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Estado brasileiro peita liberação do governo federal, veta tilápia do Vietnã por medo de vírus que dizima produção, protege 59 mil toneladas por ano, 30 mil produtores e a ‘capital catarinense da tilápia’ Armazém inteira

Publicado em 18/12/2025 às 16:52
Em Santa Catarina, disputa sobre tilápia opõe produção de tilápia à tilápia do Vietnã, enquanto o tilapia lake virus acende alerta sanitário para produtores.
Em Santa Catarina, disputa sobre tilápia opõe produção de tilápia à tilápia do Vietnã, enquanto o tilapia lake virus acende alerta sanitário para produtores.
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Com medo de vírus ligado à tilápia do Vietnã, Santa Catarina ignora liberação federal, veta importação e venda do pescado, tenta blindar 59 mil toneladas anuais, cerca de 30 mil produtores e a Capital Catarinense da Tilápia, Armazém, diante do primeiro carregamento estrangeiro, com 700 toneladas previstas para chegada ainda.

A disputa em torno da tilápia importada do Vietnã ganhou um capítulo decisivo nesta quarta-feira (17), quando o governo de Santa Catarina publicou em edição extra do Diário Oficial a portaria que proíbe a importação, comercialização e distribuição do pescado em todo o território estadual, contrariando a decisão do governo federal de liberar a entrada do produto asiático.

A medida foi anunciada pelo secretário de Aquicultura e Pesca, Tiago Frigo, que justificou o veto à tilápia do Vietnã pela presença do tilapia lake virus, um agente capaz de dizimar criações inteiras onde é registrado. A decisão ocorre justamente no momento em que o primeiro carregamento, com 700 toneladas, deve chegar ao Brasil ainda neste mês, elevando a preocupação com sanidade, concorrência e segurança dos investimentos.

Santa Catarina enfrenta Brasília para blindar a tilápia catarinense

Segundo Tiago Frigo, a secretaria publicou uma portaria específica que proíbe a tilápia oriunda do Vietnã e de outros países da Ásia onde já há registro do tilapia lake virus.

A ordem vale para importação, comercialização e distribuição dentro de Santa Catarina, independentemente da liberação concedida pelo governo federal.

“O objetivo é barrar qualquer possibilidade da entrada desse vírus em Santa Catarina”, afirmou o secretário em entrevista à NDTV RECORD.

Na prática, o estado peita Brasília para preservar sua própria cadeia produtiva de tilápia, considerada estratégica tanto do ponto de vista econômico quanto sanitário.

A decisão estadual vem na esteira da inclusão da tilápia na lista de espécies exóticas invasoras pela Comissão Nacional de Biodiversidade.

O peixe não é nativo do Brasil e já foi identificado em rios fora das áreas controladas de produção, o que, segundo o Ministério do Meio Ambiente, pode gerar desequilíbrios ambientais e ampliar riscos para ecossistemas locais.

Produção de tilápia em SC vale mais de R$ 500 milhões

Os números ajudam a explicar por que a tilápia virou tema central em Santa Catarina. De acordo com a Epagri, o estado produz cerca de 59 mil toneladas de tilápia por ano e ocupa a quarta posição no ranking nacional, atrás de Paraná, São Paulo e Minas Gerais.

Apenas essa produção de tilápia movimenta mais de R$ 500 milhões em comercialização, garantindo renda direta ou indireta para aproximadamente 30 mil piscicultores catarinenses.

Qualquer ameaça sanitária ou concorrencial vinda da tilápia importada é vista pelo setor como um risco imediato para empregos, pequenos produtores e para o planejamento de longo prazo exigido pela piscicultura.

Produtores temem que a entrada em massa de tilápia estrangeira, com custo possivelmente mais baixo, possa pressionar preços internos ao mesmo tempo em que traz um vírus ainda ausente no estado.

O medo é perder mercado e, ao mesmo tempo, colocar em risco a sanidade dos viveiros de tilápia catarinense.

Amurel e Armazém, a “Capital Catarinense da Tilápia”, no centro da disputa

A região da Amurel (Associação dos Municípios da Região de Laguna) concentra aproximadamente um terço de toda a tilápia produzida em Santa Catarina, consolidando-se como o principal polo do estado.

Ali, a produtividade média chega a cerca de 30 toneladas de tilápia por hectare, resultado de forte investimento em tecnologia e manejo.

Na cidade de Armazém, no Sul catarinense, essa produtividade praticamente dobra, alcançando 60 toneladas de tilápia por hectare.

O município é reconhecido oficialmente como Capital Catarinense da Tilápia e se tornou referência na atividade.

São 26 produtores que dependem exclusivamente da piscicultura, com uma produção média anual de 4 mil toneladas, e expectativa de atingir 5 mil toneladas em 2025.

Para esses produtores, a decisão do governo estadual de barrar a tilápia do Vietnã é vista como um movimento para defender um polo consolidado, com alta produtividade e forte impacto na economia local, contra um produto externo cercado de dúvidas sanitárias e regulatórias.

Tilápia exige controle rígido de água, alimentação e sanidade

A criação de tilápia em Santa Catarina depende de controles rigorosos. A qualidade da água é monitorada de perto, assim como níveis de oxigênio, amônia, nitrito e nitrato, parâmetros decisivos para evitar mortalidade em massa e manter o crescimento adequado dos peixes.

Além disso, a alimentação diária da tilápia segue protocolos técnicos definidos, ajustados conforme o estágio de desenvolvimento do pescado.

A atividade é licenciada e subordinada a regras ambientais e sanitárias rígidas, com acompanhamento constante de equipes especializadas, o que aumenta a sensação de injustiça entre produtores diante da possibilidade de entrada de tilápia importada com histórico de vírus.

Na avaliação do setor, qualquer falha no controle sanitário da tilápia que entra no país pode comprometer anos de investimento em genética, estruturas de viveiros, sistemas de aeração e tecnologia de alimentação.

A portaria catarinense tenta justamente fechar essa porta antes que o problema apareça nos lagos e rios do estado.

Risco sanitário, pressão competitiva e futuro da tilápia catarinense

O primeiro carregamento de 700 toneladas de tilápia do Vietnã, previsto para chegar ao Brasil ainda neste mês, é visto como um teste para todo o modelo de proteção adotado por Santa Catarina.

Enquanto o governo federal aposta na liberação controlada, o estado opta por blindar sua cadeia produtiva de tilápia e afastar o tilapia lake virus de seu território.

Ao mesmo tempo, produtores acompanham com desconfiança a combinação de maior oferta de tilápia importada e custos internos elevados, receando uma queda de preços que possa comprometer a viabilidade das propriedades e a segurança dos investimentos.

Para eles, o veto estadual é, por enquanto, uma das poucas garantias de estabilidade em um mercado que exige planejamento de longo prazo e altos níveis de controle sanitário.

E você, acha que Santa Catarina está certa em proibir a tilápia do Vietnã para proteger seus produtores e a sanidade dos viveiros, mesmo com a liberação do governo federal?

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Ervin Moretti
Ervin Moretti
19/12/2025 13:53

E sabem que iria importar a tilapiado vietnam???? A JBS

Edson Araujo
Edson Araujo
19/12/2025 07:11

Kkkk q piada, provavelmente os catarinenses estão infectados por um vírus q ataca o QI de uns tempos para cá , o maIor cliente de tilápia do Vietnã são os EUA depois os europeus, vendem para o mundo inteiro mas os gênios acham na sua imensa sabedoria q os 25 estados mais o DF são todos **** e ignorantes menos eles q são majoritariamente portugueses na capital e italianos no interior mas “pagam” de alemães.

Kato hiro
Kato hiro
18/12/2025 19:33

Comprar um peixe que já foi barrado na Europa, comprovadamente com vermes, vírus e excesso de bactérias vindo dos esgotos, pois o país não tem tratamento de esgoto e são criadas sem controle de higiene e saúde dos peixes. Boicote total.

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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