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Pesquisadores do RV Investigator australiano mapeiam a Tasmantid Seamount Chain no Mar de Coral entre 200 e 3.600 metros de profundidade e identificam 110 novas espécies em vulcões submarinos extintos

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 12/05/2026 às 19:00
Atualizado em 12/05/2026 às 19:02
Submersível na Tasmantid Seamount Chain no Mar de Coral
Submersível explora a Tasmantid Seamount no Mar de Coral.
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Cientistas a bordo do navio RV Investigator coletaram 6 mil peixes e 80 mil invertebrados em vulcões submarinos extintos a até 3.600 metros de profundidade no Coral Sea Marine Park. Entre os achados, um catshark pálido cego adaptado à escuridão total.

A Tasmantid Seamount Chain, cordilheira submarina ao largo da costa leste da Austrália, revelou 110 novas espécies de peixes e invertebrados durante expedição de 35 dias.

A informação foi publicada pela CSIRO em abril de 2026.

De acordo com a missão Ocean Census–CSIRO, o RV Investigator percorreu o sul e o leste do Coral Sea Marine Park entre 200 e 3.600 metros de profundidade.

Segundo o relatório, 6.000 peixes e 80.000 invertebrados foram coletados. Em paralelo, mais de 120 espécies foram identificadas como inéditas para a ciência.

Tasmantid Seamount: o catshark pálido cego

O achado mais comentado é um catshark de águas profundas pálido e cego. Conforme o Ocean Census, é uma espécie totalmente nova do gênero Apristurus.

Catshark pálido cego do Tasmantid Seamount
Novo catshark pálido cego adaptado à escuridão total. Imagem editorial.

De fato, o tubarão vive em profundidades de até 12.000 pés (3.600 m). Em outras palavras, em escuridão absoluta, sem qualquer luz solar.

Em paralelo, o pigmento da pele é praticamente ausente. Por consequência, o animal parece quase translúcido.

Por sua vez, os olhos são pequenos e não funcionais. Conforme a equipe, o catshark depende de outros sentidos para se orientar.

RV Investigator: o laboratório flutuante da Austrália

O RV Investigator é o navio de pesquisa oceanográfica da CSIRO. Conforme a agência, opera no Pacífico Sul desde 2014 com tripulação científica multidisciplinar.

Navio RV Investigator no Mar de Coral durante expedição Tasmantid Seamount
RV Investigator no Mar de Coral, em expedição à Tasmantid Seamount. Imagem editorial.

De acordo com o plano de voo IN2025_V06, a campanha durou 35 dias entre outubro e novembro de 2025.

Em paralelo, o navio carrega submersíveis remotos com capacidade até 3.600 metros. Por consequência, conseguiu coletar amostras das principais elevações da cordilheira.

Conforme dados públicos, o RV Investigator tem 94 metros de comprimento. Em comparação, outros navios de pesquisa internacionais ficam entre 75 e 110 metros.

A Tasmantid Seamount: vulcões extintos no Mar de Coral

A cordilheira é uma série de vulcões submarinos extintos. Conforme a Wikipedia, a cadeia se estende por quase 2.000 km na placa australiana.

Corais e esponjas em vulcão submarino extinto da Tasmantid Seamount
Corais e esponjas vivem nos flancos vulcânicos extintos. Imagem editorial.

De fato, alguns picos sobem mais de 3.000 metros desde o leito oceânico. Em outras palavras, são montanhas submarinas comparáveis aos Andes em escala vertical.

Em paralelo, a cadeia se formou ao longo de cerca de 60 milhões de anos. Por consequência, oferece um histórico geológico longo de evolução marinha.

Por sua vez, esse sistema vulcânico era pouco explorado antes desta missão. Conforme a CSIRO, esta foi a primeira investigação moderna em profundidade da região norte da cordilheira.

Quimera, arraias e estrelas-quebradiças entre os achados

Além do catshark, a expedição encontrou novas espécies de arraias. Em paralelo, identificaram uma nova quimera, peixe ancestral fantasmagórico aparentado dos tubarões.

De acordo com o EcoPortal, os pesquisadores também viram estrelas-quebradiças com braços longos. Esses animais se movem pelo fundo do mar com pernas flexíveis.

Em outras palavras, são parentes das estrelas-do-mar com locomoção própria. Por consequência, são raros em profundidades superiores a 2.000 m.

Em paralelo, foram coletados caranguejos, anêmonas-do-mar e esponjas. De fato, a vida marinha nos flancos dos vulcões é mais rica do que se imaginava.

Ocean Census: nomear 100 mil espécies em 10 anos

O Ocean Census é uma iniciativa global da Nippon Foundation e do Nekton. Conforme a organização, o objetivo é nomear 100 mil novas espécies marinhas em uma década.

Bióloga marinha analisa espécimen da Tasmantid Seamount
Bióloga analisa espécimen recém-coletado no laboratório. Imagem editorial.

De fato, a missão Tasmantid soma centenas de espécies novas ao programa. Em paralelo, o Pacífico Sul é uma das regiões com maior potencial de descoberta.

Conforme a equipe, cada espécie nova entra em catálogo do World Register of Marine Species (WoRMS). Por consequência, os dados ficam disponíveis para pesquisadores no mundo todo.

Outros achados de biodiversidade aparecem em paralelo. A corrida por minerais raros no fundo do oceano mostra outro lado da exploração marítima.

Tasmantid Seamount em números

  • 110+ novas espécies de peixes e invertebrados
  • 6.000 peixes coletados durante a expedição
  • 80.000 invertebrados em amostras
  • 200 a 3.600 metros de profundidade investigada
  • 35 dias de expedição do RV Investigator
  • 2.000 km de extensão total da cadeia vulcânica

Em comparação, expedições no Atlântico Sul costumam registrar 20 a 40 espécies novas. Por outro lado, a o complexo vulcânico triplicou esse índice.

Veja outros casos de descobertas profundas, como o vulcão submarino Kolumbo em Santorini com 28 mil tremores, que mostra que a Terra ainda esconde mistérios geológicos.

E o Brasil? Reserva marinha do Trindade-Martin Vaz

O Brasil tem cadeias submarinas próprias. Conforme o ICMBio, a cadeia Vitória-Trindade no Atlântico tem 1.200 km de extensão.

De acordo com pesquisadores da UFES, a região hospeda vulcões extintos similares à a cordilheira. Em paralelo, a fauna profunda local é estudada há menos de uma década.

Em comparação, falta no Brasil um equivalente ao RV Investigator. Por outro lado, a Petrobras opera ROVs profundos para campos de petróleo do pré-sal.

Conforme analistas, a tecnologia de exploração profunda usada pela Petrobras pode beneficiar a ciência marinha brasileira. Em paralelo, parcerias com a CSIRO já estão em discussão.

Em paralelo, biólogos brasileiros do Museu Nacional do Rio acompanham os resultados. Conforme a equipe, a metodologia da CSIRO pode ser replicada na cadeia Vitória-Trindade.

De fato, a expedição australiana atravessou seis pontos vulcânicos diferentes. Por consequência, o catálogo amplia a referência ecológica do Pacífico Sul.

Conforme analistas marinhos, a descoberta tem implicação direta para conservação. Em paralelo, o Coral Sea Marine Park agora ganha argumento adicional para expansão de áreas protegidas.

Ressalva: a essa cadeia submarina tem mais espécies a descobrir

De acordo com a CSIRO, as 110 espécies novas representam só uma fração do total. Em paralelo, milhares de amostras seguem em análise nos laboratórios.

Por outro lado, a confirmação taxonômica leva tempo. Conforme a equipe, cada espécie nova exige descrição morfológica e análise genética completa.

Será que o Brasil teria capacidade de mapear sua própria cadeia Vitória-Trindade com a mesma profundidade? O caso a cordilheira mostra o que é necessário: navio dedicado, equipe internacional e 35 dias de campanha.

Ainda assim, o Mar de Coral australiano entra agora para o catálogo dos lugares mais biodiversos do planeta. Por consequência, novas missões já estão previstas para 2027.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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