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O Golden Pass LNG despachou a primeira carga de gás liquefeito dos Estados Unidos e completou um investimento de US$ 10 bilhões da QatarEnergy com a ExxonMobil

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 01/07/2026 às 21:27 Atualizado em 01/07/2026 às 21:29
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O Golden Pass LNG exportou a primeira carga de gás liquefeito da sua história e colocou os Estados Unidos um passo mais perto de dominar o mercado global de GNL que o Qatar e a Austrália ainda disputam

O terminal fica em Sabine Pass, no Texas, ao lado do primeiro grande complexo de exportação de GNL dos Estados Unidos — o Sabine Pass LNG da Cheniere Energy, que abriu o mercado americano para o gás liquefeito em 2016. A QatarEnergy detém 70% do Golden Pass e a ExxonMobil os 30% restantes. Os dois sócios investiram juntos US$ 10 bilhões para construir três trens de liquefação com capacidade total de 16 milhões de toneladas por ano de GNL.

A primeira carga saiu do Train 1 em abril de 2026, tornando o Golden Pass o nono terminal de exportação de GNL dos Estados Unidos. O timing importa: os EUA já ultrapassaram o Qatar como maior exportador de GNL do mundo nos últimos dois anos, e o Golden Pass amplia ainda mais essa margem. O país exporta hoje mais de 150 bilhões de metros cúbicos de gás por ano em forma liquefeita, abastecendo Europa, Ásia e América Latina.

Para o Qatar, o projeto representa uma estratégia de diversificação que vai além de apenas vender gás: ao entrar como sócio majoritário num terminal americano, a QatarEnergy garante acesso permanente ao mercado de exportação dos EUA e reduz sua dependência exclusiva das instalações de Ras Laffan, no Golfo Pérsico. A geopolítica do gás está cada vez mais ligada à localização dos terminais de exportação, não apenas à origem do recurso.

O Golden Pass foi originalmente construído como terminal de importação de GNL — a lógica, nos anos 2000, era que os EUA precisariam importar gás da América do Sul e do Oriente Médio para suprir a demanda interna crescente. O shale revolution virou esse cálculo de cabeça para baixo: o fracking transformou os EUA de maior importador em maior exportador de GNL em menos de quinze anos. O Golden Pass foi reconvertido de terminal de regaseificação para terminal de liquefação, num investimento que demorou quase uma década de planejamento e construção.

O mercado de GNL global passa por uma fase de expansão intensa. Além do Golden Pass, outros terminais americanos como o Rio Grande LNG e o Texas LNG estão em construção, com capacidade adicional de dezenas de milhões de toneladas por ano previstos para entrar em operação antes de 2030. A Europa, que antes dependia quase integralmente do gás russo por gasoduto, agora compra GNL americano e do Qatar para substituir essa energia, e a demanda asiática do Japão, Coreia e China continua crescendo.

A rentabilidade do Golden Pass depende do diferencial entre o preço do gás natural nos EUA — ainda relativamente barato por conta do excesso de shale — e o preço de venda do GNL nos mercados asiáticos e europeus, que historicamente pagam mais. Quando esse diferencial é grande, os terminais de exportação geram margens elevadas. Quando o preço global do GNL cai — como aconteceu em 2020 —, a lógica econômica do projeto fica mais apertada.

Com nove terminais operando e mais na fila, os EUA consolidam uma posição que seria impensável há vinte anos: exportadores dominantes de gás liquefeito para todos os continentes. A capacidade americana de GNL dobrou desde 2019 e deve dobrar novamente até 2030 se todos os projetos aprovados saírem do papel.

Quanto tempo você acha que os EUA vão manter a liderança no mercado de GNL antes do Qatar reconquistar o topo? Deixa sua opinião nos comentários.

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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