Existe um tipo de pressão que só quem já pisou em um gramado de Copa do Mundo consegue entender de verdade. Bruno Guimarães sentiu isso na pele neste domingo (5), no MetLife Stadium, nos Estados Unidos, durante o confronto direto entre Brasil e Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. Aos 9 minutos de jogo, Matheus Cunha sofreu pênalti dentro da área — e, depois de quatro minutos de revisão no VAR, a responsabilidade da cobrança caiu justamente sobre os pés do volante do Newcastle.
Segundo apuração do portal Lance!, a cobrança de Bruno Guimarães foi batida no canto esquerdo do gol, mas o goleiro Orjan Nyland fez uma defesa apertada e evitou que o Brasil abrisse o placar logo no início da partida. O lance acabou pesando no resultado final: a Noruega venceu por 2 a 1 e eliminou a Seleção Brasileira ainda nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. Neymar, que começou a partida no banco de reservas, entrou no segundo tempo e converteu o pênalti que gerou o único gol brasileiro na tarde, mas não foi suficiente: Erling Haaland decidiu o confronto para os noruegueses. Nesse sentido, o lance do pênalti perdido por Bruno Guimarães chamou atenção não apenas pelo momento decisivo, mas também por um detalhe estatístico pouco comentado até então: o volante está longe de ser um cobrador experiente de pênaltis.
Um cobrador improvável em um momento decisivo
De acordo com informações divulgadas pelo Diário do Litoral, antes da cobrança contra a Noruega, Bruno Guimarães havia batido apenas três pênaltis durante toda a sua carreira profissional em jogos oficiais — sendo duas vezes pelo Newcastle e uma vez pelo Lyon. Em todas as ocasiões anteriores, o meio-campista converteu a cobrança, mantendo um aproveitamento de 100% antes do desafio diante dos noruegueses.
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Contudo, o erro deste domingo marcou a primeira vez na carreira em que o volante desperdiçou uma penalidade máxima. Com isso, Bruno Guimarães passou a integrar uma lista pouco invejável de jogadores que já falharam em cobranças de pênalti pela Seleção Brasileira durante o tempo regulamentar de uma partida — grupo que, segundo o Lance!, inclui nomes como Zico e Waldemar de Brito ao longo da história da equipe nacional.
Por outro lado, vale destacar que a escolha de Bruno Guimarães para a cobrança não foi fruto de improviso do técnico Carlo Ancelotti. Segundo o Diário do Grande ABC, o próprio comandante italiano revelou, após a eliminação, que a comissão técnica realizou um levantamento estatístico de um ano inteiro de trabalho para definir a ordem de cobradores da equipe durante o Mundial. De acordo com Ancelotti, o resultado desse estudo apontava Raphinha como o melhor cobrador do elenco, seguido por Neymar e Igor Thiago; somente depois desses três nomes aparecia Bruno Guimarães, com Martinelli logo em seguida. “Escolhemos o Bruno porque entendíamos que era a melhor opção” entre os jogadores disponíveis em campo naquele momento, afirmou o treinador — já que Raphinha seguia se recuperando de uma lesão na coxa e havia sido preservado no banco de reservas.
Por que Vinicius Jr. não bateu a penalidade?
Enquanto isso, boa parte da repercussão em torno do lance girou justamente em torno de uma pergunta: por que Vinicius Jr., principal estrela do elenco e presente em campo no momento da marcação, não assumiu a responsabilidade? A resposta, segundo o próprio Ancelotti, é direta: o atacante do Real Madrid sequer aparecia entre os cinco primeiros nomes do levantamento estatístico que definiu a ordem de cobradores da equipe. Foi justamente por isso que, quando o árbitro Ismail Elfath assinalou a penalidade sobre Matheus Cunha, Vinicius Jr. chegou a pegar a bola — mas apenas para cumprir uma estratégia cada vez mais comum no futebol moderno: proteger o verdadeiro cobrador da pressão psicológica dos adversários durante os instantes que antecedem a cobrança.
De acordo com a Placar, o atacante do Real Madrid soma 19 cobranças de pênalti em tempo normal ao longo da carreira, convertendo 13 e desperdiçando seis — um retrospecto bem mais extenso do que o de Bruno Guimarães, ainda que também esteja longe de ser perfeito.
Além disso, Vinicius Jr. vive um momento particularmente especial nesta Copa do Mundo: o atacante brasileiro briga diretamente pela artilharia do torneio, somando quatro gols marcados até as oitavas de final — apenas três atrás de Lionel Messi e Kylian Mbappé na disputa pela chuteira de ouro. Pela Seleção Brasileira, contudo, o histórico de Vinicius Jr. em cobranças de pênalti também não é impecável: ele converteu apenas uma das três tentativas pelo país, com duas cobranças desperdiçadas somente neste ano de 2026.
Ainda assim, a ausência de Vinicius Jr. na cobrança contra a Noruega reacendeu justamente o debate sobre qual seria a hierarquia ideal de cobradores dentro do elenco canarinho, especialmente em momentos de tamanha pressão como uma disputa de oitavas de final de Copa do Mundo. Portanto, mesmo com o retrospecto perfeito de Bruno Guimarães antes da falha, a decisão de escalá-lo à frente de um batedor mais experiente como Vinicius Jr. deve continuar sendo tema de discussão entre torcedores e comentaristas nos próximos jogos da equipe nacional na competição.
E você, acredita que o critério estatístico usado por Ancelotti para deixar Vinícius Jr. fora dos cinco primeiros cobradores foi acertado, mesmo ele sendo a principal estrela do time e estando em campo no momento decisivo, ou a comissão técnica deveria ter reavaliado essa ordem depois de ver o resultado em campo?

