Com tarifas impostas pelos EUA, a China antecipou compras, fugiu da soja americana e migrou para o Brasil, que deve embarcar 109 milhões de toneladas, enquanto as importações chinesas podem chegar a 112 milhões em 2025, pressionando cotações em Chicago e redesenhando o mercado global de grãos, estoques e oferta.
Os números oficiais da alfândega chinesa mostram que a corrida pela soja começou cedo neste ano: de janeiro a novembro, o país já importou 104 milhões de toneladas, após a compra de 8,1 milhões apenas em novembro, abrindo espaço para um volume anual entre 110 e 112 milhões.
A escalada é fruto de uma estratégia montada ainda no final de 2024, quando a China antecipou compras nos Estados Unidos diante da perspectiva de tarifas no início do mandato de Donald Trump e, em 2025, passou a priorizar o Brasil como principal origem da oleaginosa.
China antecipa compras e troca soja americana pela brasileira
Segundo a analista Daniele Siqueira, da AgRural, a China decidiu se garantir antes da virada de governo nos Estados Unidos. No final de 2024, os chineses anteciparam compras de soja americana, temendo novas tarifas no início do mandato de Donald Trump.
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Essa estratégia aparece nos dados oficiais: até outubro deste ano, a China havia importado 16,8 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos, acima dos 15,1 milhões registrados em igual período de 2024, ainda sob o governo de Joe Biden.
Depois de confirmada a política tarifária, Pequim passou a reduzir as compras nos EUA e a concentrar a demanda no Brasil.
De janeiro a novembro, as importações totais chinesas de soja somaram 104 milhões de toneladas, das quais 82,8 milhões de toneladas de soja brasileira até novembro representam aumento de 16 por cento em relação ao mesmo período de 2024.
Se dezembro trouxer ao menos 6 milhões de toneladas, o país alcança 110 milhões; se as compras ficarem entre 7 e 8 milhões, o volume pode atingir até 112 milhões no ano.
Para Daniele, a guerra comercial entre China e Estados Unidos acabou deixando o ano chinês mais forte do que o previsto na compra de soja.
Primeiro, o país garantiu cargas antecipadas nos EUA. Depois, acelerou agressivamente as compras no Brasil para elevar estoques internos e ter maior segurança de abastecimento.
Ainda há dúvidas sobre quanto dessa demanda voltará para os Estados Unidos.
Dados do governo americano, ainda defasados, apontam apenas 2,5 milhões de toneladas de soja adquiridas recentemente pela China, mas o mercado trabalha com embarques que podem somar 7 milhões até fevereiro.
Nos bastidores, fala-se em um “número mágico” de 12 milhões de toneladas ligado a um acordo bilateral nunca oficialmente admitido por Pequim.
Recorde de soja brasileira muda equilíbrio da oferta
Do lado brasileiro, a boa safra de soja e a forte demanda chinesa se combinam para um ano histórico de exportações.
O Brasil deve terminar o ano com 109 milhões de toneladas de soja embarcadas, segundo a Anec, com base nos navios já programados nos portos.
Os produtores americanos começam a sentir de forma mais concreta a concorrência da soja brasileira já no início do próximo ano.
Com o plantio da safra 2025/26 praticamente concluído, o cenário atual é melhor do que há algumas semanas.
Apesar de replantios e atrasos, a soja se recupera bem, o que aumenta a oferta global ao mesmo tempo em que os EUA enfrentam dificuldades para comercializar sua produção.
Na ponta do campo, o avanço da colheita e da logística é visível. Em regiões como Sinop, em Mato Grosso, carretas aguardam para carregar soja em armazéns lotados, como registrou foto de 29 de abril de 2025.
A combinação de safra cheia, demanda externa firme e infraestrutura pressionada ajuda a manter o Brasil no centro do mapa da soja mundial.
Mercado internacional de soja sente a pressão dos preços
A combinação de safra robusta no Brasil, dificuldade dos produtores dos EUA para escoar a própria soja e concentração das compras chinesas no produto brasileiro já aparece nas cotações em Chicago.
Nesta quarta-feira, o primeiro contrato da commodity foi negociado a US$ 10,58 por bushel de 27,2 quilos, com queda de 8,3 por cento nos últimos 30 dias.
Esse movimento mostra que, mesmo com um consumo global elevado, o aumento da oferta de soja está derrubando o preço internacional, o que afeta a rentabilidade do produtor brasileiro e americano.
Ao mesmo tempo, o custo mais baixo tende a ampliar a competitividade da oleaginosa frente a outros grãos na formulação de rações e na indústria de óleo vegetal.
Arroz em baixa e estratégia chinesa de segurança alimentar
Enquanto a soja vive um ano histórico em volume, outra commodity relevante para o agronegócio enfrenta um cenário oposto.
Os preços do arroz no mercado externo caíram cerca de 37 por cento em relação ao ano passado, segundo acompanhamento da Trading Economics. Preços mais baixos lá fora dificultam as exportações brasileiras e seguram as cotações internas.
No front da segurança alimentar, a China também se move. O país está reservando 10,8 milhões de hectares no Delta do Rio Yangtze exclusivamente para produção agrícola, área que não poderá ser destinada a nenhuma outra finalidade até 2035.
O objetivo declarado é reforçar a segurança alimentar e blindar o abastecimento interno em meio a guerras comerciais e à forte volatilidade recente dos preços internacionais.
Diante desse cenário, você acha que a força atual da soja brasileira na China vai se manter se os Estados Unidos conseguirem flexibilizar tarifas e recuperar parte do mercado perdido?

Louisiana, Soybeans, -$1.85 Billion;
Texas Coarse Grains, -80% (Volume) Shipments of coarse grains to China nearly disappeared entirely in early 2025. Mississippi Soybeans & Cotton -24% (Production Value). I hope Trump and the GOP wrecks those economies so badly it causes an implosion and irreparable damage to all Red State Economies.
Trump has done major damage to the US farmers.