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Mel de abelhas sem ferrão pode custar até R$ 600 o litro e surpreende com sabores que lembram madeira, frutas cítricas e até queijo

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Escrito por Viviane Alves Publicado em 27/06/2026 às 02:41 Atualizado em 27/06/2026 às 02:43
Abelha sem ferrão carregando pólen próximo à colmeia, espécie nativa que produz mel raro e valorizado no Brasil.
Abelhas sem ferrão formam colônias menores e produzem menos mel, fator que contribui para o preço elevado do produto.
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Brasil possui mais de 250 espécies de abelhas sem ferrão, responsáveis por méis raros, líquidos e valorizados pelos sabores incomuns

Um produto natural encontrado no Brasil chama atenção pelo preço elevado, pela oferta limitada e, principalmente, pelas características sensoriais pouco comuns.

O mel produzido por abelhas sem ferrão pode custar até R$ 600 o litro. Em comparação, o produto das abelhas africanizadas custa, em média, R$ 47.

A pesquisadora Fábia de Mello Pereira, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa, explica que os méis nativos começam em R$ 120.

O valor, entretanto, pode alcançar R$ 600, dependendo da espécie produtora e da disponibilidade do produto.

Algumas variedades ainda apresentam aromas e sabores que lembram madeira, notas cítricas e até queijo.

Baixa produção ajuda a explicar o preço elevado

A diferença de preço está diretamente relacionada à capacidade produtiva das abelhas sem ferrão, que são nativas do Brasil.

Esses insetos formam colônias menores e permanecem ativos durante menos horas ao longo do dia.

A produção anual, consequentemente, é inferior à quantidade obtida pelas abelhas africanizadas.

As abelhas com ferrão formam colônias maiores e trabalham durante períodos mais longos. Dessa maneira, produzem volumes superiores de mel.

A oferta ampliada reduz o preço comercial. Já a produção limitada transforma o mel nativo em um item raro e valorizado.

Variedades de mel apresentam cores, aromas, texturas e sabores distintos conforme a espécie de abelha e a origem da produção.
Frascos com diferentes tonalidades de mel de abelhas sem ferrão organizados sobre uma tábua de madeira.

Umidade e fermentação criam sabores únicos

O mel de abelhas sem ferrão possui maior quantidade de água. Por isso, apresenta textura mais líquida e sabor geralmente mais ácido.

A umidade também favorece a fermentação natural, processo que modifica aromas, sabores e outras características do alimento.

O produto é armazenado em pequenos potes de cerume, material elaborado pelas próprias abelhas.

Segundo a bióloga e mestra em entomologia Kátia Aleixo, a combinação desses fatores contribui para a formação de sabores únicos.

Algumas variedades lembram madeira. Outras apresentam notas cítricas, salgadas ou semelhantes ao queijo.

Brasil reúne mais de 250 espécies nativas

O Brasil possui mais de 250 espécies conhecidas de abelhas sem ferrão, conforme informações divulgadas pela Embrapa em 2025 e 2026.

Cerca de 100 dessas espécies contam com iniciativas de criação no país, segundo Kátia Aleixo.

O mel das abelhas nativas recebe o nome da espécie responsável pela produção.

Entre os tipos mais conhecidos estão os méis de jataí, mandaçaia, tiúba e borá.

O mel das abelhas africanizadas, por sua vez, é classificado conforme a florada utilizada para a coleta do néctar.

Laranjeira, eucalipto, silvestre, cipó-uva e bracatinga estão entre as variedades mais conhecidas.

Principais méis de abelhas sem ferrão

Borá

O mel de borá é considerado uma iguaria. Seu sabor suave apresenta um toque salgado que lembra queijo.

A variedade combina com saladas, peixes, carnes leves e outros pratos salgados.

Jataí

O mel de jataí possui coloração clara, acidez delicada e aroma semelhante à madeira.

A produção ocorre em diferentes regiões brasileiras. O produto também é valorizado por suas propriedades medicinais.

Mandaçaia

O mel de mandaçaia pode apresentar aparência clara ou quase transparente.

Seu sabor é suave e possui um leve toque cítrico. A produção concentra-se principalmente nas regiões Sul e Sudeste.

Tiúba ou uruçu-cinzenta

O mel de tiúba apresenta sabor doce, aparência translúcida e aroma floral marcante.

A variedade é produzida especialmente nos estados do Maranhão e Pará.

Méis de abelhas com ferrão também possuem variedades

Laranjeira e eucalipto

O mel de laranjeira tem coloração clara e sabor levemente ácido. Sua produção ocorre principalmente em São Paulo e Minas Gerais.

O mel de eucalipto apresenta tonalidade escura e contém minerais. Tradicionalmente, também é usado como expectorante no Sul e Sudeste.

Bracatinga

O mel de bracatinga, também chamado de melato, possui uma origem diferente.

A produção utiliza um líquido açucarado liberado por cochonilhas que consomem a seiva da árvore de bracatinga.

A Associação Brasileira de Estudos das Abelhas informa que esse mel possui cor escura, menor teor de glicose e presença de minerais.

Silvestre e cipó-uva

O mel silvestre reúne néctares coletados em diferentes flores. Por essa razão, pode ser encontrado em várias regiões brasileiras.

O mel de cipó-uva possui aparência quase transparente e é produzido principalmente em áreas do Cerrado, como Minas Gerais.

Diferentes variedades de mel apresentam cores, texturas e sabores próprios, influenciados pela espécie de abelha e pela origem do néctar.
Frascos de mel em diferentes tonalidades ao lado de um pegador de madeira derramando mel em uma tigela.

Diversidade ainda aparece pouco nos supermercados

Os supermercados vendem, principalmente, méis produzidos por abelhas africanizadas.

Muitos rótulos não identificam a flor que originou o produto. Nesses casos, o mel pode reunir diferentes floradas em uma única mistura.

Essa oferta limitada não representa a ampla diversidade brasileira.

Os méis encontrados no país apresentam diferentes cores, texturas, aromas e sabores, variando do intensamente doce ao mais ácido.

Qual dessas variedades você teria mais curiosidade de experimentar: um mel com aroma de madeira ou outro com sabor semelhante ao queijo? Deixe sua opinião!

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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