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Estudante de Bangladesh juntou baterias velhas de laptop, placas de circuito quebradas e peças de uma TV de tubo antiga para criar um purificador de água movido por energia solar, uma máquina feita de lixo eletrônico que limpa água contaminada em regiões alagadas e sem eletricidade

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 29/06/2026 às 23:45 Atualizado em 29/06/2026 às 23:47
Zabeer Zarif Akhter criou em Bangladesh um purificador de água com plasma e lixo eletrônico para enfrentar contaminação e enchentes.
Zabeer Zarif Akhter criou em Bangladesh um purificador de água com plasma e lixo eletrônico
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Zabeer Zarif Akhter criou em Bangladesh um purificador de água com plasma e lixo eletrônico para enfrentar contaminação e enchentes.

Em 2024, o estudante Zabeer Zarif Akhter, de 17 anos, ganhou destaque em Bangladesh ao desenvolver um purificador de água feito com lixo eletrônico e baseado em plasma de alta voltagem. O projeto foi apresentado como o primeiro do tipo no país e rendeu ao jovem o título nacional do Stockholm Junior Water Prize Bangladesh 2024.

O que torna a invenção ainda mais forte é a combinação de três frentes em um único protótipo. O aparelho foi pensado para descontaminar água, reaproveitar sucata eletrônica e funcionar em cenários críticos, como áreas remotas e regiões atingidas por enchentes, onde o acesso à água limpa costuma se deteriorar rapidamente.

Purificador de água com plasma transforma água contaminada em fluxo esterilizante

O núcleo da invenção está no uso de plasma para purificação da água. O protótipo desenvolvido por Zabeer transforma a água contaminada em um fluxo de plasma e combina radiação ultravioleta com esterilização por plasma, numa tentativa de eliminar agentes patogênicos sem depender de equipamentos caros ou de sistemas industriais complexos.

Zabeer Zarif Akhter criou em Bangladesh um purificador de água com plasma e lixo eletrônico para enfrentar contaminação e enchentes.
Zabeer Zarif Akhter criou em Bangladesh um purificador de água com plasma e lixo eletrônico – UNICEF

Um dos pontos mais relevantes é que o processo ocorre sem aumento significativo de temperatura. Isso coloca o sistema dentro de uma lógica de plasma não térmico, o que reduz a necessidade de aquecimento da água e reforça a proposta de uma solução mais eficiente para uso emergencial ou individual.

Na versão simplificada para áreas remotas, o equipamento precisa apenas de dois eletrodos de carbono e do circuito eletrônico. De acordo com a descrição do projeto, esse arranjo cria plasma em pressão atmosférica e foi concebido para combater microrganismos presentes na água, incluindo E. coli, coliformes totais e coliformes fecais.

Lixo eletrônico vira matéria-prima para reduzir custo e impacto ambiental

Em vez de usar peças novas e especializadas, Zabeer montou o purificador com componentes retirados de sucata. Entre os materiais citados por ele estão partes de circuitos de motores de veículos de três rodas, TVs de tubo antigas, laptops abandonados e baterias de lítio de celulares.

Essa escolha tem impacto direto no custo do projeto e também no apelo ambiental da invenção. Ao reaproveitar materiais eletrônicos descartados, o estudante tenta converter um resíduo problemático em ferramenta útil para uma necessidade básica, que é o acesso à água mais segura.

O próprio desenho do aparelho reforça essa lógica de sustentabilidade. Segundo a descrição apresentada pelo jovem inventor, o purificador também pode ser carregado por painéis solares, o que amplia a utilidade da tecnologia em áreas sem rede elétrica estável e reduz a dependência de infraestrutura convencional.

Enchentes em Bangladesh ajudam a explicar a urgência da invenção

A criação do purificador não surgiu em laboratório isolado da realidade. Em relato publicado pela UNICEF, Zabeer afirmou que a ideia ganhou forma depois das grandes enchentes em Bangladesh, quando percebeu que a contaminação da água continuava matando e adoecendo pessoas mesmo após o recuo das cheias.

Essa motivação ajuda a entender por que o projeto foi pensado para uso rápido, portátil e individual. A proposta não é apenas purificar água em tese, mas oferecer uma resposta prática para momentos em que comunidades passam a conviver com água contaminada, doenças transmitidas pela água e colapso temporário de serviços básicos.

O próprio estudante também associou sua invenção aos impactos de poluentes industriais e corantes têxteis sobre água e solo. Em Bangladesh, onde enchentes recorrentes e contaminação hídrica se cruzam, esse tipo de solução ganha força justamente por mirar um problema real, cotidiano e de alto impacto sanitário.

Prêmio Stockholm Junior Water Prize levou o projeto de Bangladesh à Suécia

O trabalho de Zabeer recebeu reconhecimento nacional ao vencer o Bangladesh Stockholm Junior Water Prize 2024 com o projeto intitulado “High Voltage Plasma Water Purifier from E-waste”.

Com isso, ele garantiu a vaga para representar Bangladesh na etapa internacional da competição durante a World Water Week, em Estocolmo.

Zabeer Zarif Akhter criou em Bangladesh um purificador de água com plasma e lixo eletrônico
Foto: Divulgação

A repercussão do projeto não ficou restrita ao prêmio. Reportagem do The Business Standard informou que a invenção passou a ser acompanhada em laboratório da BUET, a Universidade de Engenharia e Tecnologia de Bangladesh, com supervisão técnica para tornar o sistema mais funcional e mais eficaz.

A trajetória também avançou além do primeiro protótipo. Em publicação posterior da UNICEF, Zabeer aparece como duas vezes vencedor da edição nacional do prêmio em Bangladesh e relata ter criado ainda um sistema de teste de qualidade da água com inteligência artificial, feito com peças baratas de celulares e câmeras antigos.

Inovação de baixo custo mostra como sucata pode virar tecnologia de impacto

A força dessa história está no tipo de inovação que ela representa. Em vez de depender de laboratório milionário ou de cadeia industrial sofisticada, o projeto nasceu da combinação entre conhecimento técnico, observação do problema local e reaproveitamento de materiais descartados.

Zabeer Zarif Akhter criou em Bangladesh um purificador de água com plasma e lixo eletrônico para enfrentar contaminação e enchentes.
Zabeer Zarif Akhter criou em Bangladesh um purificador de água com plasma e lixo eletrônico

A história de Zabeer Zarif Akhter ganha relevância justamente por unir purificação de água, tecnologia de plasma, reaproveitamento de lixo eletrônico e resposta a emergências climáticas em uma mesma solução. Em um país pressionado por contaminação e enchentes, essa combinação ajuda a explicar por que a invenção chamou tanta atenção dentro e fora de Bangladesh.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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