O vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou na abertura da 31ª Agrishow em Ribeirão Preto (SP) a liberação de R$ 10 bilhões em crédito para agricultores adquirirem máquinas pelo programa Move Agrícola, com juros de um dígito e recursos disponíveis em três semanas, além de renegociação de dívidas para produtores inadimplentes e reformulação do seguro rural que hoje cobre apenas 7,8% da área plantada nacional.
O governo federal colocou R$ 10 bilhões em crédito à disposição dos agricultores brasileiros para financiar a compra de máquinas e implementos agrícolas, anúncio feito pelo vice-presidente Geraldo Alckmin neste domingo (26) durante a abertura oficial da 31ª edição da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP). O programa Move Agrícola, versão rural do Move Brasil, oferece taxas de juros reduzidas na faixa de um dígito, e os recursos estarão disponíveis nas próximas três semanas por meio de operação estruturada pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) em parceria com o Banco do Brasil e outras instituições financeiras. Para os agricultores que estão endividados, o pacote inclui renegociação de passivos que contempla tanto produtores adimplentes quanto inadimplentes, reconhecimento de que parte significativa do setor acumula dívidas agravadas por oscilações climáticas e de mercado.
A reformulação do seguro rural foi outro compromisso central do anúncio. O deputado Arnaldo Jardim, vice-presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agricultura), alertou durante o evento que a cobertura atual do seguro atinge apenas 7,8% da área plantada nacional, número que expõe milhões de agricultores ao risco de perder colheitas inteiras sem qualquer compensação financeira. A ampliação do seguro é demanda antiga do setor, e o governo se comprometeu a expandir a cobertura respeitando os limites da responsabilidade fiscal, equilíbrio que determinará a velocidade e a abrangência da reforma.
Como funciona o crédito de R$ 10 bilhões do Move Agrícola para os agricultores

O dinheiro será destinado prioritariamente a produtores que precisam renovar ou adquirir equipamentos para suas propriedades. Os agricultores interessados devem escolher a máquina ou implemento desejado, solicitar orçamento em concessionária autorizada e apresentar projeto técnico ou proposta de financiamento junto ao Banco do Brasil ou parceiros credenciados pela Finep. A documentação exigida inclui comprovante de atividade rural como a DAP (Declaração de Aptidão ao Pronaf), o CAR (Cadastro Ambiental Rural) ou documentação da propriedade, além dos dados pessoais e do orçamento do equipamento.
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A amplitude do programa é notável. Têm direito ao crédito agricultores familiares, médios e grandes produtores (pessoas físicas), empresas com atividade rural comprovada, cooperativas e associações que necessitam de maquinário para uso coletivo, e produtores ligados à cadeia da cana-de-açúcar. A instituição financeira fará análise de crédito avaliando capacidade de pagamento e garantias, que geralmente envolvem a própria máquina financiada, e o objetivo declarado do governo é que os recursos cheguem rapidamente aos agricultores para acelerar a modernização tecnológica das lavouras brasileiras.
Por que a renegociação de dívidas é tão importante para os agricultores

O pacote de renegociação reconhece uma realidade que o setor agrícola enfrenta há anos: produtores que foram afetados por secas, enchentes ou queda de preços acumularam passivos que os impedem de acessar novo crédito. Ao contemplar agricultores inadimplentes no programa, o governo permite que quem perdeu colheita por causa do clima ou enfrentou mercado desfavorável reorganize suas finanças sem ser excluído do sistema de crédito rural, condição que perpetuaria o ciclo de endividamento e abandono de propriedades. A medida funciona como porta de reentrada no mercado para produtores que ficaram sem alternativas após eventos que o seguro rural, com sua cobertura de apenas 7,8%, não cobriu.
A combinação entre crédito novo e renegociação de dívidas antigas atende a dois perfis distintos de agricultores. Quem está com as contas em dia pode acessar os R$ 10 bilhões para adquirir máquinas modernas; quem está inadimplente pode primeiro regularizar a situação por meio da renegociação e depois acessar as linhas de financiamento. O desenho do programa evita que o crédito bilionário beneficie apenas os produtores que já estão em situação financeira confortável, distorção comum em políticas agrícolas que acabam concentrando recursos nos segmentos que menos precisam de apoio.
O que o seguro rural de 7,8% revela sobre a vulnerabilidade dos agricultores
O dado apresentado na Agrishow é alarmante: apenas 7,8% de toda a área plantada no Brasil conta com cobertura de seguro agrário. Isso significa que mais de 92% dos agricultores brasileiros cultivam suas lavouras sem rede de proteção financeira contra perdas causadas por eventos climáticos como secas prolongadas, geadas, granizo, enchentes e vendavais, riscos que no Brasil não são exceção, são rotina. Quando a colheita é perdida e não há seguro, o produtor absorve o prejuízo integralmente, situação que frequentemente se transforma em dívida bancária que o próximo ciclo produtivo pode não ser suficiente para cobrir.
A promessa de reformulação do seguro rural visa corrigir essa vulnerabilidade. A FPA pressiona por ampliação significativa da cobertura, mas o governo condicionou a expansão aos limites da responsabilidade fiscal, o que significa que o ritmo de crescimento do programa dependerá do espaço orçamentário disponível. Para os agricultores, a questão é de urgência: cada safra sem seguro é uma aposta que pode resultar em perda total, e a reformulação prometida na Agrishow precisa se materializar em números concretos de cobertura nos próximos planos-safra para que o discurso não se esgote em intenção.
O que mais o governo anunciou na Agrishow que afeta os agricultores
Além do crédito e do seguro, o pacote apresentado por Alckmin na Agrishow inclui medidas tributárias e de política energética. A partir de 1º de maio entra em vigor o benefício de tarifa zero sobre mais de 500 produtos, ampliando a capacidade de exportação brasileira, e a reforma tributária em consolidação trará desoneração total das exportações, cenário que o governo aposta que atrairá investimentos para infraestrutura e acelerará o crescimento do PIB agrícola. O aumento na mistura de etanol à gasolina de 30% para 32% também foi reiterado como medida que beneficia diretamente os agricultores ligados ao setor sucroalcooleiro.
No campo da política monetária, Alckmin comentou que o Banco Central está em fase de ajuste fino nas taxas de juros. A pausa no processo de flexibilização monetária, segundo o vice-presidente, tem relação com fatores internacionais incluindo reflexos de conflitos envolvendo o Irã, contexto que mantém os juros em patamar elevado e encarece o crédito para agricultores que dependem de financiamento para operar. O Move Agrícola, com suas taxas de um dígito, funciona como compensação parcial a esse cenário ao oferecer condições subsidiadas que o mercado privado não disponibiliza.
O que os agricultores precisam fazer agora para acessar os R$ 10 bilhões
A janela de oportunidade é curta. Os recursos do Move Agrícola estarão disponíveis em três semanas a partir do anúncio, e os agricultores que desejam acessar o crédito devem iniciar imediatamente o processo de documentação, orçamento de equipamentos e contato com agências do Banco do Brasil ou parceiros da Finep. Quem precisa de renegociação de dívidas deve tratar o passivo como etapa prioritária, já que a regularização pode ser condição para acessar as novas linhas de financiamento com as taxas reduzidas do programa.
Para os agricultores que acompanham a Agrishow e o setor agrícola, o pacote de R$ 10 bilhões representa a maior injeção de crédito direcionado a máquinas agrícolas desde o início da gestão atual. Se os recursos chegarem com a velocidade prometida e as condições anunciadas se confirmarem na prática, o programa tem potencial para modernizar milhares de propriedades rurais que operam com máquinas defasadas e que perdem produtividade por falta de tecnologia. O desafio será garantir que o crédito não fique concentrado nas mãos de grandes produtores e que os agricultores familiares consigam navegar a burocracia necessária para acessar sua parcela dos R$ 10 bilhões.
E você, acha que R$ 10 bilhões são suficientes para modernizar a agricultura brasileira? O seguro rural deveria cobrir mais do que 7,8% das lavouras? Deixe sua opinião nos comentários.

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