Imagens de circuito interno registraram o exato momento em que o garoto perdeu o equilíbrio e se apoiou sobre a tela durante visita a uma exposição badalada na capital taiwanesa
Um momento de descuido durante uma visita escolar transformou-se em um dos episódios mais comentados do mundo da arte em 2015. Um menino de 12 anos passou por uma situação extremamente constrangedora ao tropeçar dentro de uma exposição de pinturas renascentistas em Taipei, capital de Taiwan, e acabar danificando uma obra avaliada em milhões de dólares.
O caso aconteceu durante uma visita guiada, quando o garoto caminhava distraído, com um copo na mão, prestando atenção às explicações do guia. Sem perceber o obstáculo à frente, ele perdeu o equilíbrio e caiu para frente. Na tentativa de se apoiar, sua mão atingiu diretamente a tela emoldurada, abrindo um buraco do tamanho de um punho na parte inferior direita da pintura.
A obra atingida, intitulada “Flores”, é uma pintura a óleo do artista italiano Paolo Porpora, com mais de 350 anos de história. Avaliada em US$ 1,5 milhão — o equivalente a aproximadamente R$ 5,2 milhões na cotação da época —, a peça é considerada rara: trata-se da única obra assinada de Porpora em exibição pública conhecida. A informação foi divulgada em 25 de agosto de 2015 pelo jornal britânico The Guardian, com base em relatos dos organizadores da mostra, e também repercutiu no Brasil por meio do portal Extra.
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Um acidente registrado por câmeras e a reação dos organizadores da exposição
As câmeras de monitoramento interno da exposição captaram cada detalhe do episódio. No vídeo, é possível ver o menino andando descontraído pelo espaço, segurando um copo, até o instante em que tropeça e cai com o corpo praticamente em direção à parede onde estava a tela. O impacto foi suficiente para rasgar parte da pintura, mas não para deslocar a moldura ou causar danos estruturais mais graves à obra.
Segundo o organizador da mostra, Sun Chi-hsuan, em depoimento concedido na época à imprensa internacional, o garoto ficou extremamente nervoso após o ocorrido. De acordo com seu relato, reproduzido pelo jornal britânico, o canto inferior direito da pintura sofreu o impacto direto da mão da criança, resultando em um furo visível na tela centenária.
Apesar da gravidade aparente do incidente, a postura do museu chamou atenção pela tranquilidade. Os responsáveis pela exposição optaram por não responsabilizar o menino ou sua família pelo ocorrido, classificando o episódio como um acidente raro e isolado. Nesse sentido, a reparação financeira da obra ficou a cargo do seguro contratado especificamente para a realização da mostra — prática comum em exposições que reúnem peças de altíssimo valor histórico e financeiro.
Restauração rápida e detalhes sobre a importância da obra de Porpora
Diante da repercussão do caso, a equipe de conservação do museu agiu rapidamente. Contando com a presença de um especialista italiano que já acompanhava a exposição, a pintura foi retirada de circulação por um curto período para passar por um processo de restauração local. Pouco tempo depois, a obra já havia retornado à visitação pública, reintegrada ao conjunto de peças expostas.
Por outro lado, o caso também trouxe à tona detalhes sobre a relevância histórica da pintura danificada. Segundo o chefe de conservação do museu, Tsai Shun-Jen, a fragilidade da peça era conhecida havia tempos, já que se trata de uma das raras pinturas remanescentes do acervo do artista napolitano Paolo Porpora, nascido no início do século XVII. Ainda que tenha começado sua trajetória artística em Nápoles, Porpora se consolidou profissionalmente em Roma, onde trabalhou diretamente para a influente família Chigi — uma das mais relevantes dinastias da aristocracia italiana da época.
A exposição em que o incidente ocorreu reunia peças de grande valor histórico, incluindo retratos atribuídos a Leonardo da Vinci e outras 55 pinturas selecionadas, segundo os organizadores, entre os acervos de “alguns dos melhores colecionadores de arte do mundo”. Diante desse contexto, o episódio do menino ganhou ainda mais notoriedade internacional, não apenas pelo valor financeiro envolvido, mas também pela raridade da peça atingida.
Ainda assim, o caso reforça um debate recorrente entre museus e curadores: o equilíbrio entre tornar obras raras acessíveis ao público e garantir sua proteção física diante de imprevistos. Episódios como esse, embora pontuais, mostram como pequenos deslizes podem gerar grandes repercussões quando envolvem patrimônio artístico de valor histórico elevado — e como a previdência por meio de seguros tem se tornado prática cada vez mais comum entre grandes exposições internacionais.

