Conversas mencionavam vítima, armas, veneno e uma data para o ataque, levando autoridades brasileiras a prenderem o suspeito antes do possível crime.
A criança tinha apenas 8 anos. Além disso, conforme as mensagens, o crime seria cometido no dia seguinte à prisão.
Diante da gravidade, a OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, enviou um alerta ao FBI.
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Posteriormente, o órgão americano encaminhou as informações ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, que acionou a Polícia Civil do Espírito Santo.
Assim, as autoridades conseguiram localizar e prender o suspeito antes da data mencionada nas conversas.
Mensagens apresentavam detalhes do possível crime
Durante as conversas, o homem escreveu que estaria com uma arma, uma corda e veneno.
Além disso, ele mencionou a intenção de realizar ataques em espaços públicos.
O suspeito também afirmou que tentou contratar um pistoleiro por R$ 50 mil para matar o filho.
Entretanto, segundo o relato, a proposta foi recusada depois que o possível contratado descobriu que a vítima seria uma criança.
Em outra mensagem, o homem questionou a origem de sua vontade de matar pessoas. Ao mesmo tempo, declarou gostar de observar o sofrimento alheio.
Portanto, as conversas reuniam elementos considerados graves, como vítima identificada, métodos, instrumentos e uma data próxima.
Como o ChatGPT identifica ameaças
A OpenAI informou ao g1 que seus sistemas foram desenvolvidos para proteger os usuários e outras pessoas.
Primeiramente, a análise é realizada por sistemas automatizados, que conseguem classificar conteúdos e interpretar o contexto das mensagens.
Além disso, o processo utiliza listas de termos proibidos e bancos de dados com materiais anteriormente sinalizados.
Quando uma conversa apresenta indícios de risco, ela pode ser encaminhada para moderadores humanos.
Então, esses profissionais analisam se houve violação das políticas e verificam a possibilidade real de um ato violento.
Caso o risco seja considerado baixo, nenhuma medida extrema precisa ser adotada.
Porém, diante de uma ameaça iminente e crível, a conta pode ser desativada. Além disso, autoridades competentes podem ser avisadas.

Padrão das conversas aumentou a gravidade
Segundo Álvaro Machado Dias, professor da Universidade Federal de São Paulo, assistentes digitais analisam conteúdos principalmente por mecanismos automáticos.
No entanto, o caso do Espírito Santo ultrapassou o limite de risco porque havia uma vítima, meios disponíveis e uma data definida.
Por isso, segundo o especialista, o alerta atingiu o nível máximo de severidade.
Em comunicado publicado em abril de 2026, a OpenAI afirmou que certos perigos aparecem somente após a análise de conversas mais longas.
Ou seja, uma única mensagem pode parecer inofensiva. Entretanto, o conjunto das interações pode revelar um comportamento mais preocupante.
Alerta internacional chegou à polícia brasileira
Depois de receber o comunicado da OpenAI, o FBI enviou o material ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Em seguida, as informações foram repassadas à Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos do Espírito Santo.
A equipe cumpriu mandados judiciais e prendeu o homem em 19 de junho.
Segundo o delegado Ícaro Olímpio, o suspeito negou as acusações.
Contudo, o histórico de conversas fornecido pela OpenAI apresentou elementos suficientes para justificar a ação preventiva.
De acordo com o delegado Breno Andrade, em entrevista à TV Gazeta, esse foi apenas o terceiro alerta semelhante recebido no Brasil.
Especialista defende canal direto no Brasil
Embora tenha considerado correta a comunicação do caso, Álvaro Machado Dias criticou o envio inicial ao FBI.
Segundo ele, o alerta deveria ter sido encaminhado diretamente à Polícia Federal ou ao Ministério da Justiça.
Ainda assim, o especialista reconheceu a lógica da OpenAI, que possui sede nos Estados Unidos e contato com autoridades americanas.
Ao mesmo tempo, ele defendeu a criação de um canal brasileiro específico para receber denúncias produzidas por plataformas de inteligência artificial.
Dessa forma, as investigações poderiam começar mais rapidamente em situações de risco.
Por fim, o professor ressaltou que conversas com o ChatGPT não possuem segredo profissional.
Portanto, embora algumas pessoas tratem a inteligência artificial como terapeuta ou advogado, o sistema não exerce nenhuma dessas funções.
Você acredita que empresas de inteligência artificial devem comunicar imediatamente às autoridades conversas que indiquem ameaças reais contra outras pessoas? Deixe sua opinião!
