A Missile Defense Agency anunciou em audiência no Congresso que está investindo US$ 452 milhões em lasers de alta energia montados em drones autônomos — o objetivo é criar uma frota capaz de patrulhar o espaço aéreo americano e derrubar ameaças sem nenhum piloto a bordo
Revelado em audiência no Congresso americano em 15 de abril de 2026 e detalhado pelo Military Times em 24 de abril, o programa representa uma mudança radical na estratégia de defesa dos Estados Unidos.
O diretor da Missile Defense Agency (MDA), tenente-general Heath Collins, declarou que a agência está “all in” — totalmente comprometida — com armas de energia dirigida.
Segundo Collins, o foco principal é integrar lasers de alta energia em plataformas aéreas não tripuladas para defesa antimísseis e antidrones dentro do território americano.
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A declaração foi feita durante testemunho perante o Subcomitê de Forças Estratégicas do Comitê de Serviços Armados da Câmara.

Os drones que eram alvos agora viram caçadores — e já têm nome
Além disso, a fabricante General Atomics já divulgou renderizações de dois modelos de drones equipados com armas laser.
O primeiro é o MQ-9B SkyGuardian, uma versão avançada do Reaper que já opera em dezenas de países.
O segundo é o MQ-20 Avenger, um drone furtivo de maior porte projetado para missões de combate.
Ambos aparecem nas imagens oficiais com módulos de laser acoplados à fuselagem, capazes de rastrear e destruir alvos em pleno voo.
O paradoxo é evidente: os mesmos drones que até ontem eram os alvos preferidos de sistemas de defesa aérea agora se tornam os caçadores.
Dessa forma, a lógica da guerra aérea se inverte — quem antes era presa passa a ser predador.
US$ 452 milhões e o programa Golden Dome
De acordo com documentos orçamentários iniciais, aproximadamente US$ 452 milhões foram alocados para pesquisa e desenvolvimento de lasers de alta energia e micro-ondas de alta potência.
O investimento faz parte do programa Golden Dome, o novo escudo de defesa aérea dos Estados Unidos.
Além disso, o orçamento total para projetos de armas hipersônicas no ano fiscal de 2026 chega a US$ 3,9 bilhões.
Contudo, os lasers aéreos representam uma aposta diferente das armas hipersônicas. Enquanto mísseis hipersônicos atacam, os lasers defendem — e a um custo drasticamente menor por disparo.
Um míssil interceptador convencional custa entre US$ 40 mil e US$ 80 mil por tiro. Um disparo de laser custa centavos em eletricidade.

O teste que já aconteceu: laser no porta-aviões USS George H.W. Bush
Enquanto o programa de drones com laser ainda está em fase de desenvolvimento, a Marinha dos EUA já testou um sistema similar em uma plataforma diferente.
Em outubro de 2025, a empresa AeroVironment demonstrou o sistema LOCUST Laser Weapon System (LWS) a bordo do porta-aviões USS George H.W. Bush (CVN-77), no Oceano Atlântico.
Conforme reportou a Army Recognition, foi a primeira vez que uma arma laser foi disparada de um porta-aviões.
O laser detectou, rastreou, engajou e neutralizou múltiplos drones durante uma única sequência de disparo.
O sistema foi instalado em uma configuração conteinerizada — o chamado Palletized High Energy Laser (P-HEL) — posicionado diretamente no convés de voo.
Nesse sentido, o teste provou que armas de energia dirigida já funcionam em ambientes operacionais reais, não apenas em laboratórios.
O porta-aviões que realizou o teste chegou ao Oriente Médio em 24 de abril de 2026, em plena tensão com o Irã.
Por que montar lasers em drones — e não em aviões tripulados
Nesse sentido, a escolha por plataformas não tripuladas não é acidental. Drones podem permanecer no ar por mais de 24 horas seguidas, patrulhando sem fadiga de piloto.
Além disso, são significativamente mais baratos do que caças tripulados. Um MQ-9 custa cerca de US$ 30 milhões, enquanto um F-35 ultrapassa US$ 80 milhões.
Por outro lado, a perda de um drone com laser em combate não representa perda de vida humana — apenas de equipamento.
Sobretudo, drones podem voar em formações coordenadas por inteligência artificial, criando uma rede de defesa aérea móvel que se reposiciona automaticamente conforme a ameaça.
A ideia é que uma frota desses drones possa cobrir regiões inteiras dos Estados Unidos contra mísseis de cruzeiro, mísseis balísticos em fase terminal e enxames de drones hostis.
O fantasma dos fracassos anteriores
O Pentágono já tentou colocar lasers no ar antes — e falhou repetidamente.
O programa Airborne Laser (ABL) da Força Aérea montou um laser químico gigante dentro de um Boeing 747 modificado. Após gastar bilhões, o projeto foi cancelado em 2012 por ser pesado demais e impraticável.
Da mesma forma, o programa SHiELD (Self-Protect High-Energy Laser Demonstrator) buscava instalar lasers compactos em caças. Não conseguiu sequer avançar para testes em voo.
De fato, engenheiros enfrentam desafios técnicos colossais: construir uma arma potente o suficiente para destruir um míssil, mas leve e compacta o bastante para caber em um drone.
A turbulência atmosférica e condições climáticas também degradam a eficácia do feixe laser a longas distâncias.
A diferença agora, segundo a MDA, é a miniaturização. Lasers de estado sólido ficaram menores e mais potentes na última década, e drones como o MQ-20 Avenger são grandes o suficiente para carregá-los.

A corrida global por lasers de defesa
Os Estados Unidos não estão sozinhos nessa corrida. Israel já usa operacionalmente o sistema Iron Beam (Raio de Ferro), desenvolvido pela Rafael Advanced Defense Systems.
Consequentemente, o Oriente Médio se tornou o primeiro campo de batalha real para armas de energia dirigida.
O Iron Beam opera em plataformas terrestres com alcance de 10 km e custo quase zero por disparo. Foi usado pela primeira vez contra drones iranianos e do Hezbollah em 2025.
Apesar disso, nenhum país ainda conseguiu operacionalizar lasers em plataformas aéreas autônomas — o que torna o programa americano potencialmente pioneiro.
Se os EUA conseguirem fazer um drone destruir um míssil em voo com um feixe de luz, será a primeira vez na história que isso acontece fora de ficção científica.
O que ainda pode dar errado
Contudo, o programa está em fase inicial. Nenhum drone armado com laser foi testado contra um míssil real até abril de 2026.
Ainda assim, os US$ 452 milhões alocados representam apenas o começo. Projetos de defesa dessa escala historicamente custam 5 a 10 vezes mais do que o orçamento inicial.
Além disso, adversários como China e Rússia já desenvolvem contramedidas — incluindo revestimentos anti-laser e mísseis que mudam de trajetória de forma imprevisível.
Por enquanto, o que existe são renderizações, audiências no Congresso e uma promessa ambiciosa. A distância entre “all in” e “operacional” ainda é medida em anos — e em bilhões de dólares.

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