação é pensar em uma casa comprida, bem estreita e flutuante. Cada móvel, cada armário e cada passagem precisam fazer sentido, porque não há sobra de espaço.
A reforma durou cerca de um ano e manteve a base da embarcação
Turnbull entrou no barco em setembro de 2021 e começou a reforma aos poucos. Em vez de derrubar tudo e reconstruir do zero, ela manteve a base dos cômodos e mexeu no que cabia no orçamento, no tempo e na experiência que tinha.
A reforma incluiu pintura branca nas paredes, retirada de partes antigas, troca do piso e mudanças na cozinha. A madeira escura deixava o interior pesado, e a pintura mudou a sensação do espaço.
A sala e a cozinha ficaram mais conectadas depois da retirada de uma divisória parcial. No lugar, entrou uma bancada em formato de L, o que ajudou a aproveitar melhor o espaço entre os dois ambientes.

No banheiro, uma parede foi removida para aumentar um pouco o cômodo. Isso permitiu instalar uma pia melhor e deixou o uso diário mais confortável dentro de uma moradia pequena.
Banheiro maior, piso novo e cores fortes mudaram a sensação de espaço
O interior do barco ficou mais claro e mais colorido com a reforma. A sala recebeu pintura nova, detalhes em azul e elementos decorativos que deram aparência de casa, não de embarcação antiga.
A cozinha ganhou bancada nova, prateleiras e espaço de apoio. Mesmo pequena, ela tem forno, fogão e pia, itens básicos para uma rotina completa de moradia.
O quarto também recebeu mudanças visuais e armários ao redor da cama. Em um barco pequeno de 15 metros, guardar roupas, objetos e itens do dia a dia exige criatividade.
O banheiro foi uma das áreas mais difíceis. O piso precisava ser colocado em uma estrutura que se movimenta, porque o barco está sobre a água. Em uma casa comum, o chão não balança. No barco, até uma reforma simples pode exigir mais paciência.
Quanto ela passou a gastar vivendo em barco
Business Insider, site jornalístico de economia e estilo de vida, detalhou os números da rotina de Turnbull no barco. Ela passou a gastar cerca de £500 por mês, valor próximo de R$ 3.400 em conversão aproximada.
Esse gasto inclui taxa de atracação, gás e cuidados gerais com a embarcação. Atracação é o valor pago para manter o barco parado em um local próprio para isso.
Antes, na casa alugada, ela pagava cerca de £1.500 por mês, algo perto de R$ 10.200 em conversão aproximada. A diferença ficou em torno de £1.000 por mês, cerca de R$ 6.800.
Essa economia ajudou a jovem a viver sozinha em uma fase em que morar sem dividir custos pode ser difícil no Reino Unido. O barco virou uma forma de reduzir despesas sem voltar para uma casa compartilhada.
Morar em barco exige mais trabalho do que parece nas fotos
A vida nos canais não depende apenas de reforma bonita. O morador precisa cuidar de tarefas que, em uma casa comum, passam quase despercebidas.

Turnbull precisa lidar com água, diesel para aquecimento, gás, banheiro e lixo. Isso significa encher reservatório, planejar abastecimento e cuidar do descarte correto dos resíduos.
O aquecimento também exige atenção, principalmente no frio. Já o banheiro não funciona como em uma casa comum, porque precisa ser esvaziado dentro da rotina de manutenção da embarcação.
Ela escolheu manter um ponto permanente de atracação. Isso facilita o dia a dia, porque navegar continuamente aumentaria a busca por água, diesel e locais para descarte de lixo.
A marina menor trouxe rotina comunitária e mais estabilidade
No começo, Turnbull ficou em uma marina com cerca de 200 barcos. Em 2023, ela conseguiu vaga em uma marina menor, com 8 pessoas vivendo no local.
A mudança trouxe um ambiente mais comunitário e estável. Para quem mora em barco, ter um lugar fixo para voltar ajuda na organização da rotina e reduz parte da pressão diária.
Mesmo com a economia, a vida não é totalmente simples. Há frio, manutenção, planejamento e cuidados constantes com o barco.
Ainda assim, a jovem encontrou nesse formato uma saída para viver com mais liberdade. O barco pequeno virou casa, oficina de reforma e base de uma rotina menos presa ao aluguel tradicional.
O caso mostra uma moradia alternativa, mas não uma solução fácil para todos
O barco de 15 metros comprado por Dottie Turnbull mostra como uma moradia alternativa pode reduzir gastos quando a pessoa aceita viver em um espaço pequeno e cuidar da manutenção. A economia mensal pesa, mas a rotina exige esforço.

O caso também mostra que reforma compacta não é apenas decorar paredes. Em um barco, cada mudança envolve espaço, peso, circulação, água, aquecimento e uso diário.
A história chama atenção pelo contraste: ela deixou o aluguel, comprou uma embarcação, reformou o interior e passou a pagar menos por mês. Mas a troca veio com tarefas que muita gente talvez não toparia fazer.
Você moraria em um barco pequeno para gastar menos e ter mais liberdade, mesmo precisando cuidar de água, aquecimento, banheiro e manutenção todos os dias? Comente e compartilhe com quem também se interessa por moradias fora do padrão.

-
1 pessoa reagiu a isso.