Stargazer é o projeto hipersônico da Venus Aerospace para voar a Mach 9, usando motor de detonação rotativa e altitude de até 110 mil pés.
Enquanto empresas como Boom Supersonic tentam trazer de volta os voos acima da velocidade do som e gigantes como SpaceX apostam em foguetes reutilizáveis para reduzir custos de acesso ao espaço, uma startup do Texas tenta seguir um caminho ainda mais extremo: construir um avião capaz de voar a Mach 9, atingir velocidades próximas de 11 mil km/h e cruzar oceanos em menos tempo do que muitos passageiros passam esperando o embarque em um aeroporto.
O projeto se chama Stargazer e é desenvolvido pela Venus Aerospace. A proposta mistura características de avião hipersônico, aeronave suborbital e sistema reutilizável de alta velocidade. Segundo a empresa, o objetivo é criar uma aeronave capaz de transportar passageiros em viagens globais extremamente rápidas usando um conjunto de propulsão baseado em motores de detonação rotativa e ramjets avançados.
Stargazer quer atingir Mach 9 e entrar em uma faixa de velocidade onde aviões comerciais nunca operaram
A Venus Aerospace afirma que o Stargazer foi concebido para alcançar velocidades de até Mach 9. Dependendo da altitude, isso representa algo próximo de 10.900 km/h a 11.000 km/h, valor muito superior ao desempenho de qualquer aeronave comercial já colocada em serviço.
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A Venus Aerospace promete um motor hipersônico de detonação rotativa que leva o Stargazer a Mach 9 e cruza oceanos em 1 hora, mas o voo que fez história mal passou da velocidade do som
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Para efeito de comparação, o Concorde operava em torno de Mach 2,04, equivalente a aproximadamente 2.180 km/h.

Na prática, o Stargazer pretende voar mais de quatro vezes mais rápido que o lendário supersônico franco-britânico.
Empresa fala em Nova York–Paris em menos de uma hora e viagens globais em tempo recorde
O principal argumento da Venus Aerospace é a redução drástica dos tempos de viagem. A empresa afirma que sua tecnologia poderá permitir rotas como Nova York–Paris em menos de uma hora e deslocamentos intercontinentais de cerca de 5.000 milhas em aproximadamente uma hora de voo.
Hoje, um voo comercial convencional entre Nova York e Paris normalmente leva entre sete e oito horas. Segundo materiais divulgados pela empresa, a ambição é transformar trajetos transoceânicos em deslocamentos comparáveis a voos domésticos de curta duração.
É importante destacar que essas estimativas representam metas futuras do projeto e não capacidades já demonstradas em voo.
Altitude planejada supera 33 km e coloca passageiros perto da borda do espaço
Outro número impressionante do Stargazer está na altitude operacional proposta. A Venus Aerospace afirma que a aeronave poderá voar a aproximadamente 110 mil pés, equivalentes a cerca de 33,5 km de altitude.

Isso é mais de duas vezes a altitude típica do Concorde e quase três vezes a de um avião comercial moderno.
Em materiais promocionais, a empresa afirma que passageiros poderiam observar a curvatura da Terra e a escuridão do espaço durante parte do voo.
Motor usa detonações rotativas em vez de combustão convencional
A tecnologia central do projeto é o chamado Rotating Detonation Rocket Engine (RDRE). Diferentemente de motores-foguete convencionais, que utilizam combustão contínua relativamente estável, os RDREs operam com ondas de detonação supersônicas que circulam dentro de uma câmara anular.
Segundo pesquisadores e empresas do setor, essa arquitetura pode oferecer ganhos importantes de eficiência e densidade de potência.

Estimativas frequentemente citadas apontam melhorias teóricas entre 10% e 15% na eficiência, além de redução de tamanho e massa do sistema propulsivo.
Primeiro voo do motor de detonação rotativa aconteceu em 2025
O projeto ganhou relevância internacional após um teste realizado em maio de 2025. A Venus Aerospace anunciou a conclusão do primeiro voo de demonstração nos Estados Unidos utilizando um motor-foguete de detonação rotativa de alta potência. O experimento ocorreu no Spaceport America, no Novo México.
Segundo a empresa, o teste serviu para demonstrar que o motor consegue operar fora do ambiente de laboratório e sobreviver a condições reais de voo.
A Aerospace America informou que o voo registrou aceleração próxima de 4 g, cerca de 7 segundos de propulsão ativa e subida superior a 1.200 metros, validando elementos importantes da arquitetura proposta.
Sistema final combina foguete e ramjet para acelerar além das limitações de motores comuns
O Stargazer não deverá depender apenas do RDRE. A Venus Aerospace trabalha em um conceito chamado VDR2, sigla para Venus Detonation Ramjet.
Segundo descrições técnicas divulgadas pela empresa, a proposta é combinar características de motores-foguete e ramjets para criar um sistema capaz de operar em velocidades extremamente elevadas.
A lógica é semelhante à enfrentada por vários programas hipersônicos: turbinas convencionais deixam de funcionar adequadamente em determinadas velocidades, exigindo arquiteturas de propulsão completamente diferentes.
É justamente nessa transição que a empresa aposta suas principais inovações.
Projeto ainda está distante de transportar passageiros
Apesar dos avanços recentes, o Stargazer continua sendo um programa em desenvolvimento. O teste realizado em 2025 validou apenas um componente do sistema de propulsão e não representou o voo de uma aeronave hipersônica completa.

Ainda existem desafios enormes envolvendo proteção térmica, certificação aeronáutica, materiais estruturais, segurança de passageiros e operação econômica. Nenhuma aeronave comercial de Mach 9 existe atualmente.
Por isso, as metas divulgadas pela Venus Aerospace devem ser interpretadas como objetivos tecnológicos futuros, não como capacidades operacionais já comprovadas.
Interesse militar e espacial também ajuda a impulsionar o desenvolvimento
O avanço dos motores de detonação rotativa não interessa apenas ao setor de transporte civil. A tecnologia desperta atenção crescente de programas espaciais, defesa e aplicações hipersônicas estratégicas.
O Washington Post destacou que empresas americanas vêm acelerando pesquisas nesse campo em meio à competição tecnológica com China e Rússia em sistemas de alta velocidade.
Além disso, motores mais compactos e eficientes podem ser úteis para veículos reutilizáveis, lançadores espaciais e futuras plataformas de voo extremo.
Ficha técnica do conceito Stargazer
- Empresa: Venus Aerospace
- País: Estados Unidos
- Categoria: aeronave hipersônica reutilizável em desenvolvimento
- Velocidade máxima projetada: Mach 9 (aproximadamente 10.900 km/h a 11.000 km/h)
- Altitude operacional planejada: cerca de 110.000 pés (33,5 km)
- Propulsão principal: sistema baseado em RDRE e VDR2
- Tecnologia central: Rotating Detonation Rocket Engine (RDRE)
- Meta de viagem: Nova York–Paris em menos de uma hora
- Meta de alcance divulgada: cerca de 5.000 milhas em aproximadamente uma hora
- Situação atual: projeto em desenvolvimento; motor testado em voo em 2025
Durante décadas, a promessa do voo hipersônico comercial ficou presa entre laboratórios, apresentações futuristas e protótipos que nunca chegaram perto de transportar passageiros. A Venus Aerospace acredita que motores de detonação rotativa podem mudar essa história.
O desafio agora não é mais provar que a ideia funciona por alguns segundos, mas demonstrar que ela consegue sobreviver ao caminho muito mais difícil entre um teste experimental e um avião capaz de cruzar oceanos a quase 11 mil km/h.


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