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Em uma praia da Tasmânia, existe um chão de pedra perfeitamente dividido em ladrilhos retangulares, como se um pedreiro gigante o tivesse azulejado, mas nenhuma mão humana tocou ali, e o “mosaico” foi rachado pela própria Terra há milhões de anos

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 05/07/2026 às 22:57 Atualizado em 05/07/2026 às 22:59
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O pavimento tesselado de Eaglehawk Neck, na Tasmânia
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O pavimento tesselado de Eaglehawk Neck, na Tasmânia, parece obra humana, mas surgiu por fraturas na rocha e erosão do mar ao longo de eras.

O pavimento tesselado de Eaglehawk Neck, na Tasmânia, é uma daquelas formações naturais que parecem contrariar o olhar. A superfície rochosa forma uma grade de blocos quase retangulares, tão alinhados que muitos visitantes têm a impressão de estar diante de um piso assentado manualmente, e não de uma plataforma costeira esculpida pela natureza.

Mas o que parece obra humana é, na verdade, resultado de uma combinação geológica rara. O local é uma plataforma rochosa entremarés formada em siltito permiano, fraturada por tensões antigas na crosta terrestre e depois moldada por água do mar, areia e cristalização de sal até ganhar o aspecto de um mosaico quase perfeito.

Pavimento tesselado de Eaglehawk Neck virou uma das formações geológicas mais impressionantes da Tasmânia

O local fica em Teralina / Eaglehawk Neck, no Tasman National Park, no sudeste da Tasmânia, e é conhecido justamente pelos padrões geométricos que transformaram o pavimento em uma das paisagens geológicas mais fotografadas da Austrália. A área é descrita pela autoridade de turismo da Tasmânia como um dos grandes destaques naturais da região.

A importância científica do ponto também é alta. O plano de manejo do parque registra que o Tessellated Pavement em Eaglehawk Neck é reconhecido há muito tempo como um sítio de significância geoconservacionista internacional e está listado no Register of the National Estate.

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Essa combinação entre aparência incomum e relevância geológica ajuda a explicar por que a formação se tornou um marco da península. Não se trata apenas de uma rocha curiosa, mas de um exemplo raro de como processos costeiros podem produzir uma geometria tão limpa que parece artificial.

Rachaduras na crosta terrestre abriram o desenho que mais tarde virou o mosaico natural da praia

A base do fenômeno começou muito antes da erosão marinha. O material rochoso do pavimento é um siltito da idade Permiana, com cerca de 270 milhões de anos, depositado quando lama e silte formaram camadas hoje expostas na costa da Tasmânia.

O pavimento tesselado de Eaglehawk Neck, na Tasmânia, parece obra humana, mas surgiu por fraturas na rocha e erosão do mar ao longo de eras.
O pavimento tesselado de Eaglehawk Neck, na Tasmânia

Depois que a rocha já existia, tensões na crosta terrestre abriram fraturas no bloco rochoso. Segundo o material geológico oficial do Parks and Wildlife Service Tasmania, essas rachaduras podem ter surgido em algum momento entre 160 milhões e 60 milhões de anos atrás, formando três conjuntos principais de juntas que deram ao pavimento a malha básica do desenho atual.

Essas juntas são o esqueleto do padrão. Sem elas, a plataforma seria apenas uma superfície rochosa comum. Com elas, o mar passou a encontrar linhas naturais de fraqueza para aprofundar sulcos e separar os blocos em peças que lembram ladrilhos.

Erosão do mar, areia e cristalização do sal transformaram fraturas antigas em blocos com aparência de piso romano

As fraturas sozinhas não bastavam para criar o efeito visual que tornou Eaglehawk Neck famoso. O aspecto de piso geométrico apareceu porque a erosão marinha passou a agir sobre essas linhas, transportando fragmentos de rocha, areia e sedimentos sobre a plataforma ao longo de muito tempo.

O documento geológico oficial da Tasmânia explica que a água salgada penetra nas rachaduras e na superfície da rocha. Nas áreas que secam mais, os cristais de sal se formam e exercem pressão sobre o siltito, ampliando pequenas fissuras e provocando descamação da superfície.

Ao mesmo tempo, o mar também atua por abrasão. Onde a água canaliza areia e outras partículas ao longo das juntas, o desgaste avança mais rápido. O resultado desse trabalho combinado é o efeito “tesselado”, com divisões regulares que fazem a rocha parecer um mosaico construído peça por peça.

Formações do tipo pan e loaf mostram como a mesma rocha pode ser esculpida de duas maneiras diferentes

Um dos aspectos mais interessantes do pavimento é que ele não apresenta um único padrão. Em Eaglehawk Neck, a plataforma mostra dois tipos clássicos de modelagem, conhecidos como pan e loaf, que surgem por causa da diferença entre secagem, sal e abrasão nas várias partes da superfície.

Nas áreas mais afastadas do mar, que ficam secas por mais tempo na maré baixa, a cristalização do sal age com mais força sobre a superfície do bloco.

Nesses trechos, a parte de cima da rocha se desgasta mais rapidamente do que as juntas, formando depressões rasas cercadas por bordas ligeiramente mais altas. São as chamadas formações do tipo pan.

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Já nas partes mais próximas da água, a abrasão causada por areia, água e sedimentos concentrados nas juntas desgasta com mais intensidade as bordas dos blocos. Isso deixa o centro relativamente mais alto e arredondado, criando as formações do tipo loaf, que lembram pequenos pães emergindo da superfície.

Raridade geológica de Eaglehawk Neck fez o local ganhar status internacional de geoconservação

Plataformas costeiras existem em muitas regiões, mas o caso de Eaglehawk Neck é tratado como especial porque reuniu uma sequência rara de condições. Foi preciso haver a rocha certa, um sistema organizado de fraturas e a ação prolongada do mar e do sal para que o padrão se tornasse tão nítido.

Por isso, o local não é visto apenas como atração paisagística. O plano de manejo do parque destaca o pavimento como um dos elementos de maior importância geológica da península, ao lado de outros marcos costeiros da região, como o Tasman Arch, o Blowhole e a Devils Kitchen.

Essa relevância faz do pavimento tesselado um exemplo raro de formação costeira em que a estética chama atenção primeiro, mas a explicação geológica é ainda mais impressionante. O que parece uma obra regular e deliberada é, na verdade, o resultado de uma história rochosa extremamente lenta.

Melhor momento para ver o pavimento tesselado é na maré baixa, quando os blocos ficam mais expostos

Quem visita Eaglehawk Neck encontra a formação em uma curta caminhada a partir da área de acesso, mas a visualização muda bastante conforme a maré. A recomendação do turismo oficial da Tasmânia é ir durante a maré baixa, quando o desenho do pavimento fica mais visível.

A luz da manhã também ajuda a destacar o relevo da plataforma. Em um terreno onde pequenas diferenças de altura definem o efeito visual, a incidência lateral do sol torna mais evidente a alternância entre sulcos, bordas e superfícies arredondadas.

No fim, Eaglehawk Neck impressiona porque desmonta uma expectativa comum. A regularidade quase perfeita da grade rochosa parece humana à primeira vista, mas é inteiramente natural, produto de fraturas tectônicas, cristalização de sal e erosão marinha atuando sobre o mesmo pavimento durante milhões de anos.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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