Após dias de colapso no transporte coletivo, a greve de ônibus em Campo Grande caminha para o fim com a antecipação de R$ 3,3 milhões do Estado, condicionada ao pagamento dos salários atrasados e do 13º pelo Consórcio Guaicurus, negociada por Prefeitura, Câmara e sindicato, para enfim encerrar a paralisação.
Após dias de cidade praticamente parada, a greve de ônibus em Campo Grande, Governo de Mato Grosso do Sul confirmou deve chegar ao fim nesta quinta-feira, dia 18, depois que o Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo Urbano confirmou o início dos preparativos para o retorno dos motoristas ao trabalho, após acordo firmado com a Prefeitura, a Câmara Municipal e o Governo do Estado.
A decisão foi anunciada na manhã desta quinta-feira, poucos minutos depois de o governador Eduardo Riedel autorizar a antecipação de R$ 3,3 milhões destinados ao custeio das gratuidades estudantis, viabilizando o pagamento do restante dos salários de novembro e do 13º, que precisa ser quitado até amanhã para garantir a retomada integral do serviço e aliviar o caos vivido pelos passageiros.
Antecipação de R$ 3,3 milhões viabiliza pagamento e libera acordo
Segundo os negociadores, a antecipação de R$ 3,3 milhões pelo Governo do Estado foi o ponto de virada para destravar a crise no transporte coletivo.
-
Imposto de Renda 2026: 9,58 milhões de contribuintes entram no maior lote de restituição já registrado pela Receita Federal, mas um detalhe sobre quem recebe primeiro está despertando atenção em todo o país
-
Itaú muda o jogo do trabalho híbrido, exige mais dias no escritório a partir de 2028 e deixa funcionários de olho no calendário, no trânsito e na nova rotina presencial
-
Com a escassez de mão obra, Japão planeja investir R$ 173 milhões para atrair trabalhadores estrangeiros em setores da Construção Civil, Saúde, Indústria e Comércio
-
Cidade dá salto impressionante, sai da 354ª posição e vira a 4ª mais rica do país, superando grandes capitais com PIB de R$ 134,1 bilhões
O recurso será utilizado para cobrir as gratuidades estudantis, aliviando o caixa do Consórcio Guaicurus e abrindo espaço para o pagamento dos trabalhadores.
Após a confirmação oficial do Estado, uma reunião na Câmara Municipal, realizada na manhã desta quinta-feira, formalizou o desfecho da paralisação.
Ao mesmo tempo, a Prefeitura enviou ofício pedindo a antecipação dos valores e os trâmites administrativos já seguem para liberação do dinheiro, etapa considerada essencial para que a greve de ônibus seja encerrada ainda hoje.
O secretário estadual de Governo, Rodrigo Perez, confirmou que essa foi a última etapa burocrática necessária para fechar o acordo, reforçando que, com o pedido formalizado, o processo de pagamento será agilizado para que os motoristas possam receber e o sistema volte a operar.
Sindicato condiciona fim da greve de ônibus ao pagamento de salários e 13º
Mesmo com o avanço das negociações, o sindicato deixa claro que o fim da greve de ônibus depende diretamente do cumprimento do acordo por parte do Consórcio Guaicurus.
O presidente do STTCU, Demétrio Freitas, afirmou que ainda falta o pagamento de 50% dos salários de novembro, além do 13º salário, que vence amanhã.
“Não adianta pagar hoje e amanhã atrasar de novo. Precisamos que tudo seja pago para que o trabalhador volte com tranquilidade.
A gente assume o compromisso de que, se fizer o pagamento, o trabalhador volta imediatamente. Já convoquei eles para comunicar e pode ter certeza que, se isso acontecer no decorrer do dia, os ônibus voltam hoje ainda”, declarou o dirigente sindical.
Na visão do sindicato, o acordo só estará efetivamente cumprido quando o dinheiro cair na conta dos trabalhadores.
Até lá, a categoria se mantém em alerta, mesmo diante da sinalização positiva do governo e da pressão da Câmara Municipal para garantir a normalização do serviço.
Câmara Municipal atua como mediadora em meio ao caos no transporte
A Câmara Municipal assumiu protagonismo na mediação da crise, diante de uma cidade inteira sem ônibus por vários dias.
O presidente da Casa, Epaminondas Vicente Neto, o Papy, enfatizou que Campo Grande “vem sofrendo absurdamente com a paralisação do transporte coletivo”, reforçando que a prioridade foi defender a população sem abandonar a pauta dos trabalhadores sem salário.
Ele relatou que condicionou o compromisso com o sindicato à possibilidade de antecipar o repasse estadual.
Segundo Papy, foi dito a Demétrio que, se o governo ao menos sinalizasse que poderia antecipar os valores, o retorno dos motoristas deveria ser imediato, compromisso que o sindicato assumiu e validou na Câmara.
Papy também relatou o esforço junto ao governador Eduardo Riedel, a quem recorreu mesmo em uma agenda cheia.
Em conversa longa, o chefe do Executivo estadual teria pedido tempo para avaliar a viabilidade fiscal e financeira da antecipação, comprometendo-se a dar uma resposta nesta quinta-feira, o que acabou se confirmando.
Dias de caos para a população e expectativa de retomada das linhas
Enquanto a greve de ônibus paralisou o sistema, milhares de moradores ficaram sem alternativa de deslocamento, enfrentando dificuldades para chegar ao trabalho, às escolas e aos serviços de saúde.
A avaliação na Câmara é de que a população ficou “desassistida do transporte”, ao mesmo tempo em que os próprios motoristas estavam sem receber.
Com o avanço do acordo e a confirmação da antecipação dos recursos, a expectativa é que as linhas comecem a voltar gradualmente ao longo do dia, à medida que o Consórcio Guaicurus efetive o pagamento do restante dos salários de novembro e do 13º.
O sindicato já orientou a categoria a ficar de prontidão para retomar as atividades assim que os depósitos forem realizados.
Ainda não há um horário oficial divulgado para a normalização total da frota, mas a sinalização dos envolvidos é de que, cumpridas as obrigações financeiras com os trabalhadores, a cidade deve começar a sentir o alívio nas próximas horas, após dias de forte desgaste e pressão sobre o poder público e a empresa responsável pelo transporte.
E você, depois de tantos dias de paralisação, como avalia a condução dessa greve de ônibus em Campo Grande: o acordo veio na hora certa ou demorou demais?
