Projeto em Porto Alegre transforma caixas de leite descartadas em revestimento para casas de madeira com frestas, reduzindo a exposição de famílias ao frio, calor, umidade e insetos, enquanto mobiliza voluntários e reaproveita resíduos em uma tecnologia social reconhecida pela Fundação Banco do Brasil.
Casas de madeira com frestas passaram a receber, em Porto Alegre, placas produzidas com caixas de leite reutilizadas, em uma iniciativa voltada a reduzir a entrada de frio, calor, umidade e insetos em moradias precárias.
Conduzido pela Associação Brasil Sem Frestas Porto Alegre, o projeto foi certificado em 2026 como tecnologia social pela plataforma Transforma!, da Fundação Banco do Brasil, que reúne iniciativas com resultados comprovados e potencial de reaplicação.
O revestimento usa embalagens longa vida descartadas para proteger paredes de madeira e já beneficiou mais de 286 famílias, segundo o cadastro da tecnologia social mantido pela Fundação Banco do Brasil.
-
Mãe solo que trabalhava em três empregos recebe casa de 111 m² impressa em 3D, paredes de concreto foram feitas em 12 horas, imóvel tem 3 quartos, 2 banheiros e até impressora para repor peças
-
O que parecia apenas ferrugem pode transformar a fachada: técnica simples para renovar grades de janela ganha destaque ao recuperar estruturas metálicas antigas e devolver aparência mais cuidada sem necessidade de substituição completa
-
Casal comprou o último moinho de vento de Suffolk, de 1891, e em 2 anos transformou a torre de 4 andares numa moradia improvável com sala-mirante de zinco, hoje hospedagem de luxo na Inglaterra
-
Inspirados em construções que o filho viu na Escócia, pai e filho erguem pedra por pedra uma casa circular de parede de 97 cm no interior de Santa Catarina e transformam a obra num novo polo de agroturismo
Na prática, a ação combina voluntariado, reaproveitamento de resíduos e melhoria das condições internas de casas ocupadas por pessoas em situação de vulnerabilidade social, especialmente em territórios urbanos com moradias improvisadas.
Como caixas de leite viram proteção para casas de madeira
O método parte de um material presente no consumo cotidiano e transforma embalagens descartadas em placas térmicas usadas como revestimento, após etapas de arrecadação, triagem, higienização, corte e costura.
Fixadas nas áreas com aberturas, essas placas criam uma camada adicional entre o ambiente externo e o interior da residência, diminuindo a exposição direta das famílias ao vento, à umidade e às variações de temperatura.

Embora não substitua uma reforma estrutural ampla, a solução melhora a proteção de casas onde as frestas entre tábuas aumentam o desconforto térmico e facilitam a entrada de pequenos animais e insetos.
De acordo com a plataforma Transforma!, a tecnologia social é aplicada sobretudo em moradias improvisadas de territórios vulneráveis, onde pequenas aberturas nas paredes afetam diretamente a rotina e a saúde dos moradores.
Projeto começou em Porto Alegre durante a pandemia
Inspirada em uma iniciativa criada em 2009 em Passo Fundo, também no Rio Grande do Sul, a Associação Brasil Sem Frestas Porto Alegre iniciou suas atividades em 2021 e passou a se estruturar como organização em 2023.
A mobilização ganhou força a partir de voluntários sensibilizados pela situação de famílias que viviam em casas de madeira com pouca proteção contra frio, chuva, calor e insetos.
Com o avanço das ações, o grupo organizou pontos de coleta, definiu etapas padronizadas de produção das placas e passou a realizar mutirões para instalar o revestimento nas residências selecionadas.
Escolas, empresas, condomínios, prefeituras e moradores ajudam a arrecadar embalagens longa vida, enquanto voluntários assumem a preparação do material e participam das instalações realizadas nas comunidades atendidas.
Números mostram alcance da tecnologia social
Os indicadores registrados pela Fundação Banco do Brasil apontam 286 casas revestidas, aproximadamente 1.300 pessoas beneficiadas e mais de 346 mil embalagens longa vida reaproveitadas pelo projeto em Porto Alegre.

Também constam na plataforma 154 voluntários ativos, 63 associados e 18 colaboradores recorrentes, números que ajudam a dimensionar uma ação dependente de coleta organizada, mão de obra voluntária e articulação comunitária.
Há uma pequena divergência numérica dentro da própria página da tecnologia social, já que o resumo cita mais de 286 famílias, enquanto a seção de resultados menciona 283 casas revestidas.
Por esse motivo, a referência mais segura é manter a informação de mais de 286 famílias beneficiadas quando o dado estiver associado ao cadastro principal divulgado pela Fundação Banco do Brasil.
Além das caixas de leite, a iniciativa encaminhou 6.485,99 quilos de tampinhas para reciclagem, conforme os indicadores da plataforma, ampliando a dimensão ambiental de uma solução voltada à moradia.
Mutirões avaliam casas antes da instalação
Antes da instalação das placas, voluntários realizam visitas técnicas às comunidades para avaliar as condições estruturais das residências, a situação das famílias e a urgência de cada intervenção.
A partir desse diagnóstico, as equipes organizam mutirões, instalam o revestimento nas paredes de madeira e acompanham o resultado junto aos moradores, com registros antes e depois da intervenção.
Segundo a Fundação Banco do Brasil, o acompanhamento inclui escuta das famílias e retornos às casas para avaliar a conservação do revestimento e os efeitos percebidos depois da aplicação.
Entre os resultados relatados por famílias atendidas estão melhora no conforto térmico, redução de doenças respiratórias e alergias, maior sensação de segurança e valorização emocional do lar.
Reaproveitamento reduz descarte e amplia educação ambiental

Além da instalação das placas, o projeto desenvolve campanhas de conscientização ambiental, palestras sobre consumo responsável e atividades com escolas e organizações parceiras para ampliar a participação da comunidade.
A proposta conecta o descarte correto de embalagens a uma solução concreta para famílias que vivem em casas com pouca proteção, aproximando educação ambiental e melhoria das condições de moradia.
Classificada nas áreas de meio ambiente e saúde pela Fundação Banco do Brasil, a tecnologia social retira resíduos do fluxo de descarte e busca tornar os ambientes internos mais protegidos.
Para funcionar com regularidade, a execução exige embalagens em boas condições, higienização adequada, cortes padronizados e costura resistente, além de organização prévia dos mutirões em cada comunidade atendida.
O público beneficiado inclui famílias de baixa renda, crianças, idosos, mulheres, gestantes, afrodescendentes, povos indígenas e população em geral, conforme a descrição da tecnologia social na plataforma Transforma!.
Em casas onde frestas deixavam entrar vento, chuva e variações de temperatura, embalagens longa vida passam a cumprir outra função depois de descartadas, lavadas, cortadas e costuradas.
O resultado é uma barreira simples, de baixo custo e organizada por trabalho voluntário, criada para reduzir a exposição de famílias que seguem vivendo em moradias de madeira com pouca proteção.
