A indústria já vinha apresentando resultados negativos mesmo antes da pandemia. É o PIB é o mais baixo dos últimos 25 anos
São Paulo, 3 de março de 2021 – O IBGE divulgou hoje a maior queda do PIB brasileiro desde 1996: -4,1%. O número foi puxado pelos desempenhos negativos dos serviços (-4,5%) e da indústria (-3,5%). A renda per capita do país também teve queda recorde, de 4,8% – a maior baixa em 25 anos. Os números foram suavizados pelo desempenho positivo da agricultura, que teve expansão de 2%. As exportações também apresentaram queda, de 1,8%, cifra bem menor do que a queda de 10% das importações.
Para Cristina Helena Pinto de Mello, economista e pró-reitora nacional de pesquisa da ESPM, os dados que tiveram maior impacto negativo vieram do consumo do governo, que apresentou retração de 4,7%. “O consumo do governo apresenta um efeito multiplicador fundamental na economia. Para mim, essa variável é a mais importante na queda de 2020. A estratégia de política fiscal contracionista, aliada à política monetária de redução dos juros, se mostrou insuficiente para frear o mau desempenho da economia. Essa estratégia poderia ter sido flexibilizada temporariamente em um ano de pandemia”, afirma.
De acordo com Cristina, a consequência mais negativa da queda do PIB é a continuidade da destruição do tecido produtivo do Brasil, com consequências negativas para a indústria. “A indústria brasileira tem apresentado desempenhos negativos desde antes da pandemia e isso foi agravado. A persistência desse fator pode levar a uma desintegração da cadeia produtiva brasileira, já que a indústria exerce papel central na integração entre agronegócio e serviços de maior valor agregado. Trata-se de uma questão estratégica para o país, que precisa de mais atenção”, afirma.
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