Nascida em Apuí, no interior do Amazonas, e criada em Manaus, Malu Lira começou a escrever sobre dinheiro aos 11 anos. Hoje, aos 15, comanda o Grupo Malu Finanças, soma 20 livros de educação financeira para crianças e, segundo a Exame, faturou R$ 2,6 milhões em 2024.
Enquanto a maioria dos adolescentes ainda recebe mesada, Malu Lira virou patroa. Aos 15 anos, a jovem empreendedora amazonense já publicou 20 livros infantis sobre dinheiro, montou um grupo com três empresas e transformou a educação financeira para crianças em um negócio que, segundo a Exame, faturou R$ 2,6 milhões em 2024. Tudo isso começou numa cidadezinha de pouco mais de 21 mil habitantes no meio do Amazonas.
O mais bonito da história não está só nos números, ainda que eles impressionem. Está no caminho. Uma menina que saiu de Apuí, encravada na floresta amazônica, e que poderia simplesmente surfar no próprio sucesso, decidiu voltar para o interior para levar educação financeira a quem nunca teve acesso a ela. O Grupo Malu Finanças nasceu de um incômodo de criança e virou um projeto que hoje mira justamente as comunidades mais isoladas do país.
De Apuí para Manaus: onde tudo começou
Malu nasceu em Apuí, um município de pouco mais de 21 mil habitantes no sul do Amazonas, cercado pela floresta amazônica. Em 2018, quando ela tinha 9 anos, a família trocou a cidade pequena por Manaus em busca de mais oportunidades. O pai é professor e a mãe é agente pública, e foi nesse ambiente de casa que a curiosidade da menina encontrou espaço para crescer. Diagnosticada com altas habilidades, ela cedo começou a fazer perguntas que muita gente grande evita.
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A principal delas era sobre dinheiro. Malu não entendia por que falar de finanças parecia ser sempre assunto proibido para criança, algo distante e complicado. Foi virando essa lógica do avesso que ela encontrou seu caminho. “Entendi que o dinheiro não é um vilão, mas um aliado para abrir portas”, resume a jovem empreendedora, sobre a virada de chave que deu origem a tudo.
O problema é que o entusiasmo dela não era contagiante de imediato. “Decidi compartilhar o que aprendia com os colegas da escola, mas a maioria achava chato”, lembra Malu. Em vez de desistir, ela transformou o desafio em método. Se o assunto era visto como chato, então precisava ser contado de um jeito diferente, com história, com fantasia, com linguagem de criança. Ali nascia a semente da educação financeira que viraria livro.
O primeiro livro aos 11 anos

A virada veio cedo. Aos 11 anos, Malu publicou “Finanças para Crianças: além da mesada”, a obra que abriu todas as portas seguintes. O livro vendeu 50 mil exemplares, um número que faria muito autor adulto experiente sentir inveja, e provou que havia um público sedento por educação financeira explicada de forma leve. Não era um manual seco, era história para criança gostar.
O sucesso do primeiro título virou uma coleção. Vieram outros livros infantis, incluindo a série “Contos Milionários”, em que Malu usa narrativas para mostrar, na prática, como pequenas decisões com dinheiro mudam uma vida. No total, já são 20 livros publicados, com mais de 400 mil exemplares vendidos, segundo dados da própria autora, divulgados pelo portal da Exame. Cada um deles tenta fazer o que a escola tradicional raramente faz: ensinar a lidar com dinheiro antes da idade adulta.
A força dos livros infantis de Malu está na ponte que eles constroem. De um lado, a brincadeira e a imaginação que prendem a atenção da garotada. Do outro, conceitos que normalmente só aparecem tarde demais na vida das pessoas, como poupar, planejar e investir. Foi essa combinação que tirou a obra das prateleiras e a levou para dentro das salas de aula.
Um grupo com três empresas
O que era um livro virou uma estrutura de negócio de verdade. Hoje, Malu comanda o Grupo Malu Finanças, formado por três empresas com funções distintas. A Malu Finanças Educação Financeira cuida das palestras, parcerias e projetos sociais. A Editora Fada Madrinha publica as obras e aplica a metodologia nas escolas. E a Editora Pena se dedica a livros voltados para editais públicos.
A operação não é de brincadeira. Segundo a Exame, o Grupo Malu Finanças tem 15 funcionários fixos, além de parceiros jurídicos, contábeis e editoriais, e mantém até um escritório em São Paulo para acelerar a expansão. Para uma adolescente, administrar uma empresa desse tamanho seria impensável sem rede de apoio, e ela tem a sua: o negócio é tocado com o suporte direto dos pais, que ajudam a jovem empreendedora a equilibrar a escola, os livros e a gestão.
A metodologia já ganhou escala nacional. De acordo com a empresa, o método chegou a mais de 200 escolas e impactou cerca de 50 mil estudantes, com mais de 900 professores capacitados só no primeiro semestre de 2025. A educação financeira que começou como conversa de colégio virou produto que circula pelo país inteiro.
Os números do negócio, com o pé no chão
Aqui vale um cuidado honesto com as cifras. Os valores que dão fôlego à história são informados pela própria empresa e pela família, e é assim que devem ser lidos. Segundo a Exame, o Grupo Malu Finanças faturou R$ 2,6 milhões em 2024. Já a marca de R$ 11 milhões, repetida em várias reportagens, é uma projeção declarada para 2025, ou seja, uma meta, e não um resultado confirmado.
Feita essa ressalva, o tamanho do empreendimento continua notável. Vinte livros infantis publicados, centenas de milhares de exemplares vendidos e uma operação com estrutura de empresa madura, tudo isso construído por alguém que ainda nem terminou o ensino médio. Mesmo tratando os números com a cautela que eles pedem, o feito de transformar educação financeira infantil em um grupo lucrativo é raro em qualquer idade.
O que sustenta esse crescimento é a demanda real. Pais e escolas procuram material que ensine crianças a lidar com dinheiro, um tema que o ensino formal ainda trata de forma tímida. Malu ocupou esse vazio. A jovem empreendedora acertou ao perceber, cedo, que educação financeira deixou de ser luxo e virou necessidade básica de formação.
Educação financeira para quem nunca teve acesso
O lado que mais diferencia o projeto é o social. Malu não quer falar de dinheiro apenas para quem já tem. O projeto “Me Conta uma História”, realizado em ONGs e instituições sem fins lucrativos, usa o lúdico para aproximar a educação financeira de crianças em situação de vulnerabilidade, e só em 2024 alcançou mais de 450 delas. A ideia é simples: ninguém é cedo demais para aprender a sonhar com um futuro melhor.
A iniciativa se estende às mulheres adultas. Em parceria com o Sebrae, Malu criou o “Cinderela Empreendedora”, que capacita mulheres em situação de vulnerabilidade a tocar o próprio negócio. A primeira turma, em julho de 2025, formou 22 participantes, e a meta declarada é chegar a 15 mil pessoas até abril de 2026. É educação financeira saindo do papel e virando ferramenta de mudança de vida.
Para Malu, esse propósito é o motor de tudo. “Tudo começa com a coragem de dar o primeiro passo, o mais difícil, mas o que põe a caminhada em movimento”, diz a autora, sobre o que tenta passar para cada criança e cada mulher que cruza o caminho dos seus livros infantis e oficinas.
De volta à floresta amazônica
A trajetória que começou em Apuí fechou um ciclo bonito em 2025, quando Malu levou o projeto de volta para casa. Entre 21 e 25 de julho daquele ano, ela rodou o interior do Amazonas na chamada Turnê Rica Amazônia, passando por Manaus, Iranduba, Tabatinga, Benjamin Constant e Santo Antônio do Içá. Foram palestras, bate-papos e oficinas práticas com estudantes da floresta amazônica, segundo a A Crítica.
O ponto alto foi o encontro com jovens da etnia Ticuna, em Benjamin Constant, no extremo oeste do estado. Levar educação financeira para comunidades indígenas e ribeirinhas, lugares onde esse tipo de conteúdo quase nunca chega, é o que dá à história um peso maior do que qualquer faturamento. “Quando eu falo em educação financeira, eu não falo só de números. Eu falo de autoconfiança, de sonho para o futuro”, afirmou Malu durante a turnê.
A fala dela resume a missão. “É um encontro entre o futuro e a floresta, entre o que se aprende e o que se vive”, disse a jovem empreendedora, sobre o significado de voltar à floresta amazônica que a viu nascer. O que saiu de Apuí como dúvida de criança voltou como projeto capaz de plantar uma semente em cada cidade pequena por onde passa.
Uma história que cabe no seu comentário
Malu Lira mostra que idade não é desculpa e que origem não é limite. De uma cidade pequena no coração do Amazonas, ela construiu o Grupo Malu Finanças, espalhou livros infantis pelo país e provou que educação financeira pode, sim, ser assunto de criança. Tudo com a cabeça no propósito de incluir quem o mercado costuma esquecer.
E você, acha que educação financeira deveria ser matéria obrigatória nas escolas desde cedo, como defende essa jovem empreendedora? Conta aqui nos comentários se você aprendeu a lidar com dinheiro na infância ou só foi descobrir isso já adulto.
