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A Shell e a INEOS confirmaram a descoberta Far South a quase oito quilômetros abaixo do leito do Golfo do México

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 01/07/2026 às 20:41 Atualizado em 01/07/2026 às 21:15
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A Shell e a INEOS furaram a rocha a oito quilômetros abaixo do leito do Golfo do México e encontraram petróleo de alta qualidade numa das formações mais promissoras que a bacia tem a oferecer em 2026

O campo está localizado a aproximadamente 130 quilômetros ao sul de New Orleans, dentro das águas profundas do Golfo, onde a lâmina d’água já passa de mil metros antes de a broca sequer tocar no fundo da formação sedimentar. A Shell opera o projeto com participação majoritária; a INEOS, gigante petroquímica britânica liderada pelo bilionário Jim Ratcliffe, entrou como sócia minoritária numa aposta clara de que o Golfo do México ainda tem reservatórios de primeira linha para revelar.

A denominação “Far South” já diz algo sobre a estratégia: a indústria foi empurrada cada vez mais para o sul e para profundidades maiores à medida que os campos rasos do Golfo envelheceram. Hoje, as operações mais relevantes ficam em regiões como a Walker Ridge, a Keathley Canyon e o Mississippi Canyon — áreas onde a pressão e a temperatura do subsolo exigem equipamentos de perfuração de última geração e onde os riscos de poço são exponencialmente maiores do que nas primeiras gerações de projetos offshore americanos.

O petróleo encontrado no Far South foi descrito pelas companhias como de alta qualidade, o que na linguagem técnica significa densidade API elevada, baixo teor de enxofre e boa fluidez a temperatura de reservatório. Esse perfil simplifica o refino e amplia a margem de lucro por barril, diferente do petróleo pesado e viscoso que exige processamento intensivo antes de se transformar em combustíveis de transporte.

A relevância da descoberta vai além do volume estimado. O Golfo do México é a espinha dorsal da produção offshore dos Estados Unidos — responsável por cerca de 15% do petróleo que o país produz todos os dias. Mas a curva de produção do Golfo tem sofrido com o declínio natural de campos antigos, e a indústria precisava de grandes descobertas para sustentar o crescimento da produção americana no médio prazo. O Far South chega num momento em que Washington debate a expansão do leasing offshore e o papel do Golfo na estratégia de segurança energética dos EUA.

A aprovação do campo Kaskida, da BP — o primeiro campo novo da empresa no Golfo desde o desastre do Deepwater Horizon em 2010 — e agora o Far South da Shell sinalizam que o Golfo voltou ao radar das grandes companhias para investimentos de longa maturação. Os dois projetos juntos representam bilhões de dólares em capital comprometido e décadas de produção potencial.

Para a Shell, a descoberta reforça a posição da empresa como uma das maiores operadoras deepwater do planeta, ao lado de projetos como Appomattox, Vito e Whale, todos no Golfo. A companhia tem investido pesado em tecnologia de perfuração para reduzir o custo por barril descoberto em águas ultra-profundas, e o Far South é mais um resultado dessa estratégia de longo prazo.

A pergunta que o mercado faz agora é quanto petróleo o Far South realmente tem. As estimativas iniciais de grandes descobertas deepwater costumam ser revisadas conforme a campanha de avaliação avança — às vezes para cima, como aconteceu com Buzios no Brasil, às vezes para baixo, quando a heterogeneidade do reservatório frustra as projeções. Com o preço do petróleo pressionado pela OPÉP+ aumentando oferta, o breakeven de um projeto deepwater precisa ser muito bem calculado antes de qualquer decisão de desenvolvimento.

Qual é a sua aposta: o Far South vai virar um dos maiores campos do Golfo ou vai ficar só no papel como promessa que não se cumpre? Comenta aqui.

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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