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O Pentágono replicou o ataque de drones mais temido da Ucrânia em solo americano — e descobriu que US$ 600 milhões em sistemas contra-drones não conseguiram impedir quadricópteros comerciais de furar todas as defesas

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 29/04/2026 às 19:00
Atualizado em 29/04/2026 às 19:32
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Exercício militar revelou que defesas bilionárias dos Estados Unidos não conseguiram deter drones comerciais pilotados por forças especiais — Pentágono gastou US$ 600 milhões em seis semanas para corrigir as falhas

Em setembro de 2025, segundo a Defense One, o Pentágono realizou um dos exercícios militares mais reveladores da década: a Operation Clear Horizon, na base aérea de Eglin, na Flórida.

A missão era simples no papel. Replicar o tipo de ataque com drones que a Ucrânia vinha usando contra a Rússia com sucesso devastador.

E testar se os Estados Unidos — com todo o seu orçamento de defesa — conseguiriam se proteger.

A resposta foi não.

Quadricópteros comerciais, do tipo que qualquer pessoa compra na internet, furaram as defesas americanas repetidamente.

Além disso, os sistemas de contra-drones de diferentes ramos das Forças Armadas simplesmente não conversavam entre si.

O resultado forçou o Pentágono a desembolsar US$ 600 milhões em apenas seis semanas para tentar corrigir o que o exercício expôs.

Drone controlado por fibra óptica em pista de base aérea militar dos Estados Unidos
Drone controlado por cabo de fibra óptica durante teste — tecnologia usada pela Ucrânia que resiste a interferência eletrônica

O ataque “spiderweb” ucraniano foi replicado em solo americano

A operação foi organizada pela Joint Interagency Task Force 401 (JIATF-401), o órgão do Pentágono responsável por consolidar a estratégia contra-drones dos Estados Unidos.

Do lado do ataque, membros do 10th Special Forces Group — uma das unidades de operações especiais mais experientes do Exército americano — lançaram uma ofensiva coordenada de drones.

O modelo foi o chamado ataque “spiderweb” — a mesma tática que a Ucrânia usou contra bases aéreas russas meses antes.

Contudo, os drones usados não eram equipamentos militares sofisticados.

Eram quadricópteros comerciais de radiofrequência, do tipo vendido por poucos milhares de dólares.

Além deles, foram usados modelos com antenas direcionais projetadas para resistir a interferência eletrônica.

Também entraram em cena drones controlados por fibra óptica — uma tecnologia que a Ucrânia dominou e que torna o drone praticamente invisível para sistemas de guerra eletrônica.

Pela primeira vez na história militar dos Estados Unidos, operadores localizados no Colorado controlaram drones atacando alvos na Flórida por meio da rede celular LTE.

Portanto, a distância entre piloto e drone deixou de ser um fator limitante.

Centro de comando militar dos EUA com telas mostrando rastreamento de drones
Centro de comando contra-drones — Pentágono descobriu que sistemas de diferentes forças armadas não se comunicam entre si

67 testes em quatro meses revelaram falhas críticas nas defesas americanas

Entre setembro e dezembro de 2025, o Pentágono realizou 67 testes contra-drones distribuídos entre os diferentes ramos das Forças Armadas, comandos combatentes e escritórios de pesquisa.

No entanto, o maior problema não foram os resultados individuais dos testes.

Foi o fato de que nenhum dado era consolidado.

Cada ramo militar testava seus próprios sistemas de forma isolada, sem comparar resultados com os outros.

Dessa forma, não havia como saber qual sistema realmente funcionava melhor contra cada tipo de drone.

O brigadeiro-general Matt Ross, líder da JIATF-401, revelou as falhas durante o evento Sea-Air-Space em abril de 2026.

Segundo ele, os Estados Unidos possuíam ferramentas capazes, mas faltava integração.

“Foram dezenas de exercícios produzindo silos de dados, em vez de comparações úteis”, disse Ross.

“Os sistemas funcionavam isolados, enquanto o campo de batalha exige convergência sob pressão.”

O Pentágono visitou a Ucrânia e abandonou seus próprios testes como referência

Em uma mudança estratégica sem precedentes, o Pentágono decidiu que os dados de combate real da Ucrânia eram mais confiáveis do que os resultados de seus próprios laboratórios.

Seis semanas antes do evento Sea-Air-Space, uma equipe da JIATF-401 visitou a Ucrânia para estudar de perto as operações com drones.

“Olhamos para as tecnologias mais promissoras e referenciamos sua eficácia na Ucrânia, não em testes internos do departamento”, afirmou Ross.

Assim, pela primeira vez, o maior exército do mundo admitiu publicamente que um país em guerra tinha mais experiência prática em drones do que os Estados Unidos.

Essa mudança de postura resultou em ações concretas e rápidas.

  • US$ 600 milhões foram alocados em seis semanas para integrar novas tecnologias
  • US$ 75 bilhões foram solicitados no orçamento de 2027 para tecnologia de drones — valor que supera o orçamento anual inteiro do Corpo de Fuzileiros Navais
  • Um sistema unificado de rastreamento de drones está sendo desenvolvido para conectar todas as forças armadas
  • Interceptores de baixo custo estão sendo priorizados para substituir mísseis de milhões de dólares usados contra drones baratos

Para se ter uma ideia do paradoxo: até então, os EUA usavam mísseis de US$ 2 milhões para derrubar drones que custavam menos de US$ 500.

Base aérea de Eglin na Flórida durante exercício contra-drones ao entardecer
Base de Eglin, Flórida, após exercícios — 67 testes entre setembro e dezembro de 2025 revelaram lacunas críticas na defesa aérea americana

A corrida dos drones autônomos acelera mais rápido do que qualquer orçamento militar consegue acompanhar

Um dos alertas mais preocupantes do general Ross foi sobre a velocidade de evolução dos drones.

“Há tantas aplicações comerciais que vamos ver um desenvolvimento acelerado nesse espaço”, disse ele.

Em outras palavras, qualquer pessoa com acesso à internet e alguns milhares de dólares pode montar uma frota de drones capaz de desafiar defesas militares de bilhões.

Consequentemente, o ciclo orçamentário anual do Pentágono — que leva meses para aprovar cada investimento — está sendo ultrapassado pela velocidade da inovação comercial.

A Marinha dos EUA já testou laser em porta-aviões como alternativa de baixo custo para derrubar drones, gastando centavos por disparo em vez de milhões.

Ainda assim, o laser resolve apenas parte do problema.

Drones controlados por fibra óptica não emitem sinais que possam ser detectados por radar ou guerra eletrônica.

E drones operados via rede celular podem ser controlados de qualquer lugar do planeta — como o teste Colorado-Flórida demonstrou.

A frota de drones com laser que o Pentágono planeja pode ser a próxima linha de defesa, mas ainda está em fase de desenvolvimento.

A lição que um país em guerra ensinou à maior potência militar do mundo

O exercício Operation Clear Horizon revelou uma verdade incômoda.

Os Estados Unidos gastam mais em defesa do que os próximos dez países combinados.

Ainda assim, drones comerciais de centenas de dólares expuseram brechas que bilhões de dólares em tecnologia não conseguiram cobrir.

A Ucrânia, com uma fração do orçamento americano, desenvolveu táticas de drones que forçaram o Pentágono a repensar toda a sua estratégia de defesa aérea.

Será que os US$ 75 bilhões pedidos para 2027 serão suficientes — ou a guerra dos drones já se tornou uma corrida impossível de vencer com dinheiro?

O exercício Operation Clear Horizon insere-se num debate mais amplo sobre prontidão americana para guerra de drones. Segundo o Breaking Defense, o Pentágono realizou uma série de exercícios em 2025 especificamente para testar vulnerabilidades contra drones de baixo custo — o tipo de ameaça que a Ucrânia demonstrou ser devastadoramente eficaz. O Exército americano também documentou os esforços de colaboração interagências para desenvolver contramedidas anti-drone de nova geração.

Porém, há uma ressalva importante: o exercício aconteceu em condições controladas, e um campo de batalha real apresenta variáveis que nenhuma simulação consegue replicar por completo.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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