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Alvo de intensa controvérsia, desde sua ampla divulgação, a eliminação da escala 6 x 1 – sob o argumento inconsistente de que ela implicaria ‘ganhos de produtividade’ e até ‘de renda’ à classe trabalhadora – não resiste ao mais elementar princípio econômico. Isso porque, sem ganhos de produtividade efetivos, haverá custo extra a ser suportado pelas empresas, ‘regiamente’ repassado ao consumidor final, sempre ele.

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Escrito por Marcello Sigwalt Publicado em 23/06/2026 às 17:45 Atualizado em 23/06/2026 às 17:47
Um dos efeitos possíveis do fim da escala 6 x1 é a ampliação do desemprego no país
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Firjan dá toque de realidade: “Efeito cascata vem por aí”

Motivações eleitoreiras e demagógicas à parte, o toque de realidade ficou por conta da gerente jurídica trabalhista da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), Maria Rita Catonio Barbosa, para quem a iniciativa, que elimina escala de trabalho 6 x 1, em vias de ser ratificada pelo Senado federal, deverá desencadear um ‘efeito cascata’ de aumento de preços na economia.

O que os legisladores federais, ávidos de holofotes, deixaram de atentar, é que, na ausência da respectiva redução salarial (acompanhando uma jornada mais curta), não restará outra alternativa ao empregador que o repasse desse custo a mais.  

Custo da hora trabalhada vai aumentar

Em contraponto ao ‘caráter’ atraente da proposta, Maria Rita assinala que “automaticamente isso vai elevar o custo da hora trabalhada”, acrescentando que suas consequências econômicas serão amplas porque “alguém vai pagar a conta e não serão só as empresas”.

Medida não deve poupar segmento econômico algum

O raciocínio da gerente jurídica da Firjan é claro: se as empresas tiverem de reduzir a jornada, terão de contratar mais funcionários para manter a produtividade, elevando seus gastos operacionais. Tal custo adicional seria repassado, ao menos parcialmente, ao consumidor.

“A indústria metalúrgica que fabrica chapa de aço vai ter um custo elevado, vai vender a chapa mais caro, automaticamente a fábrica de geladeira vai ter esse custo também repassado às lojas”, reforçou.  A mesma lógica se aplicaria a estabelecimentos menores, como padarias, cujos preços também seriam afetados.

Produtividade inexpressiva, o ‘calcanhar de Aquiles’

O ponto crucial da polêmica é um dos pilares da economia, a produtividade. Como exemplo, Maria Rita cita um pequeno país europeu Luxemburgo, mas conhecido internacionalmente como o mais produtivo do planeta, que detém uma média de 35,6 horas semanais e um limite legal de 40 horas. Sua produtividade é cinco vezes maior que a brasileira.

Igualmente de pequenas dimensões geográficas, a Irlanda é seis vezes mais produtiva do Pindorama. Para a executiva da Firjan, porém, a comparação não se aplicaria, uma vez que as economias dos países citados possuem melhor infraestrutura, menor informalidade e automação em grau mais elevado.  

Voltando os olhos aos indicadores nacionais, Maria Rita observa que, no período de 2019 a 2024, a produtividade industrial tupiniquim despencou 9%, calculando que os níveis de produção atuais só serão mantidos, caso haja um ganho produtivo de 8,5%. “O impacto vai ser monstruoso com relação a esse ponto”, completou.

Negociação, única solução possível

Como em outras ocasiões, a gerente da Firjan entende que a melhor solução para a mudança estrutural no campo trabalhista seria a negociação coletiva, sempre considerando as ‘particularidades’ de cada setor, região e categoria profissional.

Tais particularidades, emenda ela, são decisivas para um entendimento entre capital e trabalho, pois o país apresenta realidades distintas e variadas, entre seus municípios e estados.

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Marcello Sigwalt

Sou um profissional de comunicação, especializado em Economia, Política, Meio Ambiente, Ciência & Tecnologia, Educação, Esporte e Polícia, nas quais exerci as funções de editor, repórter, consultor de comunicação e assessor de imprensa. Destaco as atividades de edição e reportagem, mediante o uso de linguagem informativa e fluente que estimule o debate, a reflexão e a consciência crítica. No período de 2003-2011, em Brasília, atuei como assessor de imprensa no Congresso Nacional (na Câmara dos Deputados e no Senado federal); consultor de comunicação do Projeto de Gestão Ambiental Rural (PGAR), do Ministério do Meio Ambiente e das Nações Unidas, em 2006; editor da Assessoria de Comunicação do Ministério de Ciência e Tecnologia (Ascom/MCTI), em 2012. Como repórter especial, assinei a capa das revistas: Veja (prisão do senador Luiz Estevão, 2000); Galileu (Peritos criminais, 2010) e Conjuntura Econômica-FGV (Comércio exterior do Brasil e Crise Argentina, 2002). Atuei como editor-assistente do Portal iG para as eleições de 2010. Em 2013, cobri a cobertura do seminário internacional sobre energia, para a Câmara de Comércio Americana do Rio de Janeiro (Amcham-Rio). De 2014 a 2015, atuei como repórter especial da revista Desafios do Desenvolvimento (Ipea); repórter da revista Brasil Energia Petróleo (RJ) e editor do site Janus Investimentos (SP), em 2018 e 2019, e redator e editor do site Capitalist. De 2022 a 2025, fui editor de Economia do jornal Correio da Manhã (RJ). Atualmente, produzo conteúdo para os sites Linkedin e Substack.

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