Morador do interior de São Paulo passou 20 dias entre Nepal e Tibete, enfrentou trilhas a mais de 5.500 metros de altitude e descreve a experiência de ver os dois lados do Monte Everest como algo raro e inesquecível
Segundo informações divulgadas pelo g1, em reportagem assinada pela TV TEM e publicada em 27 de junho de 2026, um morador de Presidente Prudente, no interior de São Paulo, transformou em realidade um sonho que cultivava havia duas décadas. O dentista Ubiratan Sevilha, de 70 anos, viajou ao Nepal e ao Tibete, na China, entre os dias 6 e 26 de maio deste ano, em uma expedição que durou 20 dias e o colocou frente a frente com sete dos 14 picos com mais de 8 mil metros de altitude que existem no planeta — todos eles concentrados na cordilheira do Himalaia.
O projeto, segundo o próprio dentista, nasceu em 2006. “Era um sonho desde 2006, com planejamento e preparo físico para fazer a trilha até o campo base do Everest, face sul, dar a volta e fazer a face norte”, contou Ubiratan ao g1. Para que a ideia amadurecida por tanto tempo se tornasse viável, ele passou os seis meses anteriores à viagem em preparação intensa, acompanhado por uma equipe multiprofissional formada por fisioterapeuta, nutricionista, médico e personal trainer.
Além da resistência física, a logística da viagem também exigiu fôlego. Ao todo, Ubiratan enfrentou 18 horas de voo e oito dias de trilha apenas na primeira etapa da expedição, em território nepalês, antes de seguir para a segunda fase da jornada, já em solo chinês.
-
Fredolino, aos 84 anos, guarda em sua propriedade dezenas de gamelas de cedro talhadas à mão, um machado herdado do pai e a história de uma vida dedicada à roça e às tradições do interior de Santa Catarina
-
Pessoas estão morrendo afogadas em onda de calor na Europa: França registra 40 vítimas, países enfrentam calor extremo de até 40°C e especialistas fazem um alerta que pode surpreender muita gente
-
Mais quente que muitos fornos industriais, um gigantesco painel de espelhos na França concentra até 16 mil vezes a luz do Sol e transforma energia solar em calor acima de 3.000 °C
-
Esqueça o asfalto: concreto reforçado será usado em mega rotatória de R$ 200,4 milhões com quatro viadutos, ponte ampliada, técnica whitetopping e obras previstas para durar 630 dias
Da capital do Nepal ao aeroporto mais perigoso do mundo

A trilha teve início em 7 de maio, em Kathmandu, capital do Nepal. De lá, o dentista de Presidente Prudente embarcou em um voo até Lukla, cidade que, segundo Ubiratan, abriga o aeroporto mais perigoso do planeta. Depois de pousar na região, ele seguiu em uma caminhada considerada leve até o vilarejo de Phakding, situado a uma altitude aproximada de 2.610 metros acima do nível do mar.
Esse trecho corresponde ao chamado lado sul do Everest. Nesse ponto da viagem, Ubiratan permaneceu nove dias, intercalando trilhas com períodos de repouso — estratégia fundamental para que o corpo se adaptasse gradualmente à altitude elevada da região.
Mosteiro centenário, geleiras e a chegada ao Campo Base do Everest

Enquanto avançava pela rota, o dentista também teve a oportunidade de conhecer atrações que tornam o percurso famoso entre montanhistas do mundo todo. Entre os destinos visitados estavam o histórico Mosteiro de Tengboche, paisagens glaciais e um memorial dedicado a montanhistas, em trechos com altitudes que variam entre 3.440 metros e 4.910 metros acima do nível do mar.
Contudo, foi no oitavo dia de expedição que Ubiratan viveu o momento mais desafiador de toda a viagem. “Dia 8 foi o trecho mais cansativo, com a chegada ao Everest Base Camp e altitude de 5.364 metros”, relembrou. Já no dia seguinte, o esforço foi recompensado: “No nono dia, tive a melhor vista do Everest, com cerca de 5.545 metros de altitude.”
Após viver esse ápice da expedição, o dentista iniciou o caminho de volta, passando por três vilarejos até retornar à cidade de Lukla, de onde embarcou em um novo voo rumo a Kathmandu. Ali se encerrava apenas a primeira metade da aventura — porque, na sequência, Ubiratan partiu para o Tibete, território chinês, para dar continuidade ao plano traçado ainda em 2006.
Do lado sul ao lado norte: a rara experiência de ver as duas faces do Everest
No Tibete, a lógica da expedição mudou. “No Nepal, o campo base é alcançado principalmente por trekking [caminhadas longas] de vários dias. No Tibete, boa parte do trajeto fiz por estrada de ônibus; as caminhadas foram curtas”, descreveu o dentista. Ainda assim, a altitude permaneceu extrema: a região do campo base no lado norte também fica acima de 5 mil metros.
Por outro lado, a paisagem se revelou diferente daquela observada do lado nepalês. Segundo Ubiratan, a vista do Everest pelo lado norte é mais aberta e ampla — o que tornou a experiência ainda mais especial, já que poucos viajantes conseguem observar as duas faces da montanha mais alta do mundo na mesma expedição. “Isso é uma experiência rara: ver os dois lados da montanha”, afirmou.
“A paisagem incrível do Himalaia, que é uma planície de 4 mil a 5 mil metros, com fundos das montanhas mais altas do planeta. Essa paisagem é impactante, lindíssima. Essa [viagem] do Everest foi a melhor das experiências das dezenas que fiz”, resumiu o dentista, ao avaliar o resultado de duas décadas de planejamento.
A afirmação carrega peso porque Ubiratan não é um aventureiro de primeira viagem. Pelo contrário: o dentista acumula, ao longo dos anos, uma lista expressiva de desafios físicos em diferentes continentes. Entre os destaques estão um pedal de quatro dias entre Londres e Paris e uma ultramaratona disputada na Patagônia Chilena, em 2017.
Além disso, o currículo esportivo de Ubiratan inclui maratonas correndo por Jerusalém, Amsterdã e Rio de Janeiro, bem como uma experiência de montanhismo a cerca de 6 mil metros de altitude no Huayna Potosí, um dos picos da Cordilheira dos Andes, na Bolívia. Essa bagagem, construída ao longo de muitos anos de aventuras, ajuda a explicar por que a viagem ao Himalaia, mesmo sendo desafiadora, é descrita por ele como a melhor de todas.
A informação foi divulgada originalmente pelo g1 Presidente Prudente e Região, a partir de relato concedido pelo próprio dentista à equipe da TV TEM, com registros fotográficos feitos por Ubiratan ao longo da expedição.
Mesmo após o feito, a vontade de explorar novos destinos não diminuiu. “A lista é grande, e guardo fotos. Gosto de esportes de aventura: correr, pedalar e escalar. E ainda faltam muitas [viagens], como a trilha Salkantay, no Peru, Ushuaia [na Patagônia Argentina] e etc.”, completou Ubiratan, sinalizando que a aventura no Himalaia, mesmo grandiosa, é apenas mais um capítulo de uma trajetória que parece não ter prazo para terminar.
Aos 70 anos, o dentista de Presidente Prudente reforça, com a própria história, que idade não é, necessariamente, sinônimo de limite — mas sim de experiência acumulada para enfrentar, com mais preparo e maturidade, os maiores desafios que a vida e a geografia podem oferecer.
