Achado na Ilha de Wight preservou embriões, larvas, tecidos moles e estruturas reprodutivas, indicando que moluscos de água doce já protegiam seus filhotes no início do Cretáceo, durante a era dos dinossauros
Um fóssil de molusco de 125 milhões de anos encontrado na Ilha de Wight, na Inglaterra, revelou embriões e larvas microscópicos preservados dentro do animal. Segundo os pesquisadores, a descoberta é a evidência mais antiga conhecida de cuidado materno em moluscos e mostra uma estratégia reprodutiva já presente no início do Cretáceo.
Fóssil preservou embriões, larvas e tecidos moles raros
A descoberta foi publicada na revista Scientific Reports e anunciada por pesquisadores do Instituto Geológico e Mineiro da Espanha, ligado ao CSIC, que lideraram o estudo internacional.
O material analisado não preservou apenas a concha do animal. Os cientistas identificaram tecidos moles fossilizados, estruturas reprodutivas, tecido branquial e filhotes em desenvolvimento dentro do molusco.
-
Aos 17 anos, Justin Bernstein criou bactérias que produzem vidro sobre o gelo do Ártico para refletir o sol e frear o degelo, e ganhou bolsa de US$ 50 mil nos EUA
-
Depois de tirar 6 mil TV Boxes de “gatonet” das ruas, Receita Federal entrega aparelhos apreendidos a estudantes do IFSP, que arrancam a pirataria, instalam Linux e transformam caixinhas ilegais em minicomputadores para escolas e projetos sociais de mais de 70 municípios paulistas
-
Engenheiro mecatrônico de 26 anos deixou os robôs em segundo plano para criar próteses 3D mecânicas sob medida, que abrem e fecham com o movimento do cotovelo ou do pulso, não dependem de bateria e ajudam crianças e adolescentes a ganhar peças personalizadas com custo muito menor que modelos tradicionais
-
China abandonou 51 corpos de foguetes na órbita baixa da Terra entre 2021 e 2025, mais que o dobro do período anterior, e um relatório da LeoLabs aponta que três explosões recentes criaram lixo espacial capaz de ameaçar satélites militares e comerciais por décadas ou até séculos
Esse ponto torna o achado incomum, porque tecidos moles normalmente se decompõem logo após a morte do animal e raramente sobrevivem ao processo de fossilização.
O fóssil pertencia à espécie Margaritifera valdensis, um molusco de água doce ancestral e parente distante dos mexilhões de água doce modernos.

Universidade de Portsmouth
Ilha de Wight guarda novo registro da vida na era dos dinossauros
O fóssil de molusco foi encontrado na Ilha de Wight, região inglesa conhecida por restos da era Cretácea. O local também é famoso por revelar fósseis de dinossauros, como o Iguanodon.
Para os pesquisadores, o exemplar funciona como um raro “berçário” fossilizado. Ele preserva diferentes estágios de desenvolvimento dentro das brânquias do molusco, incluindo células semelhantes a embriões e larvas mais desenvolvidas.
O Dr. Martin C. Munt, especialista em moluscos fósseis e professor visitante da Universidade de Portsmouth, afirmou que esta é a evidência fóssil mais antiga conhecida de que esses moluscos cuidavam e protegiam seus filhotes em desenvolvimento.
Segundo ele, até agora essa estratégia reprodutiva era conhecida apenas em espécies vivas.
Estratégia reprodutiva já existia no início do Cretáceo
Mexilhões de água doce modernos têm um ciclo reprodutivo complexo. Seus filhotes se desenvolvem dentro das brânquias da mãe antes de serem liberados na água, onde se fixam temporariamente em peixes como parte do ciclo de vida.
De acordo com a pesquisadora Dra. Aleksandra Skawina, os novos fósseis demonstram que essa estratégia reprodutiva já havia evoluído no início do Cretáceo.
A equipe também encontrou indícios de como o molusco ancestral ajudava os descendentes a crescer. Pequenos depósitos minerais preservados nas brânquias parecem ter funcionado como reservas de cálcio.
Segundo os pesquisadores, essas reservas poderiam ajudar as larvas em desenvolvimento a formar suas conchas, em um processo semelhante ao observado atualmente em mexilhões de água doce.

Crédito:Universidade de Portsmouth
Descoberta do molusco ajuda a explicar material estudado desde o século XIX
O estudo também pode esclarecer um mistério discutido há mais de um século. Os pesquisadores encontraram evidências sobre a origem da “molusquita”, material escuro descrito pela primeira vez pelo paleontólogo britânico Gideon Mantell no século XIX.
Segundo o geoquímico Rafael P. Lozano, a análise mostrou que esse material é composto por tecidos moles fossilizados e estruturas reprodutivas preservadas por minerais.
Para os cientistas, o achado não é apenas um registro raro de reprodução antiga. Ele também ajuda a entender como moluscos de água doce se adaptaram à vida em rios e lagos milhões de anos atrás.
Munt afirmou que, durante décadas, cientistas procuraram evidências diretas de reprodução em mexilhões de água doce antigos. Por isso, a descoberta é considerada um avanço importante para compreender a história evolutiva desses animais.
Esta matéria foi elaborada com base em informações da Scientific Reports e do Instituto Geológico e Mineiro da Espanha, ligado ao CSIC, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

