Segundo a agência estatal Xinhua, a mulher chinesa Yin Yuzhen, hoje com 60 anos, luta contra a desertificação na área arenosa de Maowusu há décadas. A doação do professor americano Ronald Sakolsky, em 1999, financiou mais de 50 mil mudas, e ele planeja visitar a floresta em agosto.
A mulher chinesa Yin Yuzhen, hoje com 60 anos, passou décadas plantando árvores contra o deserto que chegou a soterrar parte de sua casa na Mongólia Interior, no norte da China, e agora se prepara para receber o americano Ronald Sakolsky, cuja doação ajudou a transformar areia em floresta. A história foi divulgada pela agência estatal chinesa Xinhua, que acompanhou a trajetória de Yin na periferia da área arenosa de Maowusu, a quarta maior do país.
O reencontro nasceu de um gesto antigo e de um vídeo recente. De acordo com a Xinhua, Sakolsky, que conheceu Yin por acaso quando trabalhava como professor intercambista na China, doou US$ 5 mil em 1999 para apoiar o reflorestamento, e as mais de 50 mil mudas plantadas com esse dinheiro viraram uma floresta densa. Perto da casa dela, cerca de 4.667 hectares, ou 70 mil mu, de antigo deserto foram replantados com 8 milhões de árvores graças à ação do governo e ao trabalho dos moradores locais, e, comovido por um vídeo que Yin publicou, Sakolsky planeja visitar a floresta em agosto.
A luta de décadas da mulher chinesa contra a areia

Muito antes de qualquer doação, a batalha já durava anos. A mulher chinesa Yin Yuzhen já havia passado mais de uma década enfrentando a desertificação na borda da área arenosa de Maowusu, onde as tempestades de areia soterravam parte de sua casa e ameaçavam seriamente o seu sustento.
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A determinação dela virou uma espécie de lema pessoal.
“Prefiro me desgastar plantando árvores do que deixar a areia me derrotar”
, prometeu Yin, segundo a Xinhua, resumindo a persistência que marcaria décadas de trabalho na Mongólia Interior.
A doação de US$ 5 mil que virou floresta

Foi nesse cenário que o americano Ronald Sakolsky entrou na história. Ele conheceu a mulher chinesa por acaso enquanto atuava como professor intercambista na China e, comovido com o plantio de árvores na periferia do deserto, doou US$ 5 mil em 1999 para apoiar o projeto. Em gratidão, Yin costurou durante a noite um par de palmilhas bordadas para presentear o doador.
O dinheiro rendeu muito mais do que mudas. As mais de 50 mil árvores plantadas com a doação cresceram e formaram uma floresta densa que segurou o avanço da areia. Depois de se deparar com um vídeo que Yin publicou no mês passado para se reconectar com ele, Sakolsky decidiu visitar a floresta com os filhos em agosto e, no Facebook, minimizou o próprio papel,
“Eu não sou o herói desta história”
, creditando a transformação a Yin.
8 milhões de árvores e o maior reflorestamento do mundo

O trabalho da mulher chinesa é apenas um capítulo de um esforço muito maior. Perto da casa de Yin, cerca de 4.667 hectares de antigo deserto foram replantados com 8 milhões de árvores, fruto da ação do governo e do trabalho incessante dos moradores locais, segundo a Xinhua.
Esse plantio integra o maior projeto de reflorestamento do planeta. A iniciativa faz parte do Programa Florestal de Proteção das Três Regiões do Norte, lançado em 1978 para combater a desertificação no noroeste, norte e nordeste da China e descrito como o maior projeto de reflorestamento do mundo, ainda em andamento. De acordo com a Xinhua, 53% das terras arenosas tratáveis do país já foram efetivamente gerenciadas, e a China se apresenta como a primeira nação a alcançar o “crescimento zero” na degradação do solo.
Os voluntários que se somam à campanha

Além de agricultores dedicados como a mulher chinesa Yin, a campanha ganhou reforço inesperado. O reflorestamento chinês passou a atrair um número crescente de voluntários com consciência ambiental, especialmente jovens moradores urbanos e estudantes internacionais.
Um condado de Gansu virou símbolo dessa mobilização. Em Minqin, a cobertura florestal chegou a 18,28%, ante apenas 3% na década de 1950, e mais de sete décadas de plantio contínuo criaram uma faixa de floresta e pastagens de 380 quilômetros que ajudou a frear dois grandes desertos. Segundo o departamento florestal local, mais de 100 mil moradores plantam árvores voluntariamente a cada primavera e outono, e, neste ano, um miniprograma do WeChat virou um centro de inscrição online para voluntários, unindo a adoção digital de árvores ao cultivo em campo.
De Xangai à França e à Malásia, jovens plantam no deserto
A história da mulher chinesa hoje ecoa em quem viaja de longe para plantar no deserto. Desde fevereiro, mais de 30 mil pessoas foram a Minqin por conta própria para a campanha “Plante uma Árvore em Minqin”, cerca de 80% delas estudantes universitários e jovens profissionais entre 20 e 35 anos, ao lado de voluntários internacionais.
Os relatos vêm de diferentes cantos do mundo. Entre eles, a estudante francesa de intercâmbio Marie Fitoussi resumiu o espírito coletivo,
“unidos podemos conter a areia e construir um amanhã mais verde”
. A funcionária de escritório Zhu Wanyin, de Xangai, trocou as férias na praia pelo plantio de árvores, e See Thou Kai Ain viajou da Malásia, de avião e ônibus, para participar; até 2025, segundo a Comissão Nacional de Arborização, a China já havia criado 3.071 bases de plantio de árvores pela internet, que atraíram mais de 33 milhões de visitas.
A persistência de décadas da mulher chinesa Yin Yuzhen, que se recusou a deixar a areia engolir sua casa, virou o rosto humano do combate à desertificação na China, hoje capaz de atrair voluntários de Xangai, da França e da Malásia e o retorno de seu amigo americano em agosto.
Segundo a Xinhua e os dados oficiais da Comissão Nacional de Arborização, o país apresenta a campanha como o maior reflorestamento do mundo e uma contribuição à governança ecológica global. Mais do que as estatísticas, a história de Yin e de sua floresta de milhões de árvores mostra como a perseverança individual e o esforço coletivo podem transformar deserto em verde.
E você, o que achou da história da mulher chinesa que transformou deserto em floresta? Acredita que exemplos como esse podem inspirar projetos de restauração em outros lugares? Comente a sua opinião e troque ideias com outros leitores sobre meio ambiente, com respeito às diferentes visões.

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