Impulsionada pelo pré-sal, cidade fluminense ultrapassou grandes capitais, acumulou R$ 2,6 bilhões em fundo soberano e transformou royalties em renda básica, transporte gratuito, bolsas universitárias, bicicletas compartilhadas e investimentos voltados ao futuro econômico
O PIB de Maricá alcançou R$ 134,1 bilhões em 2023 e colocou o município de 212 mil habitantes atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Impulsionada pelos royalties do pré-sal, a cidade fluminense também acumulou R$ 2,6 bilhões em um fundo criado para financiar políticas públicas após o ciclo do petróleo.
PIB de Maricá superou economias de grandes capitais
Localizada a pouco mais de 60 quilômetros do Rio de Janeiro, Maricá passou por uma mudança expressiva em pouco mais de duas décadas. Em 2002, ocupava a 354ª posição entre as cidades mais ricas do país.
Com o resultado registrado em 2023, o município chegou ao quarto lugar no ranking nacional, ultrapassando capitais como Belo Horizonte, Manaus e Curitiba. Foi a primeira vez que uma cidade que não é capital alcançou essa posição.
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Alvo de intensa controvérsia, desde sua ampla divulgação, a eliminação da escala 6 x 1 – sob o argumento inconsistente de que ela implicaria ‘ganhos de produtividade’ e até ‘de renda’ à classe trabalhadora – não resiste ao mais elementar princípio econômico. Isso porque, sem ganhos de produtividade efetivos, haverá custo extra a ser suportado pelas empresas, ‘regiamente’ repassado ao consumidor final, sempre ele.
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O PIB por habitante passou de R$ 679 mil, ficando entre os maiores do Brasil. O resultado está diretamente ligado à exploração de petróleo do pré-sal na Bacia de Santos.
Maricá tornou-se a maior receptora de royalties do petróleo do país. Segundo dados da prefeitura, a arrecadação anual proveniente dessa fonte supera R$ 2,7 bilhões.
Fundo soberano já acumula R$ 2,6 bilhões
Para reduzir a dependência futura do petróleo, a prefeitura criou, em 2018, o primeiro fundo soberano municipal do Brasil.
Aproximadamente 15% dos recursos recebidos em royalties são poupados e aplicados em fundos públicos do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.
O objetivo é formar uma reserva capaz de sustentar políticas municipais quando a produção petrolífera diminuir.
O Fundo Soberano de Maricá encerrou 2024 com R$ 2,6 bilhões acumulados, conforme informações da administração municipal.
O modelo também passou a despertar interesse de outras regiões produtoras. Maricá recebeu comitivas oficiais do Amapá, estado ligado à nova fronteira de exploração de petróleo na Margem Equatorial.

Royalties financiam renda, transporte e educação
Parte da arrecadação do petróleo foi direcionada para programas sociais e serviços públicos. Entre eles está a moeda social Mumbuca, lançada em 2013 e batizada com o nome de um rio local.
Cada mumbuca equivale a R$ 1, mas a moeda circula somente no comércio do município. Ela foi apresentada como a primeira moeda social totalmente digital do Brasil.
Por meio da Renda Básica de Cidadania, mais de 42 mil moradores cadastrados recebem mensalmente 200 mumbucas. O município também mantém ônibus municipais gratuitos desde 2014.
Maricá foi a primeira cidade brasileira com mais de 100 mil habitantes a implantar o sistema de Tarifa Zero.
Outro programa é o Passaporte Universitário, que oferece bolsas integrais para moradores matriculados no ensino superior.
A cidade ainda disponibiliza gratuitamente bicicletas compartilhadas, conhecidas como “vermelhinhas”. As iniciativas transformaram Maricá em referência nos debates sobre renda básica e políticas públicas financiadas por receitas do petróleo.
Crescimento populacional acompanha transformação econômica
A expansão econômica ocorreu junto com o aumento da população. Maricá passou de 127 mil habitantes em 2010 para 212 mil em 2025, segundo o IBGE, registrando o maior crescimento populacional do estado do Rio de Janeiro no período.
Além do PIB de Maricá e dos programas municipais, a cidade possui 46 quilômetros de praias e seis lagoas.
Entre os principais pontos estão a Praia de Itaipuaçu, com 15 quilômetros de extensão, e a Pedra do Elefante, com 412 metros de altitude.
A Restinga de Maricá reúne dunas, vegetação rasteira e a vila de pescadores de Zacarias. Já a Lagoa de Araçatiba possui uma orla revitalizada de cinco quilômetros, com calçadão, iluminação, restaurantes e espaços para atividades aquáticas.
No centro histórico está a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Amparo, templo construído em 1788 que combina elementos barrocos e neoclássicos.
Esta matéria foi elaborada com base em informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, da Prefeitura de Maricá e da Secretaria de Turismo do Estado do Rio de Janeiro, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

