Os primeiros compassos do Hino Nacional Brasileiro receberam uma letra sobre patriotismo e dever cívico, mas os versos acabaram esquecidos
Poucas músicas possuem tanta força simbólica no Brasil quanto o Hino Nacional Brasileiro.
A composição aparece com frequência em cerimônias oficiais, competições esportivas e celebrações cívicas. Sua letra é imediatamente associada ao verso “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas”.
Uma parte pouco conhecida da história, porém, revela que a introdução instrumental também recebeu palavras próprias.
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Os versos foram criados para acompanhar os primeiros compassos da melodia. A autoria é tradicionalmente atribuída ao paulista Américo de Moura.
A introdução cantada do Hino Nacional acabou esquecida, mas permanece como um capítulo curioso da formação dos símbolos brasileiros.
Melodia do Hino Nacional surgiu no século XIX
O músico Francisco Manuel da Silva compôs a melodia do Hino Nacional no início do século XIX.
A primeira execução pública documentada ocorreu em 13 de abril de 1831, no Rio de Janeiro. A data passou a marcar o Dia do Hino Nacional Brasileiro.
A composição era inicialmente instrumental e aparecia, sobretudo, em apresentações de bandas militares e cerimônias públicas.
O período imperial também trouxe diferentes propostas de letra para a música.
Os versos de Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva foram associados à melodia durante a década de 1830.
O conteúdo refletia o cenário político daquele momento e apresentava referências ao Brasil governado pela monarquia.
Proclamação da República motivou tentativa de mudança
A Proclamação da República, em 1889, aumentou a pressão pela substituição dos símbolos vinculados ao período imperial.
Um concurso foi realizado para escolher outro hino para representar o Brasil.
A obra vencedora recebeu letra de Medeiros e Albuquerque, mas encontrou resistência entre os brasileiros.
A melodia de Francisco Manuel da Silva permaneceu, dessa maneira, como símbolo nacional.
A composição vencedora do concurso passou a ser conhecida como Hino da Proclamação da República.
O trecho “Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós!” continua sendo a parte mais lembrada dessa obra.
Letra oficial de Duque Estrada foi escolhida em 1909
A permanência da antiga melodia ainda deixava uma questão sem resposta: faltava uma letra definitiva para representar a República.
Um novo processo foi iniciado em 1906 para selecionar os versos oficiais do Hino Nacional.
O poema escrito por Joaquim Osório Duque Estrada foi escolhido em 1909 para acompanhar a música.
A oficialização da letra ocorreu em 6 de setembro de 1922, durante o período das comemorações do centenário da Independência.
Registros do Senado Federal, da Câmara dos Deputados e da legislação brasileira confirmam essa cronologia.
A versão formada pela melodia de Francisco Manuel da Silva e pelos versos de Duque Estrada permanece oficialmente utilizada.
Introdução do Hino Nacional também tinha letra
Os compassos executados antes da letra oficial também receberam uma proposta de versos.
O texto, tradicionalmente atribuído a Américo de Moura, dizia:
“Espera o Brasil que todos cumprais com o vosso dever
Eia! Avante, brasileiros! Sempre avante
Gravai com buril nos pátrios anais o vosso poder
Eia! Avante, brasileiros! Sempre avante
Servi o Brasil sem esmorecer, com ânimo audaz
Cumpri o dever na guerra e na paz
À sombra da lei, à brisa gentil
O lábaro erguei do belo Brasil
Eia! Sus, oh, sus!”
A linguagem utilizada na introdução, assim como na letra oficial, apresenta termos formais e pouco comuns no português contemporâneo.
Palavras antigas ajudam a entender os versos
A palavra buril identifica uma ferramenta cortante utilizada para realizar gravações em superfícies como metal ou madeira.
O termo anais, por sua vez, representa os registros históricos de uma sociedade ou nação.
A expressão lábaro pode ser compreendida como bandeira ou estandarte.
A palavra sus transmite uma ideia de impulso, elevação ou chamado para avançar com entusiasmo.
O trecho “gravai com buril nos pátrios anais” sugere, portanto, o registro permanente dos feitos brasileiros na história nacional.
Introdução cantada caiu no esquecimento
A letra criada para os compassos iniciais nunca alcançou a mesma popularidade dos versos de Joaquim Osório Duque Estrada.
O uso da introdução cantada diminuiu ao longo dos anos até desaparecer das execuções mais conhecidas.
A versão consolidada passou a apresentar apenas a introdução instrumental, seguida pelo início de “Ouviram do Ipiranga”.
A antiga letra, mesmo fora da execução oficial, continua preservando parte da trajetória política, literária e cultural do Brasil.
O processo de construção do Hino Nacional Brasileiro atravessou décadas, mudanças de governo, concursos e diferentes propostas de versos.
Você já conhecia as palavras atribuídas a Américo de Moura para a introdução do Hino Nacional? Deixe sua opinião!
