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Como a Romênia virou o “posto de combustível” de Hitler, forneceu cerca de metade do petróleo usado pela Alemanha nazista e surpreendeu o mundo ao abandonar o Eixo em 1944, justamente quando a falta de combustível começava a sufocar o Terceiro Reich

Escrito por Viviane Alves
Publicado em 20/06/2026 às 02:20
Atualizado em 20/06/2026 às 02:22
Longa coluna de homens em marcha por uma estrada coberta de neve durante o inverno, em cenário que remete à Segunda Guerra Mundial no Leste Europeu.
Imagem ilustrativa mostra uma longa marcha em meio à neve, representando o avanço de tropas no фронte oriental e o papel da Romênia na Segunda Guerra Mundial.
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Principal fornecedora europeia de petróleo da Alemanha nazista, a Romênia produzia cerca de 100 mil barris por dia antes de protagonizar uma mudança decisiva durante a Segunda Guerra Mundial

Poucos países tiveram uma influência tão importante nos rumos da Segunda Guerra Mundial quanto a Romênia, embora sua atuação seja menos lembrada.

Durante anos, o país forneceu uma parcela essencial do combustível utilizado pela Alemanha nazista. A produção romena ajudava a manter tanques, aviões e tropas em movimento.

A situação mudou completamente em 1944. A Romênia abandonou o Eixo, passou a combater ao lado dos Aliados e retirou de Hitler sua principal fonte europeia de petróleo.

Petróleo colocou a Romênia no centro da estratégia alemã

A Romênia conquistou sua independência do Império Otomano em 1877. Após a Primeira Guerra Mundial, o reino reunia quase 20 milhões de habitantes.

A exploração das jazidas petrolíferas avançou a partir de 1927. O crescimento industrial, por sua vez, colocou o país em posição privilegiada no Leste Europeu.

A influência da Guarda de Ferro também aumentava naquele período. Liderado por Corneliu Codreanu, o movimento defendia ideias fascistas, nacionalistas e antissemitas.

Esse cenário político influenciaria diretamente as decisões tomadas pela Romênia durante a guerra.

Aliança com a Polônia provocou tensão com Hitler

A invasão alemã da Polônia, em 1939, colocou a Romênia diante de uma escolha delicada.

Bucareste manteve inicialmente a Aliança Polonês-Romena, vigente desde 1921. Tropas polonesas receberam autorização para atravessar o território romeno.

As reservas de ouro da Polônia também passaram pelo país. O material seguiu até portos do Mar Negro e, depois, foi enviado para Londres e Paris.

A atitude desagradou Adolf Hitler. O governo alemão, ainda assim, prometeu devolver territórios perdidos pela Romênia após uma eventual derrota soviética.

O fornecimento de petróleo deveria continuar como contrapartida. A Romênia aderiu posteriormente ao Pacto Tripartite e entrou oficialmente no Eixo.

O país desconhecia, naquele momento, que o protocolo secreto do pacto Ribbentrop-Molotov havia colocado parte da região na esfera soviética.

Produção de 100 mil barris abasteceu a máquina de guerra

A Romênia tornou-se o principal fornecedor europeu de petróleo do Terceiro Reich após sua entrada no Eixo.

A produção nacional alcançava aproximadamente 100 mil barris por dia. Esse volume representava cerca de metade do combustível necessário à estrutura militar alemã.

Mais de 600 mil soldados romenos participaram da Operação Barbarossa, lançada contra a União Soviética em junho de 1941.

As forças do país combateram em 25 batalhas. Entre os episódios estavam a captura de Sebastopol e o massacre de Odessa.

Segundo o historiador Mark Axworthy, a tomada de Odessa foi a maior conquista de uma potência menor do Eixo sem apoio alemão substancial.

Engenheiros militares romenos também construíram uma grande ponte sobre o rio Dnieper enquanto enfrentavam ataques inimigos.

A 3ª Divisão de Montanha participou do maior ataque anfíbio realizado pelo Eixo na Europa. Tropas romenas também avançaram até Nalchik, no Cáucaso.

Operação Tidal Wave tentou cortar o combustível de Hitler

Os Aliados decidiram atacar diretamente o centro petrolífero romeno em 1º de agosto de 1943.

A chamada Operação Tidal Wave mobilizou 177 bombardeiros B-24, que partiram da Líbia com destino aos campos e refinarias de Ploiești.

A defesa alemã respondeu intensamente. Cinquenta e três aeronaves americanas foram abatidas ou não conseguiram retornar às bases.

A elevada quantidade de perdas fez a missão receber o apelido de “Domingo Negro” na imprensa dos Estados Unidos.

O ataque demonstrou a importância estratégica do petróleo romeno. A Alemanha dependia daquele combustível para manter sua capacidade de combate.

Golpe de 1944 retirou a Romênia do Eixo

A entrada das tropas soviéticas no território romeno mudou o cenário em 23 de agosto de 1944.

O rei Miguel I liderou um golpe de Estado contra o marechal Ion Antonescu. A ação retirou a Romênia do Eixo e encerrou a parceria com a Alemanha.

Alemanha e Hungria declararam guerra à antiga aliada. A Romênia, em seguida, mobilizou 567 mil soldados para combater ao lado dos Aliados.

O petróleo que antes sustentava as tropas alemãs passou a abastecer a União Soviética.

A mudança ocorreu quando a Alemanha já enfrentava uma grave escassez de combustível. A perda do principal fornecedor europeu representou, portanto, um golpe estratégico.

Guerra deixou perseguições e enormes perdas humanas

A participação romena no conflito também deixou um legado trágico para a população judaica.

Segundo a Comissão Wiesel, entre 280 mil e 380 mil judeus foram assassinados pelo Estado romeno.

Os crimes ocorreram principalmente nas regiões da Bessarábia, Bucovina e Transnístria.

A rejeição ao plano nazista de deportação, a partir de 1942, ajudou a salvar parte da comunidade judaica. Cerca de 400 mil sobreviventes emigraram posteriormente para a Palestina.

A Romênia terminou a guerra com grandes perdas humanas e materiais. O país também passou para a esfera de influência soviética e tornou-se uma República Popular.

A trajetória romena ficou marcada por uma contradição histórica: o país que sustentou a máquina militar de Hitler também ajudou a enfraquecê-la no momento decisivo da guerra.

Na sua opinião, a mudança de lado da Romênia teve peso determinante para acelerar a derrota da Alemanha nazista? Deixe seu comentário!

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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