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Os Estados Unidos querem montar uma frota de drones armados com laser capazes de destruir mísseis em pleno voo — o Pentágono já reservou US$ 452 milhões e o diretor de defesa antimísseis disse que está “all in” na ideia

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 26/04/2026 às 18:15
Atualizado em 26/04/2026 às 18:23
Drone MQ-20 Avenger em voo com módulo de laser acoplado à fuselagem
Renderização de drone militar MQ-20 Avenger equipado com arma laser de alta energia para defesa antimísseis — programa de US$ 452 milhões da MDA
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A Missile Defense Agency anunciou em audiência no Congresso que está investindo US$ 452 milhões em lasers de alta energia montados em drones autônomos — o objetivo é criar uma frota capaz de patrulhar o espaço aéreo americano e derrubar ameaças sem nenhum piloto a bordo

Revelado em audiência no Congresso americano em 15 de abril de 2026 e detalhado pelo Military Times em 24 de abril, o programa representa uma mudança radical na estratégia de defesa dos Estados Unidos.

O diretor da Missile Defense Agency (MDA), tenente-general Heath Collins, declarou que a agência está “all in” — totalmente comprometida — com armas de energia dirigida.

Segundo Collins, o foco principal é integrar lasers de alta energia em plataformas aéreas não tripuladas para defesa antimísseis e antidrones dentro do território americano.

A declaração foi feita durante testemunho perante o Subcomitê de Forças Estratégicas do Comitê de Serviços Armados da Câmara.

Torreta de laser de energia dirigida montada em drone militar disparando contra alvo distante
Lasers de alta energia montados em drones podem destruir mísseis e outros drones a um custo de centavos por disparo

Os drones que eram alvos agora viram caçadores — e já têm nome

Além disso, a fabricante General Atomics já divulgou renderizações de dois modelos de drones equipados com armas laser.

O primeiro é o MQ-9B SkyGuardian, uma versão avançada do Reaper que já opera em dezenas de países.

O segundo é o MQ-20 Avenger, um drone furtivo de maior porte projetado para missões de combate.

Ambos aparecem nas imagens oficiais com módulos de laser acoplados à fuselagem, capazes de rastrear e destruir alvos em pleno voo.

O paradoxo é evidente: os mesmos drones que até ontem eram os alvos preferidos de sistemas de defesa aérea agora se tornam os caçadores.

Dessa forma, a lógica da guerra aérea se inverte — quem antes era presa passa a ser predador.

US$ 452 milhões e o programa Golden Dome

De acordo com documentos orçamentários iniciais, aproximadamente US$ 452 milhões foram alocados para pesquisa e desenvolvimento de lasers de alta energia e micro-ondas de alta potência.

O investimento faz parte do programa Golden Dome, o novo escudo de defesa aérea dos Estados Unidos.

Além disso, o orçamento total para projetos de armas hipersônicas no ano fiscal de 2026 chega a US$ 3,9 bilhões.

Contudo, os lasers aéreos representam uma aposta diferente das armas hipersônicas. Enquanto mísseis hipersônicos atacam, os lasers defendem — e a um custo drasticamente menor por disparo.

Um míssil interceptador convencional custa entre US$ 40 mil e US$ 80 mil por tiro. Um disparo de laser custa centavos em eletricidade.

Porta-aviões USS George H.W. Bush no mar com sistema laser LOCUST visível no convés de voo
O sistema LOCUST foi testado no convés do porta-aviões USS George H.W. Bush em outubro de 2025 — primeiro teste de laser em porta-aviões da história

O teste que já aconteceu: laser no porta-aviões USS George H.W. Bush

Enquanto o programa de drones com laser ainda está em fase de desenvolvimento, a Marinha dos EUA já testou um sistema similar em uma plataforma diferente.

Em outubro de 2025, a empresa AeroVironment demonstrou o sistema LOCUST Laser Weapon System (LWS) a bordo do porta-aviões USS George H.W. Bush (CVN-77), no Oceano Atlântico.

Conforme reportou a Army Recognition, foi a primeira vez que uma arma laser foi disparada de um porta-aviões.

O laser detectou, rastreou, engajou e neutralizou múltiplos drones durante uma única sequência de disparo.

O sistema foi instalado em uma configuração conteinerizada — o chamado Palletized High Energy Laser (P-HEL) — posicionado diretamente no convés de voo.

Nesse sentido, o teste provou que armas de energia dirigida já funcionam em ambientes operacionais reais, não apenas em laboratórios.

O porta-aviões que realizou o teste chegou ao Oriente Médio em 24 de abril de 2026, em plena tensão com o Irã.

Por que montar lasers em drones — e não em aviões tripulados

Nesse sentido, a escolha por plataformas não tripuladas não é acidental. Drones podem permanecer no ar por mais de 24 horas seguidas, patrulhando sem fadiga de piloto.

Além disso, são significativamente mais baratos do que caças tripulados. Um MQ-9 custa cerca de US$ 30 milhões, enquanto um F-35 ultrapassa US$ 80 milhões.

Por outro lado, a perda de um drone com laser em combate não representa perda de vida humana — apenas de equipamento.

Sobretudo, drones podem voar em formações coordenadas por inteligência artificial, criando uma rede de defesa aérea móvel que se reposiciona automaticamente conforme a ameaça.

A ideia é que uma frota desses drones possa cobrir regiões inteiras dos Estados Unidos contra mísseis de cruzeiro, mísseis balísticos em fase terminal e enxames de drones hostis.

O fantasma dos fracassos anteriores

O Pentágono já tentou colocar lasers no ar antes — e falhou repetidamente.

O programa Airborne Laser (ABL) da Força Aérea montou um laser químico gigante dentro de um Boeing 747 modificado. Após gastar bilhões, o projeto foi cancelado em 2012 por ser pesado demais e impraticável.

Da mesma forma, o programa SHiELD (Self-Protect High-Energy Laser Demonstrator) buscava instalar lasers compactos em caças. Não conseguiu sequer avançar para testes em voo.

De fato, engenheiros enfrentam desafios técnicos colossais: construir uma arma potente o suficiente para destruir um míssil, mas leve e compacta o bastante para caber em um drone.

A turbulência atmosférica e condições climáticas também degradam a eficácia do feixe laser a longas distâncias.

A diferença agora, segundo a MDA, é a miniaturização. Lasers de estado sólido ficaram menores e mais potentes na última década, e drones como o MQ-20 Avenger são grandes o suficiente para carregá-los.

Formação de três drones militares voando em padrão coordenado com rede de defesa laser
A ideia é criar uma rede de defesa aérea móvel com drones autônomos coordenados por inteligência artificial

A corrida global por lasers de defesa

Os Estados Unidos não estão sozinhos nessa corrida. Israel já usa operacionalmente o sistema Iron Beam (Raio de Ferro), desenvolvido pela Rafael Advanced Defense Systems.

Consequentemente, o Oriente Médio se tornou o primeiro campo de batalha real para armas de energia dirigida.

O Iron Beam opera em plataformas terrestres com alcance de 10 km e custo quase zero por disparo. Foi usado pela primeira vez contra drones iranianos e do Hezbollah em 2025.

Apesar disso, nenhum país ainda conseguiu operacionalizar lasers em plataformas aéreas autônomas — o que torna o programa americano potencialmente pioneiro.

Se os EUA conseguirem fazer um drone destruir um míssil em voo com um feixe de luz, será a primeira vez na história que isso acontece fora de ficção científica.

O que ainda pode dar errado

Contudo, o programa está em fase inicial. Nenhum drone armado com laser foi testado contra um míssil real até abril de 2026.

Ainda assim, os US$ 452 milhões alocados representam apenas o começo. Projetos de defesa dessa escala historicamente custam 5 a 10 vezes mais do que o orçamento inicial.

Além disso, adversários como China e Rússia já desenvolvem contramedidas — incluindo revestimentos anti-laser e mísseis que mudam de trajetória de forma imprevisível.

Por enquanto, o que existe são renderizações, audiências no Congresso e uma promessa ambiciosa. A distância entre “all in” e “operacional” ainda é medida em anos — e em bilhões de dólares.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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