Com o apoio da agência JICA e da UNESCO, o Japão compartilha décadas de experiência em desastres. O Vietnã já inaugurou a primeira das barragens Sabo, que retêm pedras e detritos, e prevê outras 12 na bacia do rio Nam Pam, além de treinos de evacuação e saneamento.
Um rio subiu 15 metros em uma noite e devastou uma aldeia no Vietnã em 2025, e o Japão respondeu com barragens que seguram lama e pedras, treinamento de 15 mil pessoas para evacuação e uma estação de tratamento de esgoto para 1 milhão de moradores. A resposta faz parte de um esforço maior para preparar o país asiático contra inundações e deslizamentos de terra.
O Japão vem compartilhando décadas de experiência em gestão de desastres com o Vietnã. Segundo informações divulgadas pelo Jornal EuroNews, o trabalho é feito por meio de projetos de infraestrutura, educação e alerta precoce, com o apoio da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) e da UNESCO. O Vietnã inaugurou a sua primeira barragem Sabo, uma invenção japonesa que retém rochas e detritos durante chuvas fortes, na província de Son La, e há outras 12 barragens semelhantes previstas para a bacia do rio Nam Pam. A estratégia japonesa se apoia em três pilares, e ainda inclui um acordo com a UNESCO para treinar a população e uma grande estação de saneamento em Hanói.
O rio que subiu 15 metros e a tragédia no Vietnã

Fotos VNA/VNS
A história por trás das barragens começa com uma tragédia. Em julho de 2025, uma aldeia na região de Nghe An, no Vietnã, frequentemente atingida por inundações, foi devastada quando o rio próximo subiu 15 metros durante a noite, e quase 2 metros de água invadiram salas de aula.
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Não foi o primeiro desastre do tipo na região. Em 2017, na aldeia de Pang, na província de Son La, um deslizamento de terra fez parte da comunidade desaparecer sob a lama, deixando cicatrizes ainda visíveis na paisagem. São esses eventos recorrentes, entre enchentes e deslizamentos, que o Japão e o Vietnã tentam enfrentar juntos, no norte do país.
As barragens Sabo que seguram lama e pedras

A parte mais visível da resposta é uma invenção japonesa: as barragens Sabo. Em japonês, “sa” significa sedimento e “bo” se relaciona com proteção, e o conceito foi desenvolvido há cerca de um século para deixar a água fluir enquanto segura as rochas e os detritos arrastados pelas chuvas fortes.

Essas barragens funcionam como um freio para o fluxo de detritos. Elas reduzem a força e a energia desse fluxo e, instaladas dentro de uma bacia, protegem o leito do rio, impedem a erosão e ajudam a estabilizar toda a bacia hidrográfica, de modo que o vale rio abaixo também fica protegido. O Vietnã inaugurou a sua primeira barragem Sabo na província de Son La, com um jardim de infância entre os prédios protegidos logo abaixo da estrutura, e há 12 barragens semelhantes previstas para a bacia do rio Nam Pam.
A estratégia japonesa de três pilares

Além das barragens, o Japão leva ao Vietnã uma estratégia mais ampla. Construída ao longo de décadas e apoiada pela Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), a abordagem japonesa de prevenção de desastres se baseia em três pilares.
Cada pilar cobre uma frente do problema. O primeiro é a infraestrutura de proteção, como as próprias barragens; o segundo é o planejamento do uso da terra; e o terceiro são os sistemas de alerta precoce e evacuação. Reconhecido como líder na redução do risco de desastres, sobretudo no nível tecnológico, o Japão vem dividindo essa experiência com o Sudeste Asiático há anos, por meio de parcerias bilaterais e da cooperação com uma organização regional.
O acordo com a UNESCO e o treinamento de 15 mil pessoas
O lado humano da resposta vai além das barragens. Em fevereiro de 2026, o Japão assinou um acordo com a UNESCO para fortalecer a preparação contra desastres em Nghe An, aprimorando o mapeamento de riscos e os exercícios de evacuação nas escolas.
O foco está em ensinar a população a reagir antes que o pior aconteça. O acordo prevê suporte técnico japonês e grande ênfase na educação, com oficinas para melhorar os procedimentos de evacuação, e a previsão é de que cerca de 15 mil pessoas, entre estudantes e professores, sejam beneficiadas diretamente. Para o Japão e a UNESCO, parceiros há décadas, simulações como essas salvam vidas ao preparar as pessoas para enfrentar eventos extremos quando eles ocorrem.
A estação de tratamento de esgoto para 1 milhão em Hanói
O apoio japonês também chega às grandes cidades, em uma frente que complementa as barragens. Em Hanói, a capital, o rápido desenvolvimento econômico havia poluído rios e lagos com águas residuais domésticas, e uma nova estação de tratamento pretende mudar esse quadro.
A obra é a maior do tipo na cidade. Inaugurada em 2025 com apoio técnico e financeiro do Japão, a maior estação de tratamento de águas residuais de Hanói passou a conectar um milhão de moradores à rede de tratamento. Ela incorpora sistemas japoneses de filtração rápida adaptados a chuvas intensas e é ligada no subsolo por grandes túneis escavados com tecnologia de perfuração de última geração.
Depois que um rio subiu 15 metros em uma noite e devastou uma aldeia vietnamita em 2025, o Japão respondeu com barragens Sabo que seguram lama e pedras, treinamento de evacuação para 15 mil pessoas e uma estação de esgoto que conecta 1 milhão de moradores, compartilhando décadas de experiência por meio da JICA e da UNESCO.
Por trás desses projetos está um conceito que o Japão chama de Reconstruir Melhor, baseado em investir na redução do risco de desastres antes que as catástrofes aconteçam e em reconstruir de forma mais resiliente depois, a mesma lógica preventiva que, segundo o país, ajudou a impulsionar o seu próprio crescimento econômico.
Entre as barragens nas montanhas, os treinos de evacuação nas escolas e a estação de tratamento na capital, a cooperação mostra que enfrentar eventos extremos é, cada vez mais, uma tarefa planejada com antecedência e dividida entre países.
E você, o que acha da resposta do Japão com barragens e treinamento no Vietnã? Acredita que esse modelo preventivo poderia ajudar outros países que sofrem com enchentes e deslizamentos? Comente a sua opinião e troque ideias com outros leitores sobre infraestrutura e prevenção de desastres.


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