Sensores submarinos do projeto MULTI-MAREX (GEOMAR Helmholtz Centre for Ocean Research Kiel) detectaram entre janeiro e fevereiro de 2025 que cerca de 300 milhões de metros cúbicos de magma migraram pelo subsolo da região entre Santorini e o vulcão submarino Kolumbo, ao norte de Santorini, na Grécia. O resultado foi um enxame sísmico recorde, com mais de 28 mil tremores em poucas semanas.
Conforme a GFZ Helmholtz Centre for Geosciences, o magma estagnou a 4 quilômetros abaixo do leito do mar Egeu. Em paralelo, o solo da região afundou cerca de 30 cm em um único dia em pontos específicos, conforme medições InSAR de satélite.
O Kolumbo fica a 7 quilômetros a nordeste de Santorini. Conforme o Volcano Discovery, a sua última erupção, em 1650, gerou tsunami que matou cerca de 70 pessoas em ilhas vizinhas e ainda hoje é referência para os cenários de risco da região.
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Os números do enxame sísmico do Kolumbo, conforme GEOMAR, GFZ e Greek Earthquake Planning and Protection Organization (OASP), contam a história em cinco pontos:
- 28.000 tremores registrados entre janeiro e fevereiro de 2025 na região Santorini-Anafi-Amorgos-Ios
- 300 milhões de m³ de magma em migração ascendente, intrusão a 4 km abaixo do leito marinho
- 30 cm de afundamento em um único dia em pontos específicos do solo
- 1,5 km de diâmetro da cratera do Kolumbo, com 500 metros de profundidade
- 70 mortos em ilhas vizinhas pela última erupção do Kolumbo, em 1650

O que significa magma se acumulando 4 km abaixo do leito marinho
O fenômeno principal foi descrito pela equipe internacional como uma “intrusão dique-soleira” (sill intrusion). Conforme o GFZ, o magma subiu pela crosta como uma camada horizontal e se acomodou a 4 km de profundidade, sem chegar ao topo do edifício vulcânico.
Em paralelo, esse acúmulo gerou tensão na rocha ao redor. Por isso, milhares de tremores menores começaram a se propagar em rede, marcando o caminho que o magma seguiu desde a câmara profunda até o ponto de estagnação.
Os tremores não foram pequenos demais. Conforme a Discover Magazine, vários atingiram magnitude entre 4,5 e 5,3 na escala Richter, com epicentros entre Santorini, Anafi, Amorgos e Ios.
O time do GEOMAR usou inteligência artificial para detectar e classificar cada tremor. Em paralelo, modelos automáticos identificaram a sequência das origens, gerando mapa em 3D do trajeto do magma.
A constatação foi inédita. Conforme Marius Kriegerowski, do GFZ, “vimos pela primeira vez, em tempo real, o trajeto da migração de magma sob um sistema vulcânico ativo do Mediterrâneo”.

O Kolumbo, vulcão pouco conhecido com história mortal
O Kolumbo faz parte de um campo vulcânico maior de mais de 26 estruturas submarinas catalogadas. Conforme dados oficiais, a sua cratera tem 1,5 km de diâmetro e 500 metros de profundidade.
Em paralelo, o topo do edifício vulcânico fica entre 15 e 18 metros abaixo da superfície do mar. Por isso, é raso o suficiente para representar risco direto a navegação e gerar tsunami em caso de erupção explosiva.
Conforme registros históricos, a erupção de 1650 foi violenta. A coluna de cinzas chegou a milhares de metros, gases tóxicos sufocaram pessoas e animais em Santorini, e o tsunami atingiu Ios, Sikinos, Folegandros e até Creta.
O fundo da cratera atual abriga um dos campos hidrotermais mais ativos do Mediterrâneo. Em paralelo, fumarolas expelem água superquente e gases continuamente, depositando minério metálico de tipo Kuroko ao longo do tempo geológico.
Conforme o EOS, esse mesmo sistema hidrotermal pode acelerar erupções futuras se o magma quente em ascensão entrar em contato com a água da câmara hidrotermal pressurizada.

O que MULTI-MAREX e o GEOMAR Helmholtz fazem em Santorini
O projeto MULTI-MAREX é uma iniciativa internacional liderada pelo GEOMAR Helmholtz Centre for Ocean Research Kiel, na Alemanha. Conforme o GEOMAR, o foco é monitorar em tempo real os sistemas vulcânicos submarinos do Mediterrâneo via sensores no leito marinho.
Em paralelo, a infraestrutura inclui sismômetros submarinos de banda larga, sensores de pressão para detectar deformação do leito, e equipamentos de medição de gases dissolvidos. Por isso, qualquer alteração química na água sobre o vulcão é detectada quase instantaneamente.
Conforme o programa, a leitura de janeiro a fevereiro de 2025 foi a mais densa já registrada para o Kolumbo. Os sensores captaram desde tremores micrométricos até a inflação medida do solo associada à intrusão de magma.
Em paralelo, o time complementou os dados marinhos com interferometria de satélite (InSAR), que mede deformação do solo via radar. A combinação revelou os 30 cm de afundamento concentrados em pontos específicos.
Conforme dezembro de 2025, missão internacional ampliou o monitoramento. Foram instalados novos sensores e iniciada cooperação reforçada com universidades gregas para resposta rápida em futuros enxames.
Risco de erupção e tsunami: o que dizem os cientistas
O risco imediato de erupção é considerado baixo neste momento, conforme avaliação da OASP grega. Em paralelo, a estagnação do magma a 4 km de profundidade indica que a pressão pode dissipar sem chegar à superfície.
Já o cenário de longo prazo é outro. Conforme o estudo grego publicado em março de 2026, mesmo erupções moderadas de Kolumbo geram tsunami que pode atingir 5 a 8 metros nas ilhas vizinhas. Em Creta, a propagação chegaria em 30-45 minutos.
O governo grego declarou estado de emergência em Santorini em fevereiro de 2025. Conforme registros, mais de 11 mil pessoas foram retiradas preventivamente, embora não tenha havido erupção propriamente dita.
O turismo da ilha, que recebe cerca de 3 milhões de visitantes/ano e responde por 30% da economia local, foi gravemente afetado durante a crise. Em paralelo, em abril de 2026 a Grécia anunciou novas restrições ao acesso de áreas costeiras consideradas zona de risco.
Conforme o CPG cobriu na cobertura sobre o uso de tecnologia de monitoramento remoto pelo James Webb, o avanço de sensores e IA está transformando todas as áreas das ciências da Terra e do espaço, com janela de previsão e prevenção cada vez mais ampla.

O Brasil é território vulcanicamente quase morto
O Brasil tem geologia oposta à de Santorini. Conforme a USP, todos os vulcões em terras nacionais são extintos há dezenas de milhões de anos, com a última atividade conhecida na ilha de Trindade há cerca de 30 milhões de anos.
Em paralelo, o monitoramento sísmico nacional é coordenado pela Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), com cerca de 90 estações distribuídas pelo país. Por isso, o foco é tectônica de placa interna, não vulcanismo ativo.
Conforme dados oficiais, o tremor mais forte registrado no Brasil foi o de Mato Grosso em 1955, com magnitude 6,2. Já o de João Câmara (RN), em 1986, com 5,1, foi o mais destrutivo, com 4 mil casas afetadas.
Em paralelo, o Brasil contribui com a comunidade internacional via cooperação técnica e formação de cientistas. A Universidade de São Paulo, a UFRJ e o INPE formam vulcanólogos brasileiros que atuam em projetos como o MULTI-MAREX.
A vantagem geológica brasileira tem custo. Conforme especialistas, a ausência de vulcanismo ativo significa também ausência de fontes geotérmicas naturais, recursos minerais hidrotermais e oportunidade de geração de energia renovável.
O que vem depois do enxame de janeiro de 2025
Após o pico em janeiro-fevereiro, a atividade sísmica caiu progressivamente. Em paralelo, o monitoramento contínuo segue ativo, com leituras detalhadas publicadas mensalmente pelo GEOMAR.
Conforme abril de 2026, novas restrições foram anunciadas pelo governo grego em zonas de risco específicas de Santorini. Em paralelo, o turismo se recuperou parcialmente, embora abaixo dos níveis pré-2025.
O cenário científico monitora dois marcadores principais. Já o primeiro é nova intrusão de magma migrando rumo à superfície. O segundo é elevação súbita do edifício vulcânico, sinal de pressurização da câmara hidrotermal.
Conforme o Greek Reporter, estudos publicados em 2026 projetam cenários de tsunami em diferentes magnitudes de erupção. Em paralelo, planos de evacuação foram revisados com base nesses cenários.
O caso Kolumbo virou referência global. Em paralelo, a instrumentação e o time aplicam metodologia similar agora a outros vulcões submarinos do Egeu, do Tirreno e do Atlântico Oriental.
Vale ressaltar, contudo, que cenários de erupção e tsunami no Kolumbo permanecem probabilísticos, sem confirmação de erupção iminente. O monitoramento contínuo do GEOMAR Helmholtz Centre e do GFZ é a base da resposta de emergência grega. A matéria será atualizada conforme novos enxames sísmicos sejam detectados ou novas intrusões de magma identificadas.
