1. Início
  2. Petróleo e Gás
  3. Petrobras desaponta construção naval nacional: Estaleiros perdem o Filé mignon de obras para 3 navios plataformas do tipo FPSO no gigantesco campo de Búzios, no pré-sal
RJ
3 min de leitura

Petrobras desaponta construção naval nacional: Estaleiros perdem o Filé mignon de obras para 3 navios plataformas do tipo FPSO no gigantesco campo de Búzios, no pré-sal

Imagem de perfil do autor Paulo Nogueira
Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 02/08/2020 às 08:30 Atualizado em 02/08/2020 às 09:55
Petrobras construção naval estaleiros FPSO navios asiático
Unidade replicante FPSO DA Petrobras – foto ilustração apenas
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Representantes da Petrobras disseram em entrevista online que a estatal vai seguir o que está na LEI e que os interesses concentram-se em preço, qualidade e segurança. A construção naval brasileira executará apenas 25% das obras

Os principais estaleiros do Brasil estavam contando com a solidariedade da Petrobras nesses últimos tempos. O anúncio da estatal para afretar 3 navios plataformas do tipo FPSO (Unidade flutuante de armazenamento e transferência) para o gigantesco Campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, deixou a construção naval nacional em alerta, junto com a esperança de que estas obras fossem executadas no país, gerando emprego e reaquecendo a economia deste setor. Mas parece que não foi desta vez.

Houve uma entrevista online com dois representantes da Petrobras na última seta-feira(31): Carlos Alberto de Oliveira, diretor de E&P e Roberto Castello Branco, atual presidente da estatal.

Oliveira disse que seguirá o que está na lei, ou seja, a obrigatoriedade de cumprir pelo menos 25% de conteúdo local nacional, que geralmente são apenas montagens de módulos, topsides, cascos e outros pequenos serviços modulares. A maior parte, cerca de 75%, ficará no exterior. ( Amadores asiáticos, naturalmente).

Castello Branco disse nessa mesma mesma entrevista que a Petrobras deve trabalhar em cima de 3 vertentes fundamentais: preço, qualidade e segurança.

Construir em estaleiros asiáticos é barato no curto prazo

A construção naval brasileira é referência em qualidade técnica e segurança na execução de obras em navios plataformas do tipo FPSO e outras unidades destinadas ao segmento offshore / marítimo. A principal barreira que este setor enfrenta no momento recai sobre custos de produção.

Construir em estaleiros da China, Cingapura, Sul Coreanos e outros países asiáticos é barato, pois não há quase nada de direitos trabalhistas. A moeda brasileira (REAL) está muito desvalorizada, ressaltando que o petróleo é uma commoditie, então quase tudo que é negociado neste mercado são em dólares comerciais (USD).

Temos a questão da regulação tributária brasileira, sendo este um dos grandes impeditivos para obras e projetos de grande porte sejam executados aqui com mais vigor.

Resumo da metodologia que a Petrobras utiliza para contratar ou afretar navios plataformas do tipo FPSO

Nas palavras de Oliveira nesta mesma entrevista, ele passou um resumo em três etapas de como funciona o processo de contratação das plataformas, até começar de fato a serem construídas:

  1. A Petrobras usa um sistema de pré-qualificação de empresas e escolhe que detém expertise técnico para participar das licitações dos FPSO’s
  2. Em seguida, haverá um processo de competitivo no tocante à contratação de unidades próprias
  3. Neste ponto, as empresas vencedoras detém autonomia para decidir em quais estaleiros desejam construir, desde que 25% destas obras sejam feitas no Brasil, que é o conteúdo local.

Há 6 FPSO sendo construídos no exterior neste momento:

Para mais detalhes técnicos da construção destas unidades, empresas envolvidas e respectivos estaleiros, acessem o Petronoticias aqui.

O diretor executivo de Desenvolvimento da Produção, Rudimar Andreis Lorenzatto explica que trabalha em um cenário que à atual pandemia não vai atrapalhar o andamento destes projetos três projetos para o campo de Búzios: “Como nós temos um processo que está se iniciando agora e só vamos assinar esses contratos em 2021, esperamos que o efeito da Covid-19 para a construção desses três FPSOs já tenha passado”

Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo