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Quase 10 mil km/h, 110 mil pés de altitude e Nova York–Paris em menos de uma hora: a Venus Aerospace testa motor de detonação rotativa e quer transformar o Stargazer em um avião hipersônico reutilizável de Mach 9, mas ainda precisa provar que a promessa sai do protótipo

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 31/05/2026 às 10:33
Atualizado em 31/05/2026 às 15:30
Assista o vídeoStargazer é o projeto hipersônico da Venus Aerospace para voar a Mach 9, usando motor de detonação rotativa e altitude de até 110 mil pés.
Venus Aerospace testa motor de detonação rotativa – Stargazer em um avião hipersônico reutilizável de Mach 9
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Stargazer é o projeto hipersônico da Venus Aerospace para voar a Mach 9, usando motor de detonação rotativa e altitude de até 110 mil pés.

Enquanto empresas como Boom Supersonic tentam trazer de volta os voos acima da velocidade do som e gigantes como SpaceX apostam em foguetes reutilizáveis para reduzir custos de acesso ao espaço, uma startup do Texas tenta seguir um caminho ainda mais extremo: construir um avião capaz de voar a Mach 9, atingir velocidades próximas de 11 mil km/h e cruzar oceanos em menos tempo do que muitos passageiros passam esperando o embarque em um aeroporto.

O projeto se chama Stargazer e é desenvolvido pela Venus Aerospace. A proposta mistura características de avião hipersônico, aeronave suborbital e sistema reutilizável de alta velocidade. Segundo a empresa, o objetivo é criar uma aeronave capaz de transportar passageiros em viagens globais extremamente rápidas usando um conjunto de propulsão baseado em motores de detonação rotativa e ramjets avançados.

Stargazer quer atingir Mach 9 e entrar em uma faixa de velocidade onde aviões comerciais nunca operaram

A Venus Aerospace afirma que o Stargazer foi concebido para alcançar velocidades de até Mach 9. Dependendo da altitude, isso representa algo próximo de 10.900 km/h a 11.000 km/h, valor muito superior ao desempenho de qualquer aeronave comercial já colocada em serviço.

Para efeito de comparação, o Concorde operava em torno de Mach 2,04, equivalente a aproximadamente 2.180 km/h.

Venus Aerospace testa motor de detonação rotativa e quer transformar o Stargazer em um avião hipersônico reutilizável de Mach 9
Venus Aerospace faz história com First U. S. RDRE – Teste de Força – Divulgação

Na prática, o Stargazer pretende voar mais de quatro vezes mais rápido que o lendário supersônico franco-britânico.

Empresa fala em Nova York–Paris em menos de uma hora e viagens globais em tempo recorde

O principal argumento da Venus Aerospace é a redução drástica dos tempos de viagem. A empresa afirma que sua tecnologia poderá permitir rotas como Nova York–Paris em menos de uma hora e deslocamentos intercontinentais de cerca de 5.000 milhas em aproximadamente uma hora de voo.

Hoje, um voo comercial convencional entre Nova York e Paris normalmente leva entre sete e oito horas. Segundo materiais divulgados pela empresa, a ambição é transformar trajetos transoceânicos em deslocamentos comparáveis a voos domésticos de curta duração.

É importante destacar que essas estimativas representam metas futuras do projeto e não capacidades já demonstradas em voo.

Altitude planejada supera 33 km e coloca passageiros perto da borda do espaço

Outro número impressionante do Stargazer está na altitude operacional proposta. A Venus Aerospace afirma que a aeronave poderá voar a aproximadamente 110 mil pés, equivalentes a cerca de 33,5 km de altitude.

Stargazer é o projeto hipersônico da Venus Aerospace para voar a Mach 9, usando motor de detonação rotativa e altitude de até 110 mil pés.
Venus Aerospace testa motor de detonação rotativa – Stargazer em um avião hipersônico reutilizável de Mach 9

Isso é mais de duas vezes a altitude típica do Concorde e quase três vezes a de um avião comercial moderno.

Em materiais promocionais, a empresa afirma que passageiros poderiam observar a curvatura da Terra e a escuridão do espaço durante parte do voo.

Motor usa detonações rotativas em vez de combustão convencional

A tecnologia central do projeto é o chamado Rotating Detonation Rocket Engine (RDRE). Diferentemente de motores-foguete convencionais, que utilizam combustão contínua relativamente estável, os RDREs operam com ondas de detonação supersônicas que circulam dentro de uma câmara anular.

Segundo pesquisadores e empresas do setor, essa arquitetura pode oferecer ganhos importantes de eficiência e densidade de potência.

Venus Aerospace testa motor de detonação rotativa e quer transformar o Stargazer em um avião hipersônico reutilizável de Mach 9
Venus Aerospace faz história com First U. S. RDRE – Teste de Força – Divulgação

Estimativas frequentemente citadas apontam melhorias teóricas entre 10% e 15% na eficiência, além de redução de tamanho e massa do sistema propulsivo.

Primeiro voo do motor de detonação rotativa aconteceu em 2025

O projeto ganhou relevância internacional após um teste realizado em maio de 2025. A Venus Aerospace anunciou a conclusão do primeiro voo de demonstração nos Estados Unidos utilizando um motor-foguete de detonação rotativa de alta potência. O experimento ocorreu no Spaceport America, no Novo México.

Segundo a empresa, o teste serviu para demonstrar que o motor consegue operar fora do ambiente de laboratório e sobreviver a condições reais de voo.

A Aerospace America informou que o voo registrou aceleração próxima de 4 g, cerca de 7 segundos de propulsão ativa e subida superior a 1.200 metros, validando elementos importantes da arquitetura proposta.

Sistema final combina foguete e ramjet para acelerar além das limitações de motores comuns

O Stargazer não deverá depender apenas do RDRE. A Venus Aerospace trabalha em um conceito chamado VDR2, sigla para Venus Detonation Ramjet.

Segundo descrições técnicas divulgadas pela empresa, a proposta é combinar características de motores-foguete e ramjets para criar um sistema capaz de operar em velocidades extremamente elevadas.

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A lógica é semelhante à enfrentada por vários programas hipersônicos: turbinas convencionais deixam de funcionar adequadamente em determinadas velocidades, exigindo arquiteturas de propulsão completamente diferentes.

É justamente nessa transição que a empresa aposta suas principais inovações.

Projeto ainda está distante de transportar passageiros

Apesar dos avanços recentes, o Stargazer continua sendo um programa em desenvolvimento. O teste realizado em 2025 validou apenas um componente do sistema de propulsão e não representou o voo de uma aeronave hipersônica completa.

Venus Aerospace testa motor de detonação rotativa e quer transformar o Stargazer em um avião hipersônico reutilizável de Mach 9
Venus Aerospace faz história com First U. S. RDRE – Teste de Força – Divulgação

Ainda existem desafios enormes envolvendo proteção térmica, certificação aeronáutica, materiais estruturais, segurança de passageiros e operação econômica. Nenhuma aeronave comercial de Mach 9 existe atualmente.

Por isso, as metas divulgadas pela Venus Aerospace devem ser interpretadas como objetivos tecnológicos futuros, não como capacidades operacionais já comprovadas.

Interesse militar e espacial também ajuda a impulsionar o desenvolvimento

O avanço dos motores de detonação rotativa não interessa apenas ao setor de transporte civil. A tecnologia desperta atenção crescente de programas espaciais, defesa e aplicações hipersônicas estratégicas.

O Washington Post destacou que empresas americanas vêm acelerando pesquisas nesse campo em meio à competição tecnológica com China e Rússia em sistemas de alta velocidade.

Além disso, motores mais compactos e eficientes podem ser úteis para veículos reutilizáveis, lançadores espaciais e futuras plataformas de voo extremo.

Ficha técnica do conceito Stargazer

  • Empresa: Venus Aerospace
  • País: Estados Unidos
  • Categoria: aeronave hipersônica reutilizável em desenvolvimento
  • Velocidade máxima projetada: Mach 9 (aproximadamente 10.900 km/h a 11.000 km/h)
  • Altitude operacional planejada: cerca de 110.000 pés (33,5 km)
  • Propulsão principal: sistema baseado em RDRE e VDR2
  • Tecnologia central: Rotating Detonation Rocket Engine (RDRE)
  • Meta de viagem: Nova York–Paris em menos de uma hora
  • Meta de alcance divulgada: cerca de 5.000 milhas em aproximadamente uma hora
  • Situação atual: projeto em desenvolvimento; motor testado em voo em 2025

Durante décadas, a promessa do voo hipersônico comercial ficou presa entre laboratórios, apresentações futuristas e protótipos que nunca chegaram perto de transportar passageiros. A Venus Aerospace acredita que motores de detonação rotativa podem mudar essa história.

O desafio agora não é mais provar que a ideia funciona por alguns segundos, mas demonstrar que ela consegue sobreviver ao caminho muito mais difícil entre um teste experimental e um avião capaz de cruzar oceanos a quase 11 mil km/h.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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