A TotalEnergies comprometeu 2 milhões de toneladas de GNL por ano durante duas décadas no projeto Alaska LNG e deu ao plano de exportar o gás da Baía de Prudhoe a sinalização de demanda que estava faltando para atrair os bilhões necessários para a obra
O Alaska LNG é um dos maiores projetos de infraestrutura de gás natural em tramitação nos Estados Unidos. A ideia central é ligar o campo de Prudhoe Bay, no norte do Alasca, a um terminal de exportação de GNL em Nikiski, na Península Kenai, no sul do estado. Para isso, seria necessário construir um gasoduto de 1.287 quilômetros atravessando o interior do Alasca — a maior obra de gasoduto da história americana — além de uma usina de liquefação com capacidade de 20 milhões de toneladas por ano. O custo estimado total beira US$ 44 bilhões.
O acordo da TotalEnergies, assinado em caráter preliminar sujeito à decisão final de investimento do projeto, prevê a compra de 2 milhões de toneladas por ano durante 20 anos. Para ter noção do tamanho: o Golden Pass LNG, que acabou de despachar sua primeira carga, tem capacidade total de 16 Mtpa com três trens. Os 2 Mtpa da TotalEnergies equivalem a mais de um trem inteiro de Golden Pass exclusivo para um único comprador.
Por que o gás do Alasca? O campo de Prudhoe Bay é um dos maiores reservatórios de petróleo e gás da América do Norte. Ele produziu petróleo em grandes volumes desde os anos 1970 pelo Trans-Alaska Pipeline System, mas seu gás associado tem sido reinjetado nos poços por falta de infraestrutura de escoamento. São estimados 35 trilhões de pés cúbicos de gás no subsolo da região — um volume que só a Rússia, o Qatar e alguns poucos países superam em reservas conhecidas. O problema é que esse gás está a mais de 1.200 quilômetros do mar, no meio do Ártico.
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Os mercados-alvo do Alaska LNG são Japão, Coreia do Sul e potencialmente outros países do Pacífico asiático. O Alasca tem uma vantagem geográfica sobre os terminais do Golfo do México: fica muito mais perto do Japão e da Coreia, o que reduz o tempo e o custo de transporte dos navios metaneiros. Um carregamento de GNL do Alasca chega ao Japão em cerca de sete dias; do Golfo do México, leva perto de vinte e cinco dias cruzando o Canal do Panamá.
O projeto tem um histórico longo de promessas e adiamentos. Ele foi estudado pela primeira vez nos anos 1970 e nunca saiu do papel por falta de viabilidade econômica. A revolução do shale, paradoxalmente, aumentou o volume de gás disponível nos EUA mas também derrubou os preços domésticos, tornando o custo de desenvolvimento do Alasca ainda mais difícil de justificar. A mudança de cálculo veio com a demanda asiática e europeia por GNL após a crise energética de 2021-2022 e com o apoio político do governo americano ao projeto como ferramenta de segurança energética e de influência no Pacífico.
O acordo da TotalEnergies é um passo, não a linha de chegada. O projeto ainda precisa de mais contratos de venda, de financiamento bancário e da decisão final de investimento das empresas operadoras para de fato avançar para a construção. O gasoduto de 1.287 quilômetros pelo Ártico é uma obra de engenharia sem paralelo nos EUA — mais longa que o próprio Trans-Alaska Pipeline — e exige soluções técnicas para permafrost, cruzamentos de rios e condições climáticas extremas.
Se sair do papel, o Alaska LNG transformaria o Alasca de estado dependente da receita de petróleo em decadência em um dos maiores hubs de exportação de gás do hemisfério ocidental. Seria a maior aposta energética americana desde a construção do Trans-Alaska Pipeline nos anos 1970 — e também a mais cara.
Você acha que o Alaska LNG vai finalmente sair do papel ou vai continuar sendo um dos maiores projetos de energia que nunca se concretiza? Comenta aqui.
