Gastos do governo e indústria são destaques negativos na queda do PIB, diz economista da ESPM

Paulo Nogueira
por
-
03-03-2021 13:10:12
em Economia, Negócios e Política
Governo Federal PIB Indústria Palácio do Planalto: Fonte: Divulgação

A indústria já vinha apresentando resultados negativos mesmo antes da pandemia. É o PIB é o mais baixo dos últimos 25 anos

São Paulo, 3 de março de 2021 – O IBGE divulgou hoje a maior queda do PIB brasileiro desde 1996: -4,1%. O número foi puxado pelos desempenhos negativos dos serviços (-4,5%) e da indústria (-3,5%). A renda per capita do país também teve queda recorde, de 4,8% – a maior baixa em 25 anos. Os números foram suavizados pelo desempenho positivo da agricultura, que teve expansão de 2%. As exportações também apresentaram queda, de 1,8%, cifra bem menor do que a queda de 10% das importações.

Para Cristina Helena Pinto de Mello, economista e pró-reitora nacional de pesquisa da ESPM, os dados que tiveram maior impacto negativo vieram do consumo do governo, que apresentou retração de 4,7%. “O consumo do governo apresenta um efeito multiplicador fundamental na economia. Para mim, essa variável é a mais importante na queda de 2020. A estratégia de política fiscal contracionista, aliada à política monetária de redução dos juros, se mostrou insuficiente para frear o mau desempenho da economia. Essa estratégia poderia ter sido flexibilizada temporariamente em um ano de pandemia”, afirma.

De acordo com Cristina, a consequência mais negativa da queda do PIB é a continuidade da destruição do tecido produtivo do Brasil, com consequências negativas para a indústria. “A indústria brasileira tem apresentado desempenhos negativos desde antes da pandemia e isso foi agravado. A persistência desse fator pode levar a uma desintegração da cadeia produtiva brasileira, já que a indústria exerce papel central na integração entre agronegócio e serviços de maior valor agregado. Trata-se de uma questão estratégica para o país, que precisa de mais atenção”, afirma.

Sobre a ESPM

A ESPM é uma escola de negócios inovadora, referência brasileira no ensino superior nas áreas de Comunicação, Marketing, Consumo, Administração e Economia Criativa. Seus 12 600 alunos dos cursos de graduação e de pós-graduação e mais de 1 100 funcionários estão distribuídos em oito campi – quatro em São Paulo, dois no Rio de Janeiro, um em Porto Alegre e um em Florianópolis. O lifelong learning, aprendizagem ao longo da vida profissional, o ensino de excelência e o foco no mercado são as bases da ESPM.

Tags:
Paulo Nogueira
Com formação técnica, atuei no mercado de óleo e gás offshore por alguns anos. Hoje, eu e minha equipe nos dedicamos a levar informações do setor de energia brasileiro e do mundo, sempre com fontes de credibilidade e atualizadas.