Zabeer Zarif Akhter criou em Bangladesh um purificador de água com plasma e lixo eletrônico para enfrentar contaminação e enchentes.
Em 2024, o estudante Zabeer Zarif Akhter, de 17 anos, ganhou destaque em Bangladesh ao desenvolver um purificador de água feito com lixo eletrônico e baseado em plasma de alta voltagem. O projeto foi apresentado como o primeiro do tipo no país e rendeu ao jovem o título nacional do Stockholm Junior Water Prize Bangladesh 2024.
O que torna a invenção ainda mais forte é a combinação de três frentes em um único protótipo. O aparelho foi pensado para descontaminar água, reaproveitar sucata eletrônica e funcionar em cenários críticos, como áreas remotas e regiões atingidas por enchentes, onde o acesso à água limpa costuma se deteriorar rapidamente.
Purificador de água com plasma transforma água contaminada em fluxo esterilizante
O núcleo da invenção está no uso de plasma para purificação da água. O protótipo desenvolvido por Zabeer transforma a água contaminada em um fluxo de plasma e combina radiação ultravioleta com esterilização por plasma, numa tentativa de eliminar agentes patogênicos sem depender de equipamentos caros ou de sistemas industriais complexos.
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Um dos pontos mais relevantes é que o processo ocorre sem aumento significativo de temperatura. Isso coloca o sistema dentro de uma lógica de plasma não térmico, o que reduz a necessidade de aquecimento da água e reforça a proposta de uma solução mais eficiente para uso emergencial ou individual.
Na versão simplificada para áreas remotas, o equipamento precisa apenas de dois eletrodos de carbono e do circuito eletrônico. De acordo com a descrição do projeto, esse arranjo cria plasma em pressão atmosférica e foi concebido para combater microrganismos presentes na água, incluindo E. coli, coliformes totais e coliformes fecais.
Lixo eletrônico vira matéria-prima para reduzir custo e impacto ambiental
Em vez de usar peças novas e especializadas, Zabeer montou o purificador com componentes retirados de sucata. Entre os materiais citados por ele estão partes de circuitos de motores de veículos de três rodas, TVs de tubo antigas, laptops abandonados e baterias de lítio de celulares.
Essa escolha tem impacto direto no custo do projeto e também no apelo ambiental da invenção. Ao reaproveitar materiais eletrônicos descartados, o estudante tenta converter um resíduo problemático em ferramenta útil para uma necessidade básica, que é o acesso à água mais segura.
O próprio desenho do aparelho reforça essa lógica de sustentabilidade. Segundo a descrição apresentada pelo jovem inventor, o purificador também pode ser carregado por painéis solares, o que amplia a utilidade da tecnologia em áreas sem rede elétrica estável e reduz a dependência de infraestrutura convencional.
Enchentes em Bangladesh ajudam a explicar a urgência da invenção
A criação do purificador não surgiu em laboratório isolado da realidade. Em relato publicado pela UNICEF, Zabeer afirmou que a ideia ganhou forma depois das grandes enchentes em Bangladesh, quando percebeu que a contaminação da água continuava matando e adoecendo pessoas mesmo após o recuo das cheias.
Essa motivação ajuda a entender por que o projeto foi pensado para uso rápido, portátil e individual. A proposta não é apenas purificar água em tese, mas oferecer uma resposta prática para momentos em que comunidades passam a conviver com água contaminada, doenças transmitidas pela água e colapso temporário de serviços básicos.
O próprio estudante também associou sua invenção aos impactos de poluentes industriais e corantes têxteis sobre água e solo. Em Bangladesh, onde enchentes recorrentes e contaminação hídrica se cruzam, esse tipo de solução ganha força justamente por mirar um problema real, cotidiano e de alto impacto sanitário.
Prêmio Stockholm Junior Water Prize levou o projeto de Bangladesh à Suécia
O trabalho de Zabeer recebeu reconhecimento nacional ao vencer o Bangladesh Stockholm Junior Water Prize 2024 com o projeto intitulado “High Voltage Plasma Water Purifier from E-waste”.
Com isso, ele garantiu a vaga para representar Bangladesh na etapa internacional da competição durante a World Water Week, em Estocolmo.

A repercussão do projeto não ficou restrita ao prêmio. Reportagem do The Business Standard informou que a invenção passou a ser acompanhada em laboratório da BUET, a Universidade de Engenharia e Tecnologia de Bangladesh, com supervisão técnica para tornar o sistema mais funcional e mais eficaz.
A trajetória também avançou além do primeiro protótipo. Em publicação posterior da UNICEF, Zabeer aparece como duas vezes vencedor da edição nacional do prêmio em Bangladesh e relata ter criado ainda um sistema de teste de qualidade da água com inteligência artificial, feito com peças baratas de celulares e câmeras antigos.
Inovação de baixo custo mostra como sucata pode virar tecnologia de impacto
A força dessa história está no tipo de inovação que ela representa. Em vez de depender de laboratório milionário ou de cadeia industrial sofisticada, o projeto nasceu da combinação entre conhecimento técnico, observação do problema local e reaproveitamento de materiais descartados.

A história de Zabeer Zarif Akhter ganha relevância justamente por unir purificação de água, tecnologia de plasma, reaproveitamento de lixo eletrônico e resposta a emergências climáticas em uma mesma solução. Em um país pressionado por contaminação e enchentes, essa combinação ajuda a explicar por que a invenção chamou tanta atenção dentro e fora de Bangladesh.
