Estudo aponta que as falhas de San Andreas e San Jacinto chegaram ao maior nível de estresse tectônico em 1.000 anos, enquanto Cajon Pass aparece como ponto decisivo para a possível propagação de um grande terremoto no sul da Califórnia.
O risco de terremoto na Califórnia voltou ao centro das atenções após estudo indicar que as falhas de San Andreas e San Jacinto atingiram os maiores níveis de estresse tectônico dos últimos 1.000 anos.
A pesquisa aponta que vários segmentos estão em valores iguais ou superiores aos maiores registrados no último milênio. Esse acúmulo não define data para o próximo terremoto, mas indica um sistema criticamente tensionado.
As áreas citadas como expostas incluem Los Angeles, San Bernardino, Riverside e o Vale Coachella. O alerta envolve a possibilidade de ruptura capaz de atravessar mais de um sistema.
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Liliane Burkhard afirmou que a região pode comportar uma ruptura ampla envolvendo os dois sistemas.
Cajon Pass pode abrir caminho
Cajon Pass é o ponto onde a falha de San Jacinto se separa do traço principal da San Andreas. Os pesquisadores descrevem a área como “portão” para terremotos.
Esse trecho pode impedir ou facilitar a passagem de rupturas entre as falhas. O comportamento depende de quão parecidos estão os níveis de estresse quando a ruptura começa.
No cenário atual, San Andreas e San Jacinto parecem apresentar tensões comparáveis e elevadas. Por isso, uma ruptura poderia avançar por mais de um trecho.
Se a ruptura envolver os dois ramos da San Andreas conectados em Cajon Pass, seria conjunta. Caso alcance também a San Jacinto, o estudo classifica o cenário como tripartido.
Histórico reforça preocupação
Nos últimos 1.000 anos, as falhas de San Andreas e San Jacinto provocaram 36 terremotos com magnitude igual ou superior a 6,4. O último grande evento no sul da Califórnia ocorreu em 1857.
Naquele ano, um terremoto de magnitude 7,9 rompeu 330 quilômetros da falha de San Andreas entre Parkfield e Cajon Pass. A ruptura, porém, não atravessou Cajon Pass.
Um megaevento semelhante, em 1812, conseguiu passar por essa conexão. Isso mostra que o avanço por Cajon Pass já aconteceu antes e poderia ocorrer novamente.
Quase 170 anos se passaram desde o terremoto de 1857. Hoje, a região é mais construída e povoada, tornando a compreensão dos cenários relevante.
Modelo reconstruiu 1.000 anos
Burkhard e colegas criaram um modelo que replica 1.000 anos de terremotos nos sistemas San Andreas e San Jacinto.
A equipe usou anéis de árvores e dados de idade de sedimentos deslocados para reconstruir a história sísmica regional. Depois, inseriu as informações em simulações de acúmulo, liberação e propagação de estresse tectônico.
Os resultados foram publicados em 3 de junho no Journal of Geophysical Research: Solid Earth. A chance de cada cenário e o momento de uma possível ruptura permanecem desconhecidos.
Mesmo sem previsão, Burkhard destacou que modelos físicos ajudam a enxergar melhor cenários para avaliação de perigo, infraestrutura e preparação emergencial. O estudo sugere aplicação a outras junções.
Você acha que regiões sujeitas a terremoto deveriam usar estudos desse tipo para revisar obras, rotas de emergência e planos de evacuação com mais frequência? Comente sua opinião e diga qual medida de preparação parece mais urgente em áreas densamente povoadas.

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