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Em Senador José Bento, Minas Gerais, José Sirval toca um moinho movido a água que mói 125 quilos de milho por dia e ainda usa o monjolo centenário do bisavô

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 26/06/2026 às 12:24 Atualizado em 26/06/2026 às 12:26
Em Senador José Bento (MG), um moinho d'água mói 125 kg de milho por dia ao lado de um monjolo centenário: tradição rural viva e fubá artesanal de raiz.
Em Senador José Bento (MG), um moinho d’água mói 125 kg de milho por dia ao lado de um monjolo centenário: tradição rural viva e fubá artesanal de raiz.
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Em Senador José Bento, em Minas, José Sirval mói cerca de 125 quilos de milho por dia num moinho d’água que ele mesmo ergueu, e ainda usa o monjolo centenário do bisavô. É um retrato de tradição rural quase extinta e de fubá artesanal feito como antigamente.

Num tempo em que tudo é elétrico e automático, há quem ainda confie na força da água corrente. É o caso de José Sirval, produtor rural que mantém em funcionamento um moinho movido pela própria correnteza, sem gastar um watt de energia da rede. Ao lado da estrutura moderna que ele levantou, segue girando uma peça bem mais velha: o monjolo que pertenceu ao bisavô.

Segundo a Tribuna Popular, do Brejo Mineiro, o moinho d’água de José Sirval chega a moer cerca de 125 quilos de milho por dia. O destaque, porém, é o monjolo centenário, máquina de mais de 100 anos que atravessou gerações da família e continua ativa. Em Senador José Bento, manter esse tipo de engenho funcionando virou raridade.

Como funciona um moinho d’água

Em Senador José Bento (MG), um moinho d'água mói 125 kg de milho por dia ao lado de um monjolo centenário: tradição rural viva e fubá artesanal de raiz.
A tecnologia parece simples, mas é engenhosa.

A água de um curso ou de uma represa é desviada por uma calha até cair sobre uma roda.

O peso e a força da água giram essa roda, e o movimento é transmitido a uma pedra que tritura o grão.

No caso do moinho d’água, é a correnteza que faz todo o trabalho pesado, sem motor nem combustível.

O milho entra por cima, passa entre as moelas de pedra e sai do outro lado já transformado em fubá.

Quanto mais constante a água, mais regular fica a moagem, o que explica por que esses engenhos ficavam perto de rios.

É uma máquina que funciona há séculos com o mesmo princípio, só ajustado de geração em geração.

O monjolo centenário do bisavô

Ao lado do moinho d’água está a peça de maior valor afetivo da propriedade.

O monjolo é um tipo de pilão movido a água, usado para socar e quebrar grãos antes da moagem fina.

O monjolo centenário de José Sirval tem mais de 100 anos e pertenceu ao bisavô dele, o que o torna uma relíquia viva.

Funciona como uma gangorra de madeira: a água enche um cocho numa ponta, que desce e levanta o pilão na outra.

Quando o cocho esvazia, o peso cai de volta e o pilão soca o grão, num vaivém ritmado e barulhento.

Manter um monjolo centenário girando exige conhecer a madeira, a água e o ponto certo de cada peça.

Poucas famílias no Brasil ainda guardam, e usam, um monjolo centenário como esse.

125 quilos de milho por dia: o fubá artesanal

Em Senador José Bento (MG), um moinho d'água mói 125 kg de milho por dia ao lado de um monjolo centenário: tradição rural viva e fubá artesanal de raiz.
O resultado de todo esse maquinário é um produto cada vez mais procurado.

O fubá artesanal feito no moinho d’água é diferente do industrial, vendido em supermercado.

Moído devagar, na pedra, o fubá artesanal preserva mais sabor e textura do que o produzido em larga escala.

Os 125 quilos de milho moídos por dia rendem farinha e fubá que abastecem a cozinha e a vizinhança.

Para quem cresceu comendo broa e angu de verdade, o fubá artesanal tem um gosto que remete à infância.

Esse diferencial de qualidade é o que dá valor de mercado a um produto que parecia condenado ao passado.

Não por acaso, o fubá artesanal de engenho voltou a ser disputado em feiras e vendas diretas.

Uma tradição rural quase extinta

O que José Sirval faz já foi comum em todo o interior do país.

Até meados do século 20, moinhos d’água e monjolos eram o coração da produção de farinha nas fazendas.

Com a chegada da energia elétrica e da farinha industrial barata, essa tradição rural foi sumindo aos poucos.

Muitos engenhos foram abandonados, viraram ruína ou enferrujaram à beira dos rios.

Em cidades pequenas como Senador José Bento, manter viva essa tradição rural depende de poucos produtores teimosos.

Cada moinho que para de girar leva junto um pedaço de conhecimento que ninguém anotou em lugar nenhum.

Por isso a continuidade do trabalho de José Sirval tem peso maior do que parece.

Por que José Sirval mantém o moinho d’água vivo

Não é só questão de economia ou de nostalgia.

Para José Sirval, tocar o moinho d’água é uma forma de honrar a história da própria família.

O monjolo do bisavô liga o presente a um tempo em que cada grão dependia do trabalho manual e da água.

Manter a engrenagem rodando é também manter viva a memória de quem veio antes.

Há ainda o orgulho de dominar uma técnica que poucos na região ainda sabem operar.

Em Senador José Bento, ele virou uma espécie de guardião de um saber que corre o risco de desaparecer.

A escolha de não desligar o moinho d’água é, no fundo, uma escolha de não esquecer.

O valor de preservar técnicas antigas

A história ganha relevância num momento em que o mundo discute sustentabilidade.

Um moinho d’água é, na prática, uma máquina movida a energia limpa e renovável.

Enquanto a indústria gasta eletricidade e combustível, o engenho de José Sirval usa só a água que já corre ali.

Preservar essa tradição rural tem valor cultural, ambiental e até turístico para cidades pequenas.

Engenhos antigos viram atrativo para quem busca o turismo rural e a comida de raiz.

Recuperar e manter um moinho d’água pode ser, para muitos municípios, uma forma de gerar renda com a própria história.

O que parece coisa do passado pode ser, na verdade, uma aposta de futuro.

O que o caso do moinho d’água de Senador José Bento mostra

A rotina de José Sirval é um lembrete de que nem toda tecnologia útil é nova.

Ela mostra que um moinho d’água e um monjolo centenário ainda têm lugar no século 21.

Mas vale manter o pé no chão.

É uma produção artesanal e local, que não compete em volume com a farinha industrial das prateleiras.

Manter o engenho depende da saúde do produtor e da transmissão do saber para as próximas gerações.

E, como tradição rural de cidade pequena, o caso corre o risco de se perder se ninguém der continuidade.

Ainda assim, poucos exemplos resumem tão bem o valor de preservar a tradição rural e o fubá artesanal do interior.

De Senador José Bento, o moinho d’água de José Sirval segue moendo milho e memória na mesma roda.

E você, ainda lembra do gosto do fubá artesanal moído em moinho d’água de verdade? Comenta aqui se na sua família alguém já tocou um moinho d’água ou um monjolo centenário como esse.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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