Sistema por gravidade construído pela China em Kongogo deve irrigar cerca de 400 hectares, reduzir custos com bombas e combustível, beneficiar famílias agricultoras e permitir duas safras por ano na região central da Tanzânia
A irrigação na Tanzânia está mudando a rotina agrícola da aldeia de Kongogo, no distrito de Bahi, região central de Dodoma. Quase 1.000 agricultores poderão ser beneficiados por um sistema construído pela China, que cobre cerca de 400 hectares e deve permitir o cultivo também na estação seca.

Sistema de Irrigação na Tanzânia reduz dependência das chuvas em Kongogo
Durante anos, agricultores de Kongogo dependeram quase totalmente das chuvas para plantar e colher.
Quando a seca chegava ou a chuva atrasava, pequenas plantações ficavam ameaçadas, afetando diretamente a alimentação e a renda das famílias.
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O pequeno agricultor Shabani Saki, pai de seis filhos, viveu essa realidade em pequenas parcelas de terra. Ele afirma que, antes, a chegada da seca podia significar a perda de toda a produção.
Com o novo sistema, a expectativa é reduzir essa incerteza. A aldeia abriga mais de 1.000 famílias, em sua maioria dependentes da agricultura, e mais de 600 devem ser beneficiadas diretamente pela infraestrutura quase concluída.
Saki afirma que a irrigação permitirá ampliar as áreas cultivadas e colher com mais regularidade. Segundo ele, os agricultores esperam produzir entre 30 e 50 sacas por hectare.

Sistema por gravidade dispensa bombas, diesel e combustível
O projeto está sendo executado pela China Railway Jianchang Engineering Company (CRJE) (East Africa) Limited e supervisionado pela Comissão Nacional de Irrigação da Tanzânia, ligada ao Ministério da Agricultura.
A estrutura inclui seis quilômetros de canais principais, nove quilômetros de canais secundários e 14 quilômetros de vias de acesso. Essa rede foi planejada para distribuir água de forma eficiente pelas áreas agrícolas da comunidade.
O sistema usa irrigação por gravidade. A água sai de uma represa existente, construída há mais de uma década, e segue naturalmente até os campos, sem necessidade de bombas, combustível ou consumo de energia.
O engenheiro de obra Bahati Shitobelo, da Comissão Nacional de Irrigação, explicou que alguns agricultores já haviam tentado usar bombas d’água, mas os custos com diesel e manutenção eram altos demais para a maioria.
Segundo Shitobelo, a nova solução torna o acesso à água mais eficiente e acessível, porque a água fluirá diretamente para as propriedades agrícolas.

Projeto deve permitir duas safras agrícolas por ano
A área irrigada terá cerca de 400 hectares, destinados principalmente ao cultivo de arroz. A previsão é que quase 1.000 agricultores sejam beneficiados com a infraestrutura.
Na estação chuvosa, os agricultores continuarão usando a água da chuva. Já na estação seca, poderão manter o plantio com o apoio da irrigação. Para Shitobelo, isso significa duas safras agrícolas em vez de apenas uma.
O gerente do projeto, Lin Chongliang, afirmou que a Tanzânia tem uma estação chuvosa e uma estação seca, e que os agricultores enfrentam falta de água no período seco. O projeto foi concebido para resolver essa limitação.
Para Saki, o impacto vai além da lavoura. Com mais produção, as famílias esperam garantir alimento, vender excedentes, gerar renda, educar os filhos e construir casas melhores.
Obras também geraram emprego e aprendizado técnico
Além da promessa de mudança na produção agrícola, a fase de construção já trouxe benefícios para moradores de Kongogo, especialmente jovens da comunidade.
No auge das atividades, o projeto gerou oportunidades para cerca de 100 trabalhadores, entre mão de obra qualificada e não qualificada. Moradores participaram de escavação, aterro e serviços gerais de construção.
Saki destacou que muitos jovens conseguiram emprego e aprenderam habilidades ligadas à construção civil e a outras áreas. Mesmo com remuneração baixa neste momento, ele avalia que o conhecimento poderá ajudar no futuro.
A transferência de conhecimento também aparece no relato de Vicent Mayala, topógrafo local que trabalha no projeto há três anos. Ele disse ter aprendido a usar tecnologias modernas, incluindo GPS, no traçado dos canais de irrigação.
Segundo Mayala, essa experiência técnica melhorou sua renda e o bem-estar de sua família.
Esta matéria foi elaborada com base em informações da Xinhua, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

