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Filho de agricultores, ele começou aos 12 anos trabalhando numa farmácia do interior do Paraná, viu o sócio dar a empresa por “quebrada” e sair, e hoje comanda a marca de suplementos presente em 83 mil farmácias, investindo R$ 67 milhões rumo a R$ 500 milhões

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 09/07/2026 às 13:42 Atualizado em 09/07/2026 às 13:44
Maxinutri: filho de agricultores que começou aos 12 numa farmácia comanda a marca presente em 83 mil farmácias e investe R$ 67 milhões rumo a R$ 500 milhões
Maxinutri: filho de agricultores que começou aos 12 numa farmácia comanda a marca presente em 83 mil farmácias e investe R$ 67 milhões rumo a R$ 500 milhões
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Fernando Ferdinandi fundou a Maxinutri em 2007 com R$ 80 mil, num espaço de 70 metros quadrados em Arapongas, vendendo só um shake, um chá e uma sopa; hoje são mais de 200 produtos e exportação para 5 continentes

A Maxinutri, indústria de suplementos que começou há 19 anos em um espaço de 70 metros quadrados em Arapongas, no norte do Paraná, produzindo apenas três itens, está tirando do papel um investimento de R$ 67 milhões para ampliar sua operação industrial e logística, segundo a Exame, em reportagem de 5 de julho. O pacote inclui uma expansão de fábrica de R$ 45 milhões e um novo centro de distribuição de R$ 22 milhões, ambos em Arapongas.

A régua do crescimento é agressiva: depois de faturar R$ 345 milhões em 2025, a companhia projeta encerrar este ano com receita entre R$ 425 milhões e R$ 430 milhões e alcançar R$ 500 milhões em 2027, quando completa 20 anos, depois de crescer 128,8% nos últimos três anos, segundo o Panorama Farmacêutico, que também detalhou o plano. E a história do dono começa atrás de um balcão.

O menino da farmácia que enxergou o que ninguém via

A vantagem competitiva da Maxinutri nasceu na infância do fundador. Filho de agricultores, Fernando Ferdinandi começou a trabalhar aos 12 anos em uma farmácia de Arapongas, permaneceu ali por 5 anos passando por diferentes funções e aprendendo sobre manipulação, depois cursou Farmácia, comprou uma drogaria com um colega de faculdade e abriu uma segunda unidade, segundo a Exame.

Foi dessa vivência que surgiu a percepção que mudaria tudo: no início dos anos 2000, a maior parte dos suplementos era vendida em lojas especializadas em nutrição esportiva, e a categoria praticamente não existia dentro das farmácias. Foi justamente nesse espaço vazio que ele decidiu apostar. “Quando começamos, precisávamos convencer distribuidores e farmacistas de que essa categoria tinha potencial”, conta o fundador na reportagem.

2007: R$ 80 mil, 70 metros quadrados e três produtos

Maxinutri: filho de agricultores que começou aos 12 numa farmácia comanda a marca presente em 83 mil farmácias e investe R$ 67 milhões rumo a R$ 500 milhões
Fachada da Maxinutri. Foto: Reprodução (via Panorama Farmacêutico).

O começo coube numa sala. A Maxinutri foi fundada em 2007 com R$ 80 mil de investimento, em um espaço de 70 metros quadrados, produzindo apenas um shake, um chá e uma sopa solúvel para emagrecimento, e hoje o catálogo reúne mais de 200 itens em categorias como saúde articular, sistema digestivo, probióticos, nutricosméticos e vitaminas, segundo a Exame.

A operação também cruzou fronteiras: além da presença nacional, a empresa exporta para mercados da América Latina, América do Norte, Europa, Ásia e Oriente Médio, de acordo com o Panorama Farmacêutico.

A crise de 2011: o pedido gigante que quase matou a empresa

O caminho teve um vale profundo. Em 2011, a Maxinutri recebeu de uma grande rede varejista um pedido equivalente a aproximadamente um ano de faturamento da época, mobilizou fornecedores, recorreu a capital de giro e ampliou a produção, mas menos de 20% do pedido acabou efetivamente comprado pelo cliente, segundo a Exame. O caixa afundou, e a sociedade também.

“Meu sócio entendia que a empresa havia quebrado. Eu acreditava que tínhamos cometido um erro, mas que o negócio era bom e tinha potencial”, relembra Ferdinandi na entrevista. Ele assumiu sozinho a operação e as dívidas, renegociou os débitos com bancos e fornecedores e investiu num reposicionamento completo da marca. Pouco mais de uma década depois, a empresa que o sócio deu por morta prepara o salto para o meio bilhão.

A rede que virou fortaleza: 180 distribuidores e 5 mil vendedores

O modelo comercial explica a escala. A companhia opera por meio de cerca de 180 distribuidores espalhados pelo Brasil, responsáveis por aproximadamente 85% das vendas, apoiados por uma estrutura de quase 5 mil vendedores, o que coloca pelo menos um produto da Maxinutri nas prateleiras de mais de 83 mil farmácias brasileiras, segundo a Exame.

Para o fundador, é o ativo que nenhum concorrente copia rápido: “Nossa cadeia de parceiros é o ativo mais valioso que construímos. Ela reduz risco de concentração, reduz inadimplência e nos dá capacidade de escalar o portfólio”, afirma na reportagem.

A fábrica nova e a aposta de R$ 18 milhões nas gomas

Maxinutri: filho de agricultores que começou aos 12 numa farmácia comanda a marca presente em 83 mil farmácias e investe R$ 67 milhões rumo a R$ 500 milhões
Vídeo do canal oficial da Maxinutri. Imagem: Reprodução/YouTube Maxinutri.

O grosso do investimento vai para a produção. A planta industrial de 20 mil metros quadrados de Arapongas, construída a partir de 2016 e inaugurada em 2018, ganha uma expansão de 5 mil metros quadrados que deve entrar em operação em janeiro do próximo ano, com novas linhas de líquidos, cápsulas softgel, pré-misturas, novo setor de embalagem e ampliação do laboratório de controle de qualidade, segundo a Exame.

A menina dos olhos é a linha de suplementos em gomas, que sozinha demandou R$ 18 milhões entre equipamentos e estrutura. “É um movimento que vem crescendo de maneira muito acelerada. É um formato que apresenta grande aderência em diferentes públicos, desde jovens até idosos, pela facilidade de consumo”, diz Ferdinandi à Exame.

O gargalo da logística e a frota que começou com 1 caminhão

O crescimento criou um problema bom, e caro. A empresa está erguendo um centro de distribuição de 8 mil metros quadrados em frente à fábrica, com capacidade para 9 mil posições de pallets, que deve operar entre o fim deste ano e o início do próximo, já que hoje a Maxinutri abastece praticamente todo o território nacional a partir de Arapongas, segundo a Exame.

A logística própria nasceu de um teste: há quatro anos, a empresa comprou um primeiro caminhão para experimentar a operação, e o resultado levou a novas aquisições até a frota atual de 16 carretas. A economia de custos ficou abaixo de 10%, mas os ganhos vieram de outro lugar, conta o fundador: “Tivemos uma redução drástica de avarias e um ganho muito expressivo de qualidade de serviço, previsibilidade e tempo de entrega”.

O próximo passo: mais 20 mil metros quadrados e a beleza no radar

A expansão não termina no pacote atual. Neste ano, a companhia adquiriu mais uma área de 20 mil metros quadrados ao lado da fábrica, terreno que vai abrigar novos projetos industriais, incluindo a possibilidade de entrada no mercado de higiene e beleza, segundo a Exame. “Hoje ajudamos as pessoas a cuidar da saúde de dentro para dentro. Faz sentido também participar do cuidado de fora para dentro”, explica Ferdinandi.

A projeção é crescer entre 15% e 17% no próximo ano até a meta simbólica de 2027. “Seria uma maneira muito simbólica de comemorar os 20 anos da empresa. Mostraria que valeu a pena insistir quando tudo parecia ter dado errado”, diz o fundador à Exame. Fica a observação desta redação, devidamente sinalizada: o menino que aprendeu o balcão de farmácia aos 12 anos construiu justamente ali, na prateleira da farmácia de bairro, o canal que os gigantes do setor demoraram a enxergar.

Dos 70 metros quadrados ao complexo industrial que não para de crescer em Arapongas, a história da Maxinutri mostra que conhecer o ponto de venda por dentro pode valer mais que qualquer fórmula.

Conta pra gente nos comentários: você já comprou vitamina ou suplemento na farmácia do seu bairro, ou pra você isso ainda é coisa de loja de academia?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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