Firjan dá toque de realidade: “Efeito cascata vem por aí”
Motivações eleitoreiras e demagógicas à parte, o toque de realidade ficou por conta da gerente jurídica trabalhista da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), Maria Rita Catonio Barbosa, para quem a iniciativa, que elimina escala de trabalho 6 x 1, em vias de ser ratificada pelo Senado federal, deverá desencadear um ‘efeito cascata’ de aumento de preços na economia.
O que os legisladores federais, ávidos de holofotes, deixaram de atentar, é que, na ausência da respectiva redução salarial (acompanhando uma jornada mais curta), não restará outra alternativa ao empregador que o repasse desse custo a mais.
Custo da hora trabalhada vai aumentar
Em contraponto ao ‘caráter’ atraente da proposta, Maria Rita assinala que “automaticamente isso vai elevar o custo da hora trabalhada”, acrescentando que suas consequências econômicas serão amplas porque “alguém vai pagar a conta e não serão só as empresas”.
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Medida não deve poupar segmento econômico algum
O raciocínio da gerente jurídica da Firjan é claro: se as empresas tiverem de reduzir a jornada, terão de contratar mais funcionários para manter a produtividade, elevando seus gastos operacionais. Tal custo adicional seria repassado, ao menos parcialmente, ao consumidor.
“A indústria metalúrgica que fabrica chapa de aço vai ter um custo elevado, vai vender a chapa mais caro, automaticamente a fábrica de geladeira vai ter esse custo também repassado às lojas”, reforçou. A mesma lógica se aplicaria a estabelecimentos menores, como padarias, cujos preços também seriam afetados.
Produtividade inexpressiva, o ‘calcanhar de Aquiles’
O ponto crucial da polêmica é um dos pilares da economia, a produtividade. Como exemplo, Maria Rita cita um pequeno país europeu Luxemburgo, mas conhecido internacionalmente como o mais produtivo do planeta, que detém uma média de 35,6 horas semanais e um limite legal de 40 horas. Sua produtividade é cinco vezes maior que a brasileira.
Igualmente de pequenas dimensões geográficas, a Irlanda é seis vezes mais produtiva do Pindorama. Para a executiva da Firjan, porém, a comparação não se aplicaria, uma vez que as economias dos países citados possuem melhor infraestrutura, menor informalidade e automação em grau mais elevado.
Voltando os olhos aos indicadores nacionais, Maria Rita observa que, no período de 2019 a 2024, a produtividade industrial tupiniquim despencou 9%, calculando que os níveis de produção atuais só serão mantidos, caso haja um ganho produtivo de 8,5%. “O impacto vai ser monstruoso com relação a esse ponto”, completou.
Negociação, única solução possível
Como em outras ocasiões, a gerente da Firjan entende que a melhor solução para a mudança estrutural no campo trabalhista seria a negociação coletiva, sempre considerando as ‘particularidades’ de cada setor, região e categoria profissional.
Tais particularidades, emenda ela, são decisivas para um entendimento entre capital e trabalho, pois o país apresenta realidades distintas e variadas, entre seus municípios e estados.
