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O maior deserto molhado da América do Sul faz lagoas desaparecerem e reaparecerem todos os anos criando um cenário único no Brasil

Foto de perfil do autor Jefferson Augusto
Escrito por Jefferson Augusto Publicado em 26/02/2026 às 17:31 Atualizado em 26/02/2026 às 22:54
Assista o vídeoLagoas azuis entre dunas brancas nos Lençóis Maranhenses
Lagoas sazonais formadas pelas chuvas entre as dunas do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.
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Entre dunas infinitas e espelhos d’água cristalinos, Barreirinhas revela um fenômeno natural reconhecido pela UNESCO que transforma o Maranhão em um dos destinos mais impressionantes do planeta

A areia branca avança até onde a vista alcança. No entanto, ao contrário de um deserto tradicional, entre uma duna e outra surgem lagoas de água doce que aparecem e desaparecem conforme o regime de chuvas determina. Assim, o que parece um cenário árido se transforma, na verdade, em um espetáculo sazonal raro no planeta.

Esse fenômeno acontece nos Lençóis Maranhenses, no litoral do Maranhão. Além disso, Barreirinhas funciona como a principal porta de entrada para quem deseja testemunhar essa transformação natural de perto. Por isso, a cidade se tornou referência em turismo ecológico no Brasil.

Reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade em julho de 2024, o parque ganhou um destaque ainda maior no cenário internacional. Inclusive, esse foi o primeiro título do tipo concedido ao Brasil em 23 anos, o que reforça a relevância ambiental da região.

Criado em 1981, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses protege 155 mil hectares de dunas, restingas e manguezais. Entretanto, apesar da aparência desértica, a região recebe cerca de 1.600 mm de chuva por ano. Consequentemente, essa precipitação abastece os lençóis freáticos e forma as lagoas azuis e verdes que deram fama mundial ao destino.

A informação foi divulgada por “Wikipédia” e complementada por dados do ICMBio e da UNESCO, que destacam tanto a importância ecológica quanto o reconhecimento internacional oficializado em Nova Délhi.

Como surgiram as dunas que parecem deserto, mas escondem água doce?

Embora muitos descrevam os Lençóis Maranhenses como um “deserto brasileiro”, tecnicamente ele não é um deserto. Pelo contrário, trata-se do maior campo de dunas da América do Sul com alto índice pluviométrico.

Além disso, a área está situada em uma zona de transição entre Cerrado, Caatinga e Amazônia. Por essa razão, a biodiversidade impressiona. Ao todo, são registradas pelo menos:

  • 133 espécies de plantas
  • 112 espécies de aves
  • 42 espécies de répteis

Entre as espécies ameaçadas estão o guará, a lontra-neotropical e o peixe-boi-marinho. Portanto, além de cenário turístico, o parque representa um importante corredor ecológico.

Enquanto as chuvas de janeiro a junho enchem as lagoas, os meses seguintes determinam sua permanência. Assim, o cenário muda constantemente. Dessa maneira, nenhuma visita é igual à outra.

O que fazer em Barreirinhas entre dunas, rio e vilarejos isolados?

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Barreirinhas organiza o acesso a três circuitos principais de lagoas e ao passeio fluvial mais procurado do Maranhão. Para isso, veículos 4×4 credenciados pelo ICMBio conduzem os visitantes pelas trilhas de areia. Assim, o acesso ocorre de forma controlada e sustentável.

Entre as experiências mais procuradas estão:

Lagoa Azul e Lagoa Bonita
Ambas são cartões-postais do parque. Enquanto a Lagoa Azul encanta pelo contraste intenso entre azul e branco, a Lagoa Bonita oferece vista panorâmica do campo de dunas. Além disso, a subida à duna proporciona sensação de horizonte infinito.

Passeio pelo Rio Preguiças
A lancha voadeira parte da Avenida Beira-Rio e segue até Caburé. Durante o percurso, há paradas em Vassouras — onde ficam os Pequenos Lençóis e macacos saguis — e em Mandacaru. Nesse ponto, o farol da Marinha, com 35 metros de altura e 160 degraus, revela a foz do rio encontrando o Oceano Atlântico.

Atins
Localizado a apenas 15 minutos de barco de Caburé, o vilarejo atrai praticantes de kitesurf. Além disso, preserva um clima rústico que lembra Jericoacoara décadas atrás.

Trekking de travessia
Para os aventureiros, caminhadas de até cinco dias cruzam o campo de dunas. Durante o percurso, é possível pernoitar nos oásis de Queimada dos Britos e Baixa Grande, onde cerca de 30 famílias vivem entre a restinga.

Quando visitar para encontrar lagoas cheias?

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O regime climático influencia totalmente a experiência. Por isso, escolher a época certa faz toda a diferença.

Janeiro a Junho – Período chuvoso
Temperaturas entre 25°C e 32°C
Chuva alta
Nesse período, as lagoas se formam e atingem volume máximo.

Maio a Setembro – Melhor época
Temperaturas entre 25°C e 33°C
É considerada a “janela de ouro”. Isso porque as lagoas ainda estão cheias, enquanto o sol aparece com maior frequência.

Outubro a Dezembro – Período seco
Temperaturas entre 26°C e 34°C
As lagoas começam a baixar gradualmente. Ainda assim, é ideal para quem busca dunas infinitas e menos movimento turístico.

Dados baseados no Climatempo.

Como chegar a Barreirinhas?

Barreirinhas está a 252 km de São Luís pela MA-402 (Translitorânea). O trajeto leva cerca de 4 horas de carro ou van. Além disso, ônibus partem diariamente do terminal rodoviário da capital.

O Aeroporto de Barreirinhas opera voos fretados e de aviação executiva. Além disso, o Programa AmpliAR prevê a retomada de voos comerciais. A cidade também integra a Rota das Emoções, conectando os Lençóis ao Delta do Parnaíba (PI) e a Jericoacoara (CE).

Sabores regionais que completam a experiência

A gastronomia nasce do encontro entre rio e mar. Por isso, os pratos valorizam ingredientes locais. Entre eles estão:

  • Peixe na telha
  • Camarão ao molho com leite de coco
  • Arroz de cuxá com vinagreira, gergelim torrado e camarão seco

Assim, a viagem combina paisagens, cultura e sabores únicos.

Se você soubesse que as lagoas podem desaparecer até a próxima estação, viajaria agora ou esperaria a “janela de ouro”?

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