O Golden Pass LNG exportou a primeira carga de gás liquefeito da sua história e colocou os Estados Unidos um passo mais perto de dominar o mercado global de GNL que o Qatar e a Austrália ainda disputam
O terminal fica em Sabine Pass, no Texas, ao lado do primeiro grande complexo de exportação de GNL dos Estados Unidos — o Sabine Pass LNG da Cheniere Energy, que abriu o mercado americano para o gás liquefeito em 2016. A QatarEnergy detém 70% do Golden Pass e a ExxonMobil os 30% restantes. Os dois sócios investiram juntos US$ 10 bilhões para construir três trens de liquefação com capacidade total de 16 milhões de toneladas por ano de GNL.
A primeira carga saiu do Train 1 em abril de 2026, tornando o Golden Pass o nono terminal de exportação de GNL dos Estados Unidos. O timing importa: os EUA já ultrapassaram o Qatar como maior exportador de GNL do mundo nos últimos dois anos, e o Golden Pass amplia ainda mais essa margem. O país exporta hoje mais de 150 bilhões de metros cúbicos de gás por ano em forma liquefeita, abastecendo Europa, Ásia e América Latina.
Para o Qatar, o projeto representa uma estratégia de diversificação que vai além de apenas vender gás: ao entrar como sócio majoritário num terminal americano, a QatarEnergy garante acesso permanente ao mercado de exportação dos EUA e reduz sua dependência exclusiva das instalações de Ras Laffan, no Golfo Pérsico. A geopolítica do gás está cada vez mais ligada à localização dos terminais de exportação, não apenas à origem do recurso.
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O Golden Pass foi originalmente construído como terminal de importação de GNL — a lógica, nos anos 2000, era que os EUA precisariam importar gás da América do Sul e do Oriente Médio para suprir a demanda interna crescente. O shale revolution virou esse cálculo de cabeça para baixo: o fracking transformou os EUA de maior importador em maior exportador de GNL em menos de quinze anos. O Golden Pass foi reconvertido de terminal de regaseificação para terminal de liquefação, num investimento que demorou quase uma década de planejamento e construção.
O mercado de GNL global passa por uma fase de expansão intensa. Além do Golden Pass, outros terminais americanos como o Rio Grande LNG e o Texas LNG estão em construção, com capacidade adicional de dezenas de milhões de toneladas por ano previstos para entrar em operação antes de 2030. A Europa, que antes dependia quase integralmente do gás russo por gasoduto, agora compra GNL americano e do Qatar para substituir essa energia, e a demanda asiática do Japão, Coreia e China continua crescendo.
A rentabilidade do Golden Pass depende do diferencial entre o preço do gás natural nos EUA — ainda relativamente barato por conta do excesso de shale — e o preço de venda do GNL nos mercados asiáticos e europeus, que historicamente pagam mais. Quando esse diferencial é grande, os terminais de exportação geram margens elevadas. Quando o preço global do GNL cai — como aconteceu em 2020 —, a lógica econômica do projeto fica mais apertada.
Com nove terminais operando e mais na fila, os EUA consolidam uma posição que seria impensável há vinte anos: exportadores dominantes de gás liquefeito para todos os continentes. A capacidade americana de GNL dobrou desde 2019 e deve dobrar novamente até 2030 se todos os projetos aprovados saírem do papel.
Quanto tempo você acha que os EUA vão manter a liderança no mercado de GNL antes do Qatar reconquistar o topo? Deixa sua opinião nos comentários.
